Setor da construção deve rever estratégia de lançamentos para 2020

Impactado pela crise causada pela pandemia do novo coronavírus, indústrias da construção e imobiliária avaliam as novas tendências do mercado local, principalmente a maior adesão ao home office pelos cearenses

Legenda: Enquanto alguns empresários acreditam no fortalecimento do setor residencial, outros apostam no comercial no pós-pandemia
Foto: Foto: Carlos Marlon

Com uma redução de R$ 1,2 bilhão estimada para o valor geral de vendas (VGV) dos lançamentos para 2020, o setor de construção e imobiliário deve rever a estratégia para os empreendimentos neste ano. Uma das grandes mudanças provocadas pela pandemia do novo coronavírus no mercado de trabalho e que deve perdurar no pós-pandemia, o modelo home office, no qual os funcionários de uma empresa trabalham de casa, pode afetar as prioridades das construtoras em relação aos empreendimentos comerciais.

Durante live da Lopes Immobilis, Fernando Cirino Gurgel, presidente do Grupo FCGPar, pontuou que "é preciso estar atento à nova realidade". "Nós estamos iniciando uma obra com um empreendimento de R$ 200 milhões em investimento. Não podemos deixar esse projeto do jeito que foi concebido originalmente. Essa nova realidade tem que ser apurada para que não se torne um 'elefante branco'", detalhou Gurgel.

Ele disse que uma torre empresarial não pode mais ser "feijão com arroz". "Como serão as habitações verticais? Prefiro jogar (o projeto) na lata do lixo e fazer um novo de acordo com o que o cliente está vivendo. O momento é outro", frisou o presidente da FCGPar.

Segurança em projetos

Em contrapartida, o presidente do Grupo BSPar, Beto Studart, lembrou que o ambiente de trabalho deverá ser seguro e, com as recomendações de distanciamento social que devem respingar nos hábitos da população no pós-pandemia, as áreas comerciais locadas devem ser maiores.

"Não vejo essa tendência de o investidor deixar de comprar salas para comprar imóveis residenciais. Quando eu peso em um imóvel residencial, penso não no investidor, mas na pessoa que está comprando para moradia", destacou Beto Studart.

Também participando do encontro virtual, o presidente do Sinduscon-CE, Patriolino Dias de Sousa, disse acreditar que, de fato, a pandemia terá sérias mudanças sobre o mercado de trabalho, mas frisou que só será possível "dizer o que é o novo normal quando for possível sair de casa e atestar". "Nós estamos há dois, três meses em uma pandemia e a sociedade não muda da noite para o dia. Eu quero que isso acabe para conversar olho no olho, e eu vejo que também há procura pela sala comercial. Algumas pessoas não aguentam ficar no home office. Às vezes, quando a gente está junto, pensa melhor".

MCMV

Ricardo Bezerra, da Lopes Immobilis, destacou que o segmento habitacional mais popular, abarcado pelo Minha Casa, Minha Vida, não foi tão duramente afetado. "Por incrível que pareça, houve aumento na procura, porque o pessoal está mais tempo em casa para procurar", disse.

Patriolino Dias lembrou que, de fato, "o MCMV veio para ficar e que há um enorme déficit habitacional". Ele também lembrou que condições como as taxas de juros em patamar mais baixo facilitam o acesso. "Consegue inserir muita gente que, antes, não conseguiria assumir uma prestação", afirmou.

VGV

De acordo com o presidente do Sinduscon-CE, Patriolino Dias, o Valor Geral de Vendas (VGV) de lançamentos - produto entre a quantidade de unidades (por exemplo, apartamentos) e o valor dessas unidades - no Ceará deve encerrar 2020 em R$ 800 milhões. No início do ano, ele lembra que a estimativa era de um VGV de R$ 2 bilhões.

"No início do ano, falávamos em R$ 2 bilhões, mas a pandemia do coronavírus deu um prazo a mais para os lançamentos que estavam previstos. Tem colegas que tinham dois ou três lançamentos para serem feitos e vão lançar somente um", pontuou. "Acredito que o VGV em 2020 ficará em torno de R$ 700 a R$ 800 milhões lançados este ano".