Estilista Lino Villaventura ganha exposição que celebra sua trajetória no Museu da Fotografia

Mostra com fotografias e figurinos está em cartaz a partir desta quinta-feira (17), em Fortaleza

Escrito por
Ana Beatriz Caldas beatriz.caldas@svm.com.br
Obras de 12 fotógrafos compõem mostra no MFF
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Foto: Bob Wolfenson

“Uma profissão que começou com o amor”. Assim o estilista Lino Villaventura, paraense radicado em Fortaleza, resume sua trajetória na moda. A primeira peça costurada pelo artista foi justamente um presente de Dia dos Namorados, feito em parceria com a irmã, para a então namorada e hoje sócia, Inez Villaventura. Desde então, passaram-se cinco décadas e dezenas de coleções, que o tornaram um dos nomes de destaque da moda brasileira. 

Em homenagem às contribuições do artista ao Ceará e ao País, o Museu da Fotografia de Fortaleza (MFF) inaugura, nesta quinta-feira (17), a mostra Lino Villaventura. São fotografias de criações do estilista feitas por 12 renomados fotógrafos – como Bob Wolfenson, Cecília São Thiago, Cris Vidal e Gentil Barreira –, além de alguns figurinos, em uma expografia que também conta um pouco da história da moda brasileira. 

Foto relembra vestido icônico usado pela atriz Taís Araújo no Festival de Cannes em 2024
Legenda: Foto relembra vestido icônico usado pela atriz Taís Araújo no Festival de Cannes em 2024
Foto: Cris Vidal

A curadoria da mostra é de Denise Mattar, que contou com o apoio do diretor criativo da marca Lino Villaventura, Régis Vieira, para escolher figurinos que representassem o universo de silhuetas, cores e texturas características da assinatura do estilista. Os fotógrafos convidados a participar da mostra reúnem gerações de profissionais dedicados à moda, que acompanharam Lino ao longo dos anos, entre campanhas e editoriais. 

Entre as peças escolhidas, está o primeiro colete costurado por Lino para Inez, em 1975. Feita de maneira despretensiosa, a peça foi responsável pela entrada de Lino na moda, já que, ao ver o presente, as pessoas ao seu redor começaram a encomendar peças semelhantes. É a primeira vez que o trabalho é exposto ao grande público. 

Segundo Lino, a escolha das peças não foi cronológica, e sim pela importância. Alguns dos figurinos seguem inéditos em mostras, tendo sido exibidos apenas nos desfiles, a exemplo de peças da coleção exibida na edição deste ano do São Paulo Fashion Week, onde o mix de tecidos e peças rendadas, bordadas e com texturas nervuradas foram protagonistas.

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Em entrevista ao Verso, o artista destaca a alegria de estar, mais uma vez, com parte de sua obra exposta em um museu. “Meu trabalho tem essa pegada, esse apelo de expressão artística também – mas não deixa de ser roupa pra se vestir. Não é uma coisa que é pra ser só observada não”, ressalta Lino, que tem obras em acervos de museus e institutos, e participa de exposições desde os anos 80.

Para ele, a mostra é oportunidade de aproximar o público de suas criações e estimular novos talentos criativos, além de ser um bom roteiro cultural para quem se interessa por arte de modo geral. 

Réplica do figurino criado por Lino para o show “Bloco na Rua”, de Ney Matogrosso, faz parte da mostra
Legenda: Réplica do figurino criado por Lino para o show “Bloco na Rua”, de Ney Matogrosso, faz parte da mostra
Foto: César Dutra

“Como é um trabalho que tem identidade e originalidade, se torna bem importante até para incentivar pessoas que querem trabalhar – não só na moda, mas em qualquer setor e qualquer tipo de profissão – com originalidade, com identidade, de uma forma mais autoral”, aponta. “É bacana que as pessoas podem visualizar a foto e ver o que é a roupa em si, presencialmente”, completa.

Fotografias resgatam looks icônicos criados por Lino
Legenda: Fotografias resgatam looks icônicos criados por Lino
Foto: Debby Gram

Para o artista, as peças representam a atemporalidade de seu trabalho, e demonstram a força da moda como expressão artística. “Eu acho que todo trabalho feito com originalidade, com essa verdade, com essa personalidade e de maneira muito cuidadosa, com resultados bem surpreendentes, eles têm uma coisa atemporal. Eles perduram”, destaca.

Conexão Pará-Ceará

Apesar das raízes em Belém (PA), foi em Fortaleza que sua marca foi fundada em 1982 e sua carreira criou força, impulsionando o artista para as passarelas nacionais e internacionais. As peças reunidas, além de traçar a história do artista na moda, contam também os caminhos que Lino traçou, unindo as referências culturais de Norte e Nordeste à bagagem acumulada ao longo das décadas de viagens pelo mundo.

O estilista destaca que a união entre Pará e Ceará foi fundamental para sua trajetória artística. “É muito forte – tanto a minha parte da minha raiz da Amazônia, de Belém, que tem muito a ver [com as peças]. E também, quando eu vim morar em Fortaleza, vi que a cultura Nordestina é muito forte. Meio que casou com tudo aquilo que eu queria: uma história mais autêntica, mais forte, mais brasileira, mais da originalidade do nosso País”, destaca.

Serviço
Exposição – Lino Villaventura
pelas lentes de Bob Wolfenson, Cecília São Thiago, César Duarte, Cris Vidal, Debby Gram, Fernanda Calfat, Gentil Barreira, Hick Duarte, Miro, Patricia Devoraes, Rogério Cavalcanti e Tripoli                                                                           
Visitação: 17 de julho a 19 de outubro de 2025 (terça-feira a domingo, das 12h às 17h)
Onde: Museu da Fotografia Fortaleza (Rua Frederico Borges, 545 - Varjota)
Entrada gratuita
Mais informações: museudafotografia.com.br / @museudafotografiafortaleza

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