Estilista Lino Villaventura ganha exposição que celebra sua trajetória no Museu da Fotografia
Mostra com fotografias e figurinos está em cartaz a partir desta quinta-feira (17), em Fortaleza
“Uma profissão que começou com o amor”. Assim o estilista Lino Villaventura, paraense radicado em Fortaleza, resume sua trajetória na moda. A primeira peça costurada pelo artista foi justamente um presente de Dia dos Namorados, feito em parceria com a irmã, para a então namorada e hoje sócia, Inez Villaventura. Desde então, passaram-se cinco décadas e dezenas de coleções, que o tornaram um dos nomes de destaque da moda brasileira.
Em homenagem às contribuições do artista ao Ceará e ao País, o Museu da Fotografia de Fortaleza (MFF) inaugura, nesta quinta-feira (17), a mostra Lino Villaventura. São fotografias de criações do estilista feitas por 12 renomados fotógrafos – como Bob Wolfenson, Cecília São Thiago, Cris Vidal e Gentil Barreira –, além de alguns figurinos, em uma expografia que também conta um pouco da história da moda brasileira.
A curadoria da mostra é de Denise Mattar, que contou com o apoio do diretor criativo da marca Lino Villaventura, Régis Vieira, para escolher figurinos que representassem o universo de silhuetas, cores e texturas características da assinatura do estilista. Os fotógrafos convidados a participar da mostra reúnem gerações de profissionais dedicados à moda, que acompanharam Lino ao longo dos anos, entre campanhas e editoriais.
Entre as peças escolhidas, está o primeiro colete costurado por Lino para Inez, em 1975. Feita de maneira despretensiosa, a peça foi responsável pela entrada de Lino na moda, já que, ao ver o presente, as pessoas ao seu redor começaram a encomendar peças semelhantes. É a primeira vez que o trabalho é exposto ao grande público.
Segundo Lino, a escolha das peças não foi cronológica, e sim pela importância. Alguns dos figurinos seguem inéditos em mostras, tendo sido exibidos apenas nos desfiles, a exemplo de peças da coleção exibida na edição deste ano do São Paulo Fashion Week, onde o mix de tecidos e peças rendadas, bordadas e com texturas nervuradas foram protagonistas.
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Em entrevista ao Verso, o artista destaca a alegria de estar, mais uma vez, com parte de sua obra exposta em um museu. “Meu trabalho tem essa pegada, esse apelo de expressão artística também – mas não deixa de ser roupa pra se vestir. Não é uma coisa que é pra ser só observada não”, ressalta Lino, que tem obras em acervos de museus e institutos, e participa de exposições desde os anos 80.
Para ele, a mostra é oportunidade de aproximar o público de suas criações e estimular novos talentos criativos, além de ser um bom roteiro cultural para quem se interessa por arte de modo geral.
“Como é um trabalho que tem identidade e originalidade, se torna bem importante até para incentivar pessoas que querem trabalhar – não só na moda, mas em qualquer setor e qualquer tipo de profissão – com originalidade, com identidade, de uma forma mais autoral”, aponta. “É bacana que as pessoas podem visualizar a foto e ver o que é a roupa em si, presencialmente”, completa.
Para o artista, as peças representam a atemporalidade de seu trabalho, e demonstram a força da moda como expressão artística. “Eu acho que todo trabalho feito com originalidade, com essa verdade, com essa personalidade e de maneira muito cuidadosa, com resultados bem surpreendentes, eles têm uma coisa atemporal. Eles perduram”, destaca.
Conexão Pará-Ceará
Apesar das raízes em Belém (PA), foi em Fortaleza que sua marca foi fundada em 1982 e sua carreira criou força, impulsionando o artista para as passarelas nacionais e internacionais. As peças reunidas, além de traçar a história do artista na moda, contam também os caminhos que Lino traçou, unindo as referências culturais de Norte e Nordeste à bagagem acumulada ao longo das décadas de viagens pelo mundo.
O estilista destaca que a união entre Pará e Ceará foi fundamental para sua trajetória artística. “É muito forte – tanto a minha parte da minha raiz da Amazônia, de Belém, que tem muito a ver [com as peças]. E também, quando eu vim morar em Fortaleza, vi que a cultura Nordestina é muito forte. Meio que casou com tudo aquilo que eu queria: uma história mais autêntica, mais forte, mais brasileira, mais da originalidade do nosso País”, destaca.
Serviço
Exposição – Lino Villaventura pelas lentes de Bob Wolfenson, Cecília São Thiago, César Duarte, Cris Vidal, Debby Gram, Fernanda Calfat, Gentil Barreira, Hick Duarte, Miro, Patricia Devoraes, Rogério Cavalcanti e Tripoli
Visitação: 17 de julho a 19 de outubro de 2025 (terça-feira a domingo, das 12h às 17h)
Onde: Museu da Fotografia Fortaleza (Rua Frederico Borges, 545 - Varjota)
Entrada gratuita
Mais informações: museudafotografia.com.br / @museudafotografiafortaleza