Ceará exportou R$ 800 milhões em mármore e granito

Mas, por absoluta incompetência, extraímos e vendemos só rocha pura, sem qualquer valor agregado.

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 06:08)
Legenda: Sem beneficiamento, o Ceará segue exportando mármores, granitos e quartzitos em estado pura, sem agregar valor
Foto: Natinho Rodrigues / SVM
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Presidente do Sindicato da Indústria de Mármores e Granitos do Estado do Ceará (Simagran-CE), o economista e empresário Carlos Rubens Alencar foi rápido no gatilho ao manifestar-se, antes mesmo das primeiras luzes da aurora de ontem, sobre o conteúdo da edição de terça-feira desta coluna, que abordou a inexistência de um organismo do governo estadual destinado a atrair e a coordenar investimentos para o setor da mineração cearense.  

Alencar também lamenta que tenha sido extinta a Companhia Cearense de Mineração (Ceminas), cujos geólogos, nos primeiros anos da década de 60 do século passado, no governo de VT, descobriram na superfície e no subsolo a riqueza mineral de que o Ceará dispõe hoje e cujos números e valores impressionam. 

“No ano passado de 2025, o setor mineral cearense exportou o equivalente a US$ 160 milhões (R$ 800 milhões), dos quais US$ 100 milhões (R$ 500 milhões) em mármores, granitos e quartzitos”, diz o presidente do Simagran, acrescentando outra informação relevante:  

“Neste ano de 2026, sem nenhum apoio governamental, vamos superar esses números”. 

Carlos Rubens Alencar lamenta que, hoje, “60 anos depois da saudosa gestão de Virgílio Távora, o governo do Ceará “não disponha sequer de um profissional de geologia e mineração na sua assessoria”.  

Há outra lamentação e outra queixa que chegam à coluna procedentes de empresários do setor de energia elétrica, principalmente dos que investem em energias renováveis.  

“Havia uma Secretaria de Energia, que foi extinta, tendo suas tarefas e responsabilidades transferidas para a atual Secretaria de Infraestrutura, que não resolve tudo, pois há detalhes que precisam de ser encaminhados e tratados com a Secretaria do Desenvolvimento Econômico”, dizem eles, pedindo e obtendo o natural anonimato (o tempo é de eleição e reeleição, e todo o cuidado é e será pouco ao longo dos próximos 5 meses). 

As mesmas fontes convergem para um ponto: o estado cearense, como o da União, é grande, em alguns setores inoperante, custa caro e necessita de uma urgente reformulação. Significa, em português de arquibancada, reduzir para menos da metade esse tamanho e seu alto custo. Isto não se faz nem se fará em véspera de eleição, posto que se trata de medida antipática, de nenhum apoio popular. 

No próximo ano, todavia, o eleito (ou reeleito) terá de, obrigatoriamente, usar a racionalidade para enxugar essa paquidérmica máquina pública. Isto significará: 1) extinguir secretarias e organismos desnecessários e inúteis; 2) fundi-los; 3) cortar a árvore do mal e plantar a do bem, ou seja, mandar para a lixeira centenas de cargos comissionados e funções gratificadas que servem para nada; 4) renegociar todos os contratos, chamando para uma conversa franca os fornecedores (que são sempre os mesmos, pelo menos nos últimos 20 anos) que devem ser convencidos a celebrar um pacto pelo equilíbrio das contas públicas estaduais; 5) reunir-se com os eleitos e reeleitos deputados estaduais e acertar com eles a aprovação desse pacote de medidas, algo que, também pela tradição, será quase impossível de ser obtido sem as históricas condicionantes dos dois lados. É do jogo, mas não deveria ser. 

Se for feito o que acima está sugerido, o governador eleito ou reeleito colherá em 90 dias os frutos da mudança. Isto já aconteceu aqui em 1987, no plano estadual, e em 1989, no plano municipal fortalezense. E, também, em vários estados e outras capitais.  

Mas há um problema, que faz parte da crônica da política brasileira: passada a fase de ruptura, as coisas tendem a retomar – e retomam – o rito tradicional para que, por extrema necessidade, tudo volte a ser como era, como ensina Giuseppe Tomasi di Lampedusa. 

FIEC REPUDIA O FIM DA TAXA DAS BLUSINHAS  

Em “Nota de Repúdio”, distribuída ontem, 13, ao público, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) considera equivocada a decisão adotada pelo Governo Federal, que extinguiu a cobrança tributária sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por meio de plataformas estrangeiras de comércio eletrônico, a chamada taxa das blusinhas.  

De acordo com a Fiec, a medida amplia a desigualdade concorrencial entre empresas brasileiras e fornecedores internacionais, criando condições desfavoráveis para a indústria e o varejo nacionais.  

A nota acrescenta:  

“A indústria brasileira já enfrenta elevados custos de produção, complexidade tributária e desafios logísticos significativos. A retirada da tributação sobre compras internacionais enfraquece ainda mais a competitividade do setor produtivo nacional, além de colocar em risco empregos formais e investimentos estratégicos para o desenvolvimento econômico do país.  

“A Fiec ressalta que a instituição da chamada ‘taxa das blusinhas’ representou um importante avanço na busca por maior equilíbrio concorrencial entre produtos nacionais e importados. Sua revogação representa, portanto, um retrocesso para a indústria, o comércio e toda a cadeia produtiva brasileira.  

“A Fiec reafirma seu compromisso com a defesa da indústria nacional, da geração de empregos e de um ambiente econômico pautado pela isonomia competitiva e tributária.” 

Bem, esta coluna pode repetir o que todos estão a dizer: a extinção da taxa das blusinhas foi adotada contra a posição dos técnicos do Ministério da Fazenda e da Receita Federal. Com essa medida, o governo está renunciando a uma receita anual de R$ 5 bilhões por pura motivação e interesse eleitoreiros, pois o objetivo é aumentar a popularidade do presidente Lula, candidato à reeleição.

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