Fortaleza também é do pagode: grupo Mesura une várias gerações de apreciadores do gênero há 18 anos

Sucesso nos anos 2000, banda estende legado para a juventude atual a partir de composições autorais e novas formas de interação nas redes sociais

Escrito por
Diego Barbosa diego.barbosa@svm.com.br
Legenda: Quarteto do Mesura está na cena desde 2005 e celebra o alcance cada vez maior
Foto: Divulgação

Um chega com pandeiro, outro vem com cavaquinho, ajustam som e microfone e chamam a turma para mais perto. Está formada a roda de música do grupo Mesura. Desde 2005 a banda conquista Fortaleza a partir de um jeito todo próprio de tocar pagode. São a prova viva de que a cidade é feito coração de mãe: entre tantos ritmos, eles cabem também.

Veja também

O grupo faz o maior sucesso entre antigas e novas gerações de aficionados por um pagodinho. Nas redes sociais, por exemplo, além de publicar canções, eles entram na onda das últimas tendências. Um dos vídeos tem como título: “Antes do TikTok surgir, o Mesura já tinha lançado essa dancinha”. O público delira.

“Precisamos estar antenados às novas formas de se comunicar com quem nos segue”, explica Braune Rodrigues, 41. O músico passeia pela história do grupo enquanto destaca o quanto eles têm ganhado ainda mais força nos últimos anos. 

Tudo nasceu a partir de Wander Figueiredo, 42, outro membro da banda. Saído de uma antiga formação musical, tratou de criar uma própria investindo em um gênero ainda pouco celebrado na cidade, mas com muito potencial.

“Assim começamos a tocar num lugar que tinha futebol e música aos sábados, no fim de tarde, e algumas pessoas ficaram conhecendo. Pouco a pouco, o pagode ficava mais movimentado, principalmente com universitários. O boca a boca da época ajudou a espalhar a fama”. Não demorou para que mais espaços fossem ocupados e conquistas viessem.

Ao todo, o Mesura coleciona três álbuns, três DVDs, um EP e sete singles. Presentes em todas as plataformas musicais de streaming, os rapazes celebram não apenas a discografia, mas o que vem a reboque dela: muitos aplausos, convites e momentos vividos em casal, em conjunto ou naquele compasso sereno de quem está sozinho.

Tudo autoral

Olhando em retrospecto, Braune acredita que um dos maiores diferenciais do grupo é o investimento em canções autorais. Sempre foi importante apresentar composições próprias, sob a lente de quem observa as coisas de dentro. A maior parte das letras é assinada por Felipe de Paula, 35 – autor de, entre outros hits, a queridíssima “Fica do meu lado”.

“Viemos com essa pegada e também uma novidade no cenário do pagode: a introdução de instrumentos de sopro, como sax e flauta. Em 2005, não havia isso”, contextualiza Braune. “Isso nos permitiu acumular alguns feitos interessantes, como abrir shows de várias bandas de alcance nacional”.

Entre elas, estão Exaltasamba, Jeito Moleque e o cantor Belo. Na lista de instantes memoráveis, também se encontra a participação deles na primeira turnê do grupo Sorriso Maroto em Fortaleza, no antigo Siará Hall – em uma época na qual o quinteto carioca emplacava sucessos e mais sucessos nas rádios país afora.

“Outro momento muito legal foi participar de um programa musical com alcance em todo o Brasil; e gravar nosso EP, ‘Eu sou da paz’, na Companhia dos Técnicos, importante estúdio localizado no Rio de Janeiro. Além disso, já tocamos em muitos casamentos e vimos algumas de nossas músicas ser a canção preferida de um casal. Isso nos deixa bem felizes”.

Gênero atemporal

Tanto aconchego remete ao que Braune Rodrigues considera ser a característica master do pagode: o fato de ele ser atemporal. Letra, ritmo e energia superam épocas e passam a fazer parte da trajetória das pessoas. Não à toa, o investimento de músicos como Thiaguinho em projetos no estilo do “Tardezinha”, no qual o repertório transita entre antigos e novos hits. 

“O grupo Menos é Mais também ficou conhecidíssimo depois de algumas regravações”, analisa o artista. “A gente acredita que, quando o pagode reacende novamente com algum artista a nível nacional, isso reflete em todo o Brasil. Foi o que nos ajudou e continua a nos ajudar. Somos um grupo com muito trabalho autoral, mas viver de tocar pagode em Fortaleza é muito difícil porque não é comum. É mais fácil ter o forró”.

Legenda: Próximos projetos do grupo incluem lançamento de novo EP e uma produção audiovisual
Foto: Divulgação

Ainda assim, nada de esmorecer. Em meio aos desafios diários, é essencial visualizar a extensão não apenas da Capital, mas de todo o Ceará, para que a vontade de ressoar o pagode continue. Tem gente aos montes que adora o som – sobretudo sabendo da vertente autoral dele. Apostar nisso continua lei para o quarteto formado por Braune Rodrigues, Manuel Timóteo, Wander e Felipe de Paula.

Os próximos projetos incluem lançamento de novo EP neste mês de julho; e uma produção audiovisual gravado a partir de um show ao vivo, com posterior publicação no YouTube. A incidência nas redes sociais, claro, também faz parte do pacote. E há de seguir assim.

“O pagode é muito autêntico e enraizado na cultura brasileira – conhecida por ter uma música bastante rica. Por isso, tentamos nos comunicar com várias vertentes do som. Tem pagode com guitarra e até feito com versos de trap, tudo isso sem perder a identidade Entendemos que isso faz parte do cenário atual. E vamos com cada vez mais força nisso”.

 

Este conteúdo é útil para você?
Assuntos Relacionados