Diagnóstico de câncer como o de Fátima Bernardes pode estar relacionado ao HPV; saiba mais

Segundo especialista, grande parte da população tem ou vai contrair o vírus. Consultas frequentes ao ginecologista são a forma mais eficiente de prevenção e tratamento

Fátima Bernardes
Legenda: Fátima Bernardes revelou estar com câncer no útero

A jornalista e apresentadora Fátima Bernardes, 58, anunciou nesta quarta-feira (2), em suas redes sociais ter sido diagnosticada com câncer de útero em estágio inicial. A publicação da apresentadora do "Encontro" acende alerta para a prevenção e para o acompanhamento de rotina com ginecologista.

[ATUALIZAÇÃO: Após o fechamento desta matéria, Fátima Bernardes detalhou que o seu caso se tratava de um câncer no corpo uterino, mais especificamente de endométrio. Os fatores de risco para desenvolver câncer de endométrio não envolvem a presença do HPV. Segundo o INCA, o risco de desenvolver câncer de endométrio aumenta em mulheres com mais de 50 anos]

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa aponta que o câncer do colo do útero foi o quarto mais frequente em todo o mundo, com uma estimativa de 570 mil casos novos. No Brasil, em 2020, são esperados 16.710 casos novos, com um risco estimado de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres.

O câncer de colo de útero,  tem como principal causa a infecção persistente provocada pelo papilomavírus humano (HPV), um vírus sexualmente transmissível extremamente permanente. Segundo a ginecologista Camila Marques Azevedo, grande parte da população tem ou vai contrair o vírus.

As lesões precursoras de câncer em estágio inicial, a exemplo da Fátima Bernardes, são classificadas em baixo e alto grau, não apresentam sintomas, e normalmente são diagnosticadas em exames ginecológicos de rotina. Caso as visitas ao especialista não sejam frequentes, as chances de evolução para grave são aumentadas.

Na condição mais grave, a paciente pode identificar os sinais de câncer por meio de sangramento anormal, secreção com odor mau cheiroso e dor pélvica, a depender do tamanho da lesão ou o grau de comprometimento da pelve.

Prevenção

O ideal é manter a consulta ginecológica em dia. Para a mulher que apresenta exames normais e é saudável, uma visita anual ao consultório já é suficiente. Consultas a cada seis meses apenas por algum motivo específico e orientação médica. Os exames fundamentais na consulta são o Papanicolau, colposcopia e, se tiver acesso, ao teste PCR. O uso de preservativo durante as relações sexuais é fundamental para diminuir o risco de transmissão e infecção pelo papilomavírus humano.

camila marques
Legenda: Médica ginecologista Camila Marques alerta para o HPV como uma das principais causas de câncer no colo do útero

Contudo, a contaminação do HPV pode acontecer mesmo com o uso da camisinha ou contato íntimo sem penetração. "Digamos que o parceiro esteja com uma verruga na base do pênis, a relação sexual ocorreu com o uso do preservativo, ou o casal teve apenas um momento íntimo, o ato de encostar virilha com virilha é um risco de contaminação", alerta a ginecologista.

Uma questão relevante abordada pela especialista é que não existe julgamento relacionado a contaminação. A pessoa pode contrair o HPV na primeira relação sexual, ainda na adolescência, e o vírus se manifestar somente na vida adulta. Ou seja, o surgimento da doença em qualquer fase da vida, não significa que ela tenha sido transmitida pelo parceiro atual.

Ainda de acordo com o INCA, outros fatores que aumentam o risco de desenvolver esse tipo de câncer são o início precoce da atividade sexual e múltiplos parceiros; tabagismo (a doença está diretamente relacionada à quantidade de cigarros fumados); e uso prolongado de pílulas anticoncepcionais. 

Tratamentos

As lesões provocadas pelo HPV, precursoras do câncer de colo do útero em fase primária, são divididas em baixo e alto grau. Nos casos de baixo grau, a depender do grau de imunidade e da idade da paciente, ela pode ser acompanhada semestralmente com realização de exames de prevenção e colposcopia. Dependendo do caso, também pode ser realizado uma cauterização química por meio de medição específica ou elétrica.

Nas lesões de alto grau, a indicação é a chamada conização, que é a retirada cirúrgica da lesão com recomendação para a biópsia. Segundo Camila Marques, a cirurgia é considerada simples. Porém, ressalta que nenhuma cirurgia ou medicação tira o fator de risco da pessoa - que é o HPV. 

"O procedimento elimina a lesão, mas o vírus HPV causa raiz e o fator de risco para o desenvolvimento do câncer pode permanecer ou não", pontua a ginecologista.

Recuperação

Os tratamentos com cauterização são realizadas em consultório. Logo após o procedimento, a paciente está apta a retomar suas atividades rotineiras normais. O retorno médico de trinta a quarenta dias e, dependendo da cicatrização, a vida sexual será liberada.

Já as lesões de alto grau, as quais exigem a conização, a cirurgia é simples, mas necessita de repouso de 30 a 45 dias. Após o retorno ao consultório em um mês, se estiver tudo bem, o médico libera para atividades normais, incluindo vida sexual.

Nos 15 primeiros dias, é indicado repouso absoluto. Após a primeira quinzena, evitar esforço físico, subir e descer escada, isso evita sangramento.

Vacina

De acordo com o Inca, existem duas vacinas profiláticas contra HPV aprovadas e registradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que estão comercialmente disponíveis. 

O Ministério da Saúde, em 2014, iniciou a implementação no Sistema Único de Saúde da vacinação gratuita contra o HPV em meninas de 9 a 13 anos de idade, com a vacina quadrivalente. 

"Quanto mais cedo você inicia a vida sexual, maior a probabilidade de ter algum problema mais jovem. O SUS, quando implementou a vacina, priorizou adolescentes, exatamente porque quando eles estiverem com um pouquinho mais de idade todo mundo já tem entrado em contato com esse vírus", explica Camila Marques.

As vacinas são preventivas, tendo como objetivo evitar a infecção pelos tipos de HPV nelas contidos. Para mais informações, é possível acessar o site oficial do Inca.

 

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