Feito Eduardo e Mônica: histórias de casais cujas diferenças não impedem viver um grande amor

Estreando nesta quinta-feira (20) nos cinemas, filme baseado na canção do Legião Urbana tem trama semelhante a de muitos pares; confira as narrativas reais de quem ama, apesar das diferenças

Legenda: Da esquerda para a direita, os casais Martins Filho e Ana Cristina Borges; Maciej e Lidia Babinski; e Daniela Silva e Indiara Ingride
Foto: Arquivo pessoal

Nem diferença de idade, nacionalidade, classe social e muito menos temperamento. Nada abala a relação de pessoas que, feito feijão com arroz, nasceram para se completar.

Estreando nos cinemas nesta quinta-feira (20), a trama de “Eduardo e Mônica” brinca com essas questões enquanto reflete um aspecto poderoso da realidade. Afinal, são vários os casais que, mesmo tão diferentes entre si, conseguem se dar muito bem.

A história de Maciej e Lidia Babinsk é assim. Ele possui 90 anos, ao passo que ela tem 59. Ele é polonês radicado no Brasil, e ela traz o Ceará no sangue. Se um prefere jazz e música clássica, a outra é chegada a forró e aos grandes sucessos internacionais. 

“O Babinski é mais explosivo, temperamental. Mesmo assim, é bom conviver com ele. Eu sempre aprendo muito porque ele também consegue se acalmar facilmente, se adaptando às coisas que acontecem”, conta Lidia. A artesã cearense ainda enumera outras diferenças entre ela e o esposo, um dos mais renomados artistas plásticos brasileiros.

Legenda: “É adaptação, compreensão e, sobretudo, a comunicação entre os dois que deve estar sempre funcionando", diz Maciej Babinski sobre a relação com Lidia
Foto: Arquivo pessoal

Babinski, por exemplo, é de Áries, enquanto ela é de Leão. E se ele aprecia ficar sozinho durante horas no ateliê, ela gosta do clima de festa de interior, com reza, missa e cumplicidade. Os dois estão juntos há 32 anos e garantem que a harmonia da relação se dá devido ao amor, respeito, entendimento e renovação diária dos laços.

“É adaptação, compreensão e, sobretudo, a comunicação entre os dois que deve estar sempre funcionando. Nenhum pode se fechar em si e dar isso como uma boa relação. Isso não é uma boa relação”, sublinha Maciej. Detalhe importante: feito o casal da música do Legião Urbana, os dois também se conheceram em Brasília, no ano de 1990.  

Ele frequentava o restaurante onde ela trabalhava e chegou a enviar um torpedo romântico. Lidia recusou a mensagem num primeiro momento, mas, convencida por um colega, não apenas leu o bilhete como também ligou para Babinski e ambos marcaram um encontro. De lá para cá, a união do casal adotou o sítio Exu – localizado no município de Várzea Alegre, interior do Ceará – como refúgio para a boa convivência das diferenças.

Legenda: Juntos há 32 anos, Maciej e Lidia Babinski garantem que a harmonia da relação se dá devido à renovação diária dos laços
Foto: Arquivo pessoal

“Para o casal que se acha muito diferente, nosso conselho é que não desista nunca. Procurem compreender um ao outro. Isso faz com que o relacionamento se fortifique, que os dois consigam seguir em frente. Não podemos achar que, pelo fato de o outro ser diferente, não é possível uma chance. É importante estar sempre juntos para que tudo se renove a cada dia”, propõem.

Muita confiança entre poucas semelhanças

Daniela Barbosa e Indiara Ingride que o digam. Do mesmo modo que Maciej e Lidia, elas também possuem uma expressiva diferença de idade – a primeira, operadora de logística, tem 41 anos, enquanto a segunda, vigilante, possui 28. Mesmo com o desafio intergeracional, o relacionamento de dois anos prova que essa questão não representa nada. “A confiança é a base de tudo”, diz Daniela.

As duas se conheceram na antiga empresa onde trabalhavam. E foi a distinção quanto ao modo de cada uma se afirmar na sociedade que deu o tom da união. Daniela, até aquele momento, nunca havia se relacionado com mulheres. Antes de conhecer Indiara, havia tido um casamento de 14 anos com um homem e outros três relacionamentos, todos com pessoas do sexo masculino. O amor pela atual namorada mudou tudo. 

Legenda: A distinção quanto ao modo de cada uma se afirmar na sociedade deu o tom da união entre Indiara Ingride (à esquerda) e Daniela Barbosa
Foto: Arquivo pessoal

“Para mim, me relacionar com uma mulher era um absurdo. Ainda lutei contra, escondi de todo mundo, mas foi mais forte que eu. Quando se tem um sentimento verdadeiro, não consegue esconder por muito tempo. Então fui vendo que aquilo era bobagem e que não era feio o sentimento tão lindo que nasceu”, conta a operadora de logística.

Indiara também estava em um relacionamento conturbado quando conheceu Daniela. A partir daí, as duas começaram a aprofundar as conversas e esse melhor conhecimento sobre ambas faz com que tudo esteja dando certo até hoje. Mesmo com tantas diferenças.

“Eu sou calma, ela é mais sem paciência. O meu temperamento é manso, o dela é mais elevado. Eu sou mais comunicativa, ela é mais preservada. Eu sou mais carinhosa, ela é menos. Vejo que essas diferenças, no passar de cada dia, podem ser alinhadas. Se a gente fosse igual, acho que não daria tão certo”.
Daniela Barbosa
Operadora de logística

Há outro contraste importante: enquanto Daniela já possuía dois filhos quando iniciou a união, Indiara não tinha nenhum. Conforme observam, esse ponto apenas reforça a necessidade de o casal continuar junto, lutando pelas tantas responsabilidades. “As coisas feitas pelo coração realmente têm razão. Por mais que você lute contra aquilo, se vem do coração não vai conseguir nunca desistir, nem dizer não. Vai seguir adiante”.

“Entre um casal, tem que existir diferenças. Se não for assim, a gente nunca vai ser um casal. A diferença existe para uma aprender com a outra. A base é a confiança e o respeito. Tendo isso, a gente vence tudo”, conclui Daniela.

Legenda: "A base do relacionamento é a confiança e o respeito. Tendo isso, a gente vence tudo”, diz Daniela Barbosa
Foto: Arquivo pessoal

Distâncias diferentes, amor igual

De fato, a trajetória de Francisco Martins da Rocha Filho e Ana Cristina Borges Nogueira também comprova que, quando a relação envolve vontade e bons sentimentos, nada consegue diminuir o amor. Pelo contrário, estica os horizontes da emoção – ainda mais quando a distância geográfica sempre parece imperar.

Faz 39 anos que o casal de professores se conhece. À época, ele tinha 24 anos, ao passo que ela possuía 13. Estavam na praia da Barra do Ceará, em Fortaleza, após se deslocarem dos bairros Carlito Pamplona e Montese, respectivamente. O namoro começou pouco tempo depois desse primeiro encontro, num movimento de cruzar a cidade para se ver.

Legenda: Martins Filho costuma ser tímido e calado; Ana Cristina Borges, por sua vez, exala comunicação e movimento
Foto: Arquivo pessoal

“Acontece que depois fui embora para Manaus. Quando voltei, nos reencontramos e terminamos o relacionamento. Ele ficou só, eu conheci outras pessoas, casei, passei cinco anos assim, depois me divorciei. Após uma década, nos encontramos de novo. Ele ainda estava solteiro – segundo o que conta, esperando por mim”, ri Ana Cristina, 52.

Uma das provas de que o enlace realmente daria certo foram as cartas enviadas por ela quando estava na capital do Amazonas. As linhas suspiravam doçura e carinho. Em uma delas, é possível ler: “Nunca esqueça de quem jamais esqueceria de você”. Martins Filho guardou todas, e até hoje deixa-as na gaveta como sinal da pura ternura. 

“A gente se reencontrou no terminal da Parangaba. Eu ia entregar um currículo em algum órgão e ele vinha da faculdade. Então, foi para a minha casa, passou o dia, e eu também fui para a casa dele. Reatamos e casamos em 2014”, completa Ana Cristina.

“Quando se vive um relacionamento, às vezes você precisa renunciar. Precisa voltar atrás naquilo que considera como verdade absoluta para que a parceria seja duradoura”.

Legenda: Uma das provas de que o enlace entre Martins Filho e Ana Cristina realmente daria certo foram as cartas enviadas por ela quando estava na capital do Amazonas
Foto: Arquivo pessoal

Ela sendo de Gêmeos e ele de Touro, o contraste de comportamento é bastante evidente. Martins Filho costuma ser tímido e calado. A esposa, por sua vez, exala comunicação e movimento. “Por conta disso, em certas tomadas de decisão, preciso dar uma ‘injeção’ para que ele assuma as rédeas da situação. Há algumas divergências nesses momentos. Às vezes quero uma coisa e ele pede para eu ter paciência; mas eu quero logo e as coisas demoram, então complica. No mais, não. A gente consegue conviver muito bem”.

Não tem segredo: segundo ela, cada parceiro deve procurar os pontos positivos do outro, numa bela troca de conhecimentos e atitudes. Ana Cristina, não à toa, diz não se ver casada ou convivendo com alguém igual a ela. “Acho que, se fosse assim, não daria certo”, avalia.

Legenda: Família de Martins Filho e Ana Cristina Borges: casados desde 2014, eles se conhecem há 39 anos
Foto: Arquivo pessoal

"O primeiro passo para um bom relacionamento é você se conhecer. Depois, ver quem é o outro. A partir dessas questões, é possível saber se vale a pena investir ou não – independentemente de idade, temperamento ou pontos de vista. Porque os dois vão acabar cedendo em determinado momento – às vezes um, às vezes outro – entrando num consenso. Uma relação é via de mão dupla”.

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