Eólicas devem gerar 195 mil vagas no País

Capacitação especializada torna-se ponto chave para impulsionar setor de energias renováveis

Legenda: Em energia eólica no Ceará, já estão contratados projetos com potência da ordem de 1,3 mil megawatts (MW), que representam R$ 6,2 bilhões em investimentos

O mercado de energias renováveis, sobretudo de solar e eólica, deve seguir na contramão da recessão econômica pela qual o País vem passando, contemplado um contingente de mão de obra crescente. Para se ter uma ideia desse potencial, estimativa da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) prevê a geração de 195 mil empregos apenas em energia gerada pela força dos ventos no Brasil, considerando-se o período iniciado em 2010 até 2020.

A informação foi destacada ontem no Fórum de Oportunidades de Negócios em Energias Renováveis - Oportunidades de Carreira. O evento aconteceu na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e apresentou as demandas e ofertas atuais e futuras do setor, com a participação de empresas, instituições de capacitação, estudantes de nível técnico e superior, além de profissionais em atuação no segmento, totalizando cerca de 200 pessoas.

Segundo dados apresentados ontem no fórum, em energia eólica, houve a geração de 35.800 postos de trabalho até 2014 no País, com um crescimento de 12,8% em relação ao ano anterior. Esse tipo de geração cria 11,7 empregos/ano por megawatt (MW) instalado, sendo que a maioria dos empregos gerados ocorrem na fase de construção dos projetos.

Com relação a energia solar, gerada a partir de painéis fotovoltaicos, considera-se a criação média de 30 empregos por MW instalado. Na avaliação do vice-presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis, Adão Linhares, isso deverá propiciar grandes oportunidades nos próximos anos, pois atualmente o Brasil possui apenas 20 MW instalados e nos planos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), constam a instalação de 3.500 MW até 2023.

Adão ainda destaca que cerca de 25% dos postos de energia fotovoltaica são aproveitados na fabricação e cerca de 52% dos empregos gerados referem-se ao serviços relacionados ao segmento, que incluem a instalação de equipamentos.

"No Nordeste brasileiro, temos grandes perspectivas também para essa fonte de energia, visto que os locais com maior incidência de irradiação solar correspondem aos locais com menores capacidades de geração de empregos, o que contribuirá para a geração de emprego e renda", defende.

Profissionalização

Um dos grandes desafio para as energias renováveis nos próximos anos será a formação de volume de mão de obra e de qualificação em níveis que acompanhem o ritmo de desenvolvimento do setor. No caso do Ceará, especificamente, os centros de formação técnica e de nível superior ainda não qualificam no grau de especialização desejado pelas empresas do ramo, avalia o presidente da presidente da Câmara Setorial das Energias Renováveis e coordenador do Núcleo de Energia da Fiec, Jurandir Picanço. "Algumas lacunas ainda precisam ser cobertas em determinadas especialidades. Já existe uma oferta de cursos, mas o serviço é muito especializado", afirma ele, que foi o moderador do Fórum de Oportunidades de Negócios em Energias Renováveis, realizado ontem.

"Muitas vezes, as empresas que vêm instalar parques eólicos são obrigadas a trazer profissionais de fora. Com os avanços tecnológicos, a cada dia se aumenta a altura das torres e a dimensão das pás, e não é qualquer profissional que vai fazer um serviço nessa situação. Para uma pá daquelas com tamanho da ordem de 65 metros que precisam de reparto só o fato de se estar naquela altura já exige um treinamento específico para isso", acrescenta.

Estado

Picanço destaca ainda que na área de micro e minigeração de enegia solar, o Ceará é vice-líder no País em empreendimentos atuantes, estando atrás apenas de Minas Gerias. "Hoje, no Ceará se tem da ordem de 120 projetos. Oficialmente, até o final de junho, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) tinha cadastrado 74 projetos em operação aqui no Ceará. É uma quantidade muito pequena, mas este é o segundo estado em micro e minigeração".

Com relação à energia eólica, Picanço desta ainda que para o Estado já existem contratados (em construção ou em planejamento para serem implementados) projetos com potência da ordem de 1,3 mil megawatts (MW), que representam R$ 6,2 bilhões em investimentos.

Além disso, dos 338 novos projetos de energia eólica habilitados para o leilão A-3, que será realizado hoje pelo Governo Federal, 58 são direcionados ao Estado do Ceará.

Murilo Viana
Repórter

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