Os minerais do Ceara, de Virgílio Távora até hoje

Criada pelo governo Távora, a Secretaria de Minas e Energia desapareceu após haver descoberto a riqueza do subsolo cearense

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 06:09)
Legenda: Rochas ornamentais extraídas do chão cearense (foto) embelezam grandes monumentos públicos e privados, inclusive no Oriente Médio
Foto: Divulgação
Esta página é patrocinada por:

Um homem além do seu tempo, Virgílio Távora – que foi um inovador governador do Ceará, cuja gestão subordinou-se, pela primeira vez na história, a um planejamento estratégico, o Plano de Metas Governamentais (Plameg), e, também, um ousado e criativo senador – conseguiu enxergar, antes dos outros, a superfície e as entranhas do subsolo cearense, nas quais identificou um rico e virgem potencial mineral.  

Mas como aproveitar esse potencial? – indagou ele à sua própria e privilegiada inteligência, que lhe deu rápida resposta: pela criação e operação de uma Secretaria de Minas e Energia, algo que outra cabeça brilhante e sagaz, a do presidente Juscelino Kubitscheck, fez nascer dois anos antes, em julho de 1960, quando instituiu o Ministério de Minas e Energia, que existe até agora com o objetivo de, igualmente, explorar o tesouro do chão brasileiro

(Távora foi eleito em outubro de 1962 e tomou posse em março de 1963; naquela época, dizia-se: havendo Távora, não vote em outro).  

Foi por causa da iniciativa de VT (era pelas iniciais do seu nome que a imprensa e o povo cearenses o chamavam, respeitosamente) que hoje o Ceará tem destaque como estado produtor dos mais belos e mais caros mármores e granitos do mundo, produtos que podem ser vistos em monumentais obras públicas e privadas na Europa, no Oriente Médio e na Ásia (o aeroporto de Dubai tem piso e paredes revestidos com o Taj Mahal, o disputadíssimo quartzito extraído da superfície de municípios da região norte do Ceará, mas, infelizmente, beneficiados ou pela indústria do estado do Espírito Santo ou pela dos países importadores, tudo por nossa culpa, ou, melhor dizendo, pela nossa incompetência, diga-se de passagem). 

Há, também, descobertas pelos técnicos da inacreditavelmente extinta Secretaria de Minas e Energia, outros minérios que seguem sendo explorados e vendidos para o exterior como commodities, e entre estes inclui-se o minério de ferro. Temos, também, algumas boas jazidas de calcáreo, matéria prima para a produção de cimento portland, e uma delas, talvez a maior, é explorada pela Companhia de Cimento Apodi, que a utiliza para fabricar seu cimento de mesmo nome na geografia do município de Quixeré, no Leste do estado 

Mas há, ainda, ocorrências de minerais em várias regiões do Ceará. Por exemplo: terras raras (acreditem) em municípios do Noroeste, e urânio e fosfato na região Norte; ouro, paládio e platina observados no subsolo de Tauá e Pedra Branca, no Oeste; cobalto, ou “ouro azul”, em Ocara, 100 quilômetros ao Sul de Fortaleza. 

Para formular os planos estratégicos e atrair investimentos privados para a cadeia produtiva mineral, o governo cearense, sem a Secretaria de Minas e Energia, conta com as secretarias de Infraestrutura e do Desenvolvimento Econômico.

Se, por exemplo, o investidor quiser explorar ouro no Ceará, ele terá de procurar não uma, mas duas estruturas burocráticas. Tchan-tchan-tchan-tchan... 

VEM AÍ O CRESCE CEARÁ 2026, QUE SERÁ DEDICADO AO AGRO 

No próximo dia 21, no auditório do Gran Hotel Marero, na Praia do Futuro, o Diário do Nordeste promoverá mais uma edição do Cresce, Ceará, evento anual que debate sobre as diferentes áreas da economia cearense. Neste ano, a agropecuária será o centro desse debate.  

Haverá dois painéis. O primeiro será “AGRO: OS DESAFIOS DA LOGÍSTICA”; o segundo será “AGRO: A ENERGIA É O DESAFIO”.  

No primeiro, os debatedores serão os empresários Edson Brock, maior produtor e exportador de banana nanica para a Europa; e João Teixeira, produtor de banana e idealizador do Arco Metropolitano, projeto da autoestrada de dupla pista, ligando a BR-116, em Pacajus, ao Porto do Pecém; e o executivo Alex Trevisan, presidente da Transnordestina Logística, empresa que constrói a Ferrovia de mesmo nome. 

No segundo painel, serão debatedores o presidente da Enel Ceará Distribuição, José Nunes, e os empresários Raimundo Delfino, sócio e CEO do Grupo Santana Textiles, que tem projeto de sojicultura e cotonicultura na Chapada do Apodi; e Rita Grangeiro, sócia e diretora da Fazenda Grangeiro que produz coco e feijão verdes em Paracuru. 

Em cada painel, haverá a participação de um diretor do BNB, o maior organismo de fomento da região nordestina, que apresentará as linhas de crédito que o banco tem para os diversos setores da economia cearense. 

São convidados para o Cresce, Nordeste 2026 empresários, técnicos, pesquisadores e professores e alunos dos cursos de agronomia e economia das universidades cearenses, incluindo UFC, Unifor e Uece. O acesso ao evento é gratuito.   

NOVIDADE NA ÁREA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 

Uma boa novidade! A VSM, empresa cearense da área de comunicação, passa a responder pela assessoria de comunicação e relacionamento com a imprensa do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado do Ceará (Sindesp-CE), dentro do início da nova gestão da entidade, eleita para o período 2026/2030. 

O setor de segurança privada no Ceará reúne hoje 28 empresas, com cerca de 19.500 vigilantes em atividade e mais de 230 operações de segurança terceirizada e orgânica, atuando no suporte à segurança de empresas, hospitais, escolas, instituições financeiras, órgãos públicos e grandes empreendimentos.  

A parceria reforça o trabalho de fortalecimento institucional, transparência e ampliação do diálogo sobre a importância estratégica do segmento para a economia e o funcionamento de serviços essenciais no estado.  

Veja também