Casa dos Ventos deve formalizar até 2027 aporte de US$ 5 bi em Hidrogênio Verde no Ceará

Companhia deve construir cinco usinas no Nordeste para abastecer planta de hidrogênio no Pecém.

Escrito por
Mariana Lemos mariana.lemos@svm.com.br
Legenda: Complexo do Pecém deve ser base de hub de hidrogênio verde, com investimentos bilionários de diferentes companhias.
Foto: Divulgação/ZPE Pecém.

A Casa dos Ventos pretende formalizar até o início de 2027 o investimento bilionário em usina de Hidrogênio Verde (H2V) que será construída no Complexo do Pecém, no Ceará. 

O projeto será construído em duas fases e deve receber aporte de até US$ 5 bilhões — cerca de R$ 25 bilhões. A informação foi confirmada por Mark McHugg, diretor sênior de projetos da Casa dos Ventos, nessa terça-feira (28), durante o evento Intersolar Nordeste. 

"A primeira fase do projeto terá em torno de US$ 1 bilhão para a planta de hidrogênio, acompanhando isso US$ 1,3 bilhão de investimento em energia solar associada ao projeto. E a segunda fase terá tamanho similar, então um investimento total de aproximadamente US$ 5 bilhões", explicou Mark.

A planta no Pecém deve ser abastecida por cerca de cinco usinas mistas (que combinam energia solar e eólica) construídas pela Casa dos Ventos no Nordeste. 

"Estamos em processo de selecionar os projetos, onde vão ficar. Serão projetos 100% novos. O Ceará tem projetos dentro do portfólio, mas não temos a lista de cidades definida. A ideia é que a construção comece junto com a decisão final de investimento", aponta o diretor. 

INSTABILIDADE DO SETOR

Nenhum dos projetos de hidrogênio sustentável previstos para o Ceará recebeu a decisão final de investimento, marco que sinaliza a efetiva implementação das usinas. A previsão era que os primeiros contratos fossem firmados em 2025, mas a decisão foi sendo adiada por grandes players. 

Entre os gargalos do setor está a fraca infraestrutura da rede de transmissão brasileira, que ainda não tem capacidade o suficiente para atender projetos com essa dimensão energética. 

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Além disso, a regulamentação do Marco Legal do H2V segue pendente. Devem ser definidos parâmetros para incentivos fiscais e outros benefícios aos projetos. 

A volatilidade cambial e o custo de financiamento em dólares também são fatores críticos, segundo nota técnica da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV).

PROJETO DA CASA DOS VENTOS SEGUE OBJETIVO INICIAL

A Casa dos Ventos enfrentou dificuldades para se ligar ao sistema elétrico, mas já recebeu aval do Operador Nacional do Sistema (ONS). Segundo Mark McHugg, o projeto segue conforme os objetivos iniciais.

"Tem vários elementos correndo em paralelo. Estamos discutindo com o Porto do Pecém a questão do armazenamento em amônia. O Banco Nacional de Paris está trabalhando com a gente, buscando o financiamento do projeto. Tem muitos aspectos, é como uma maratona", avalia. 

A planta deve ter 60 hectares, com capacidade de produzir 960 toneladas de hidrogênio por dia. A empresa prevê exportação da amônia verde, por meio de parceria com a TransHydrogen Alliance (THA). 

Os empreendimentos de hidrogênio verde previstos para o Complexo do Pecém podem ultrapassar R$ 74 bilhões em investimentos e gerar 27 mil empregos. 

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