Banco Master: para blindar-se, Vorcaro comprou quem quis. Deu-se mal
O maior escândalo financeiro da história do país tumultua a eleição presidencial e põe na fogueira novos personagens
No princípio, era o Banco Master, e o Master se fez monstro e virou o maior escândalo financeiro da história do Brasil, como antecipara o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad. E agora, José? – perguntam-se os brasileiros atônitos, boquiabertos, frustrados, decepcionados e tristes com as novas revelações extraídas das investigações da Polícia Federal, que segue prendendo novos indiciados e ampliando suas investigações em torno do disse e fez Daniel Vorcaro, o fundador do Banco Master. Até, parece que o Brasil e sua política nasceram com a semente da corrupção, que, segundo o que já apurou a PF, está enraizada nos poderes Executivo, Legislativo e, por incrível que possa parecer, no Judiciário.
Não é possível, ainda, dizer que subiu no telhado a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República. Havia uma semana, o presidente Lula e seu desejo de ser reeleito pareciam cambaleante e, agora, renasceram: na última pesquisa Quest, divulgada ontem, Lula apareceu numericamente à frente do seu principal adversário.
Bolsonaro foi duramente atingido pelo drone que ele mesmo disparou: um trecho de sua conversa com Daniel Vorcaro, a quem pede R$ 134 milhões para o financiamento de um filme sobre a vida de seu pai, jogou por terra aquela imagem de alguém acima de qualquer suspeita.
Flávio Bolsonaro está agora inserido na lista de Vorcaro, da qual fazem parte, segundo a Polícia Federal, o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, que levou Vorcaro duas vezes ao Palácio do Planalto para reuniões com o presidente Lula fora da agenda; o ex-ministro da Justiça e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Levandowsky, que recebia mesada do Banco Master por conta de trabalhos de consultoria; o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, também com pró-labore mensal de R$ 500 mil pago por Vorcaro; o senador David Alcolumbre, presidente do Senado Federal, que indicou o presidente do Instituto de Previdência do Amapá, que aplicou R$ 400 milhões da instituição em títulos podres do Master; o deputado Hugo Mota, presidente da Câmara dos Deputados, e o Procurador Geral da República, Paulo Gonet, que estiveram em Londres com Vorcaro e outros convidados numa degustação do uísque Macallan, um evento que custou ao dono do Master US$ 640 mil; e três ministros do STF – Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Nunes Marques, os quais são citados pela PF como direta ou indiretamente envolvidos no mesmo escândalo.
Hoje, a Polícia Federal prendeu o pai de Daniel Vorcaro em mais uma etapa da Operação Compliance Zero, mas produto da perícia que os especialistas da PF seguem fazendo nos celulares de Daniel Vorcaro e de seu cunhado Fabiano Campos Zettel. Isto quer dizer que ainda virão mais revelações.
Pelo que agora já se apurou, tem-se a certeza de que Daniel Vorcaro comprou todos os que teriam de ser comprados.
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