Governo do Estado começa a discutir plano de retomada das atividades no Ceará amanhã (27)

Em transmissão pelas redes sociais, o governador Camilo Santana acenou ao setor produtivo a possibilidade de iniciar o plano de retomada no dia 5 de abril, a depender da situação epidemiológica

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Legenda: Ceará terá mais uma semana de isolamento social rígido
Foto: Nilton Alves

O Governo do Estado começará a planejar o novo plano de retomada das atividades econômicas cearense a partir deste sábado (27). A informação foi confirmada pelo secretário executivo de planejamento e gestão, Flávio Ataliba, que também é o coordenador do Comitê de Retomada. As discussões deverão ser feitas durante uma reunião com representantes do Governo.

"Nessa reunião de hoje não foi tratado especificamente de como será. Vamos começar a estudar o assunto já a partir de amanhã", disse Ataliba.

A perspectiva foi apresentada depois que o governador Camilo Santana projetou, durante anúncio da prorrogação do decreto de isolamento até dia 4, uma possível retomada de setores da atividade econômica a partir do próximo dia 5 de abril.

Contudo, o chefe do Executivo estadual comentou, também, que a liberação para empresas voltarem a operar presencialmente dependerá dos índices de saúde, considerando as taxas de contaminação, recuperação, e óbitos por covid-19 no Ceará.

Além disso, o Estado vem monitorando o nível de ocupação leitos hospitalares para o tratamento da doença.

Apesar de o Governo do Estado já ter apresentado e aplicado um  plano de retomada no passado, quando decretou o primeiro lockdown, algumas modificações poderão ser feitas para o retorno das atividades em 2021. Segundo Flávio Ataliba, muitos pontos do projeto apresentado em 2020 poderão ser aproveitados, mas algumas coisas poderão ser alteradas

Outro ponto reforçado pelo secretário executivo é de que não há garantias de que o plano de retomada comece de fato no dia 5 de abril. Tudo irá depender dos índices de saúde relativos à pandemia no Ceará. 

"Evidentemente que a experiência do ano passado será levada em conta na construção da nova proposta. Mas nada definido ainda. Ainda será discutido por toda a semana", comentou.

Sinalização positiva

Legenda: Diversos restaurantes na Capital encerraram as atividades por conta da pandemia
Foto: Helene Santos

Um dos diálogos do Estado será com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE). Apesar de não haver ainda uma data definitiva para reunião entre com o Governo, Taiene Righetto, presidente da entidade, afirmou que a sinalização para o início da retomada dá um novo ânimo aos empresários do setor.

Ele comentou que muitos donos de bares e restaurantes que estavam pensando encerrar de vez as atividades poderão "fazer um novo esforço" para continuar operando no futuro. Ele ponderou, entretanto, que a sinalização não deverá evitar possíveis novas falências. 

Na próxima reunião com o Comitê de Retomada, o presidente da Abrasel afirmou que deverá pleitear a inclusão dos bares e restaurantes nas primeiras fases de retomada, para tentar reduzir os impactos causados até aqui pela crise gerada pela pandemia. 

"No passado, sempre fomos muito penalizados e, agora, depois de termos aprendido a lidar com os protocolos, acho que podemos voltar com todo o resto dos setores, já que o estamos em uma situação mais dramática. Vamos conversar com o Estado para voltarmos no dia 5 de abril, mesmo que seja de forma gradativa. Precisávamos dessa esperança, e essa foi uma boa sinalização. Mas a certeza se vamos abrir ou não, nós vamos ter apenas na próxima sexta, se tivermos melhora nos dados da saúde", disse. 

Taiene também lamentou a falta de apoio do Governo Federal durante a segunda onda da pandemia no Brasil. Ele comentou que os empresários estavam aguardando a liberação de uma Medida Provisória (MP) que tratasse sobre a suspensão de contratos de trabalho e redução de jornada e salários, mas decisão ainda não foi confirmada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). 

"Lamentamos que ainda não tivemos apoio federal, pensando na suspensão de contratos, que é muito importante, já que a folha ainda pesa muito no nosso orçamento. Mas essa sinalização de volta do Estado é muito boa, já que muitas pessoas estão sofrendo pela falta de previsibilidade", disse Righetto. 

Liberação de academias 

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Legenda: Setor reforçou junto ao Governo do Estado o interesse em reabrir as academias de ginástica
Foto: Halisson Ferreira

Outro setor que espera poder voltar a operar nas primeiras etapas do plano de retomada é de academias. Segundo Juliana Sá, presidente do Sindicato das Empresas de Condicionamento Físico do Estado do Ceará (Sindfit-CE), o setor tem conversado com o Governo do Estado e recebeu sinalizações de que as academias poderiam reabrir logo após o fim do lockdown.

Contudo, as representantes do Sindfit ainda aguardam a confirmação da decisão, que deverá ser anunciada até a próxima sexta-feira (2), quando o Estado deverá anunciar novas medidas de combate à pandemia. 

Falta de medidas de apoio

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Legenda: Comércio cobra medidas de apoio para ajudar empresas a sobreviverem

A renovação do isolamento social rígido no Ceará por mais uma semana já era esperado pelo varejo local. O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), Freitas Cordeiro, avalia que a situação atual da pandemia exige medidas do Governo e cobra mais apoio para garantir a sobrevivência dos negócios.

"Eu não critico a medida, mas acho que poderiam ter outras ações com a proposta de salva a vida das pessoas e dos negócios. O Estado não pode ser irresponsável de não fazer nada nesse sentido. Sou contra o lockdown não por ter que fechar as empresas, mas por elas não terem o mínimo de assistência", afirma.

Ele revela que, principalmente no Interior, a situação está ficando mais insustentável, tendo em vista os prejuízos acumulados ao longo de um ano inteiro de pandemia, a ponto de surgirem movimentos de desobediência ao decreto.

"Eu nunca preguei desobediência civil. Acredito que o Estado de Direito precisa ser preservado, por isso procuro levar as pessoas à reflexão. Mas tem muita gente já cobrando da entidade um posicionamento que a gente nunca fez. Nunca fizemos parte de não vai ser agora que vamos fazer", dispara Freitas.

O presidente da FCDL-CE também defende a construção de uma política de enfrentamento à pandemia mais contínua e à longo prazo, de forma a evitar novos picos de contaminação e maiores impactos econômicos com fechamentos totais das atividades.

"Entendo que as ações não podem ser mais emergenciais. Precisamos de uma estrutura de enfrentamento a longo prazo. Estamos quebrando a curva agora e baixando os patamares com o lockdown, mas daqui a pouco sobe de novo. Essas medidas são tratamento de choque", aponta.

Hotéis no limite

Legenda: Maioria dos hoteis em Fortaleza já estão fechados por falta de hóspedes, aponta ABIH-CE
Foto: Nilton Alves

Sendo o turismo um dos setores que mais demoram a se recuperar, a rede hoteleira do Estado vai chegando ao limite com a prorrogação do isolamento social rígido. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Ceará (ABIH-CE), Régis Medeiros, aponta que a maioria dos estabelecimentos da Capital estão fechados ou com a ocupação zerada, inclusive para o feriado da Semana Santa.

"É uma situação bem difícil. Os hotéis já não têm mais caixa, até por já virmos de um ano muito difícil. Passamos quatro meses fechados, depois reabrimos com ocupação muito aquém da normal e não tivemos como recuperar o fôlego. Vai ser mais uma semana de sofrimento para o turismo", afirma.

Ele torce para que as medidas restritivas tenham de fato o efeito esperado para que o processo de reabertura inicie no dia 5 de abril como projetado. "Ainda vão haver restrições, mas que pelo menos as pessoas possam se movimentar, ir a um restaurante, barraca de praia".

Medeiros salienta a necessidade de apoio governamental ao setor, tanto da esfera federal, com a volta da medida provisória que permite a suspensão dos contratos de trabalho e redução de jornada e salários, e das linhas de crédito emergencial, quanto do Estado e Município.

"Temos solicitado junto a Prefeitura de Fortaleza apoio no que tange principalmente ao IPTU, que é um imposto muito pesado para a hotelaria. Tem hotel que paga R$ 1,5 milhão de IPTU. É fundamental a prorrogação de prazos por cerca cinco meses, porque nossos clientes ainda demoram a retornar após a liberação das atividades", cobra.

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