Amizade de Paulo Gustavo e Marcus Majella virou ideia para filme em cartaz nos cinemas

"Agentes Muito Especiais" surgiu com os dois amigos e foi lançado em janeiro.

Escrito por
Mylena Gadelha mylena.gadelha@svm.com.br
(Atualizado às 14:51)
Legenda: Jeff (Marcus Majella) e Johnny (Pedroca Monteiro) são os protagonistas de "Agentes Muito Especiais".
Foto: Divulgação/Daniel Chiacos.

A amizade de décadas entre Marcus Majella e Paulo Gustavo seria celebrada com um filme cheio de ação e comédia estrelado pelos dois. A ideia, infelizmente, não saiu da forma esperada por conta do falecimento do humorista, mas ganhou um quê de homenagem com o longa "Agentes Muito Especiais", lançado nos cinemas brasileiros na última semana. 

"Esse filme já existia", contou Pedro Antônio em entrevista ao Diário do Nordeste, lembrando de como foi convidado para compor a obra e torná-la uma realidade mesmo após a partida de Paulo Gustavo. 

"O projeto já tinha toda uma intenção de ser uma homenagem a ele", continuou o diretor, que também já havia trabalhado com o artista. "Quando eu adentrei foi para a gente construir esse filme, fruto dessas ideias que estavam no desenvolvimento do Paulo com o Marquinhos. Então, para mim foi uma experiência muito desafiadora, porque eu tinha que de alguma maneira construir ali, junto deles, um universo original". 

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"Agentes Muito Especiais" conta a história de Jeff (Marcus Majella) e Johnny (Pedroca Monteiro), dois policiais gays no Rio de Janeiro que sofrem com o preconceito, mas recebem reconhecimento ao se infiltrarem em uma prisão para desarticular a quadrilha "Bando da Onça". Na história, eles vivem confusões e situações atrapalhadas para conquistar o respeito que desejam, em uma trama cheia de comédia e ação.

Pedro revelou a intenção de trazer uma história realista, com conflitos intensos entre os personagens e ligando, de forma natural e coesa, dois gêneros tão importantes no cinema. O diretor ainda citou tudo isso como um desejo pessoal de Paulo, algo já comum em trabalhos feitos por ele em vida.

"O filme tinha sempre essa intenção de mostrar dois policiais gays combatendo o crime. Então tinha que ter realismo, tinha que ser um projeto real, não podia ser uma coisa caricata. E tinha que ter afeto, né? Precisava ter elementos conectados com o público, uma preocupação que o Paulo Gustavo também sempre tinha", reforçou. 

Desafios do processo de construção

Pensar em tudo isso, ele também apontou, foi no mínimo "desafiador". Segundo Pedro, por ter pessoas fortemente ligadas ao artista, seja em trabalhos ou na vida pessoal, sempre houve um interesse de haver um cuidado no processo de construção.

"Tivemos muitas pessoas que trabalharam com o Paulo, que o conheciam, gostavam e entendiam a cabeça dele. Então, acho que essa homenagem de dar vida a essa ideia foi possível por conta disso, por conta desses encontros, de pessoas que estavam ali", completou.

Paulo Gustavo com boné vermelho e terno, enquanto Majella aparece com blusa quadriculada e cabelo loiro longo.
Legenda: Paulo Gustavo e Marcus Majella pensaram juntos no projeto do filme.
Foto: Reprodução/Instagram.

Mas esse não foi o único ponto a ser considerado. Como diretor, ele também revelou, houve, além do desejo, uma necessidade de buscar um trama capaz de misturar gêneros distintos sem "perder a mão".

Para Pedro, o longa acaba sendo pioneiro nesse quesito, já que essa mistura não é sempre comum no cenário nacional. "É um filme com sequências de ação e de comédia caminhando juntas o tempo todo. Ele entretém nesse lugar, então eu acho que isso é raro e até arriscado. Ao mesmo tempo, apesar de não ser uma coisa inédita, ele tem ali um elemento curioso, que são esses dois protagonistas gays no universo policial", finalizou.

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