Produção da própria energia: casas correspondem a 92% da geração solar distribuída no Ceará

Ceará tem mais de 144 mil sistemas de geração solar instalados, mas ticket médio está acima da média nacional.

Escrito por
Mariana Lemos mariana.lemos@svm.com.br
Legenda: Ceará tem 144 mil sistemas de geração de energia solar instalados em casas e comércios.
Foto: Thiago Gadelha.

Os cearenses têm investido cada vez mais na geração de energia solar nas próprias casas. O setor residencial corresponde a 92,2% dos projetos de geração distribuída (aquela que não é realizada em grandes usinas solares) do Estado. 

O interesse do público residencial em produzir a própria energia tem crescido de forma sólida. A participação do setor na geração era de 88,5% em 2023 e subiu quase quatro pontos percentuais. 

Já o setor comercial, outro segmento de geração distribuída, viu sua representatividade cair de 11,48% em 2023 para 7,7% em 2025. Os dados são da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), coletados pela Solfácil, um dos maiores players de geração solar distribuída do Brasil.

A participação do setor residencial cearense é maior que a média do Nordeste, que cresceu de 87,2% para 91,9% em dois anos. Já a média nacional passou de 88,01% para 91,34% no mesmo período.

O maior avanço no Ceará está atrelado às tendências do mercado de energia no Estado e ao custo elevado das tarifas, aponta Eduardo Neubern, COO da Solfácil.

"O custo da energia é muito caro no Ceará, e vai aumentar, com o reajuste definido na semana passada. Isso deixa a proposta de valor da energia solar residencial ainda mais forte, porque o investimento vai se pagar mais rápido", analisa. 

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A energia elétrica foi a principal pressão na inflação de 2025 e os custos tendem a aumentar. Os consumidores residenciais cearenses tiveram reajuste de 5,78% na conta de luz a partir de 22 de abril. 

CEARÁ TEM TERCEIRA MAIOR GERAÇÃO DISTRIBUÍDA DO NORDESTE 

No caminho contrário da geração de energia solar em grandes usinas, a geração solar em residências e comércios no Ceará segue em pleno crescimento. O Estado acumula alta de 36% no número de sistemas instalados nos últimos dois anos. 

O Ceará chegou ao fim de 2025 com 144,6 mil sistemas de geração solar instalados. O número é menor do que o registrado em Pernambuco (160 mil) e Bahia (286 mil).

Ao contrário do Ceará, entretanto, a líder Bahia teve desaceleração no número de novas placas solares instaladas em casas e comércios nos últimos anos. 

Grande parte dos projetos solares vendidos no Brasil são financiados. O número de projetos financiados no Ceará cresceu 10% entre 2024 e 2025, enquanto o valor financiado caiu 22%, seguindo tendência da região. 

TICKET MÉDIO ESTÁ R$ 3 MIL ACIMA DA MÉDIA DO NORDESTE

Apesar do crescimento da procura, a instalação dos sistemas de geração solar no Ceará ainda é significativamente mais cara do que na média do Nordeste. O ticket médio do projeto no Ceará é de R$ 9.765, cerca de 46% maior do que a média da região, de R$ 6.656.

As médias do Ceará e do Nordeste eram de cerca de R$ 13 mil em 2023, mas o valor da região foi diminuindo de forma mais intensa do que o ticket médio local.

A disparidade de preço está associada, segundo Eduardo Neubern, a variáveis locais, como os custos de frete e instalação.

"Muitas vezes, no mix de produtos, estão itens de maior valor agregado, mais soluções de armazenamento, microinversores. É mais alto, mas também traz um payback [tempo de retorno do investimento] melhor", complementa.

 

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