Projeto criado em Fortaleza chega a 6 usinas solares comunitárias e pode virar modelo nacional

Geração solar permite desconto de 50% na conta de luz e aquece economia local.

Escrito por
Mariana Lemos mariana.lemos@svm.com.br
Legenda: Projeto Palma Solar, no Conjunto Palmeiras, viabiliza desconto na conta de luz com usinas solares comunitárias.
Foto: Divulgação/Palma Solar.

O projeto de usina solar comunitária do Conjunto Palmeiras, em Fortaleza, chamou a atenção do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras, e pode ser replicado em outras cidades brasileiras.

Em operação desde 2025, o Palma Solar viabiliza descontos de mais de 50% na conta de luz e um sistema de cashback, que devolve parte do valor pago para utilização em pequenos negócios do bairro.

Já são duas pequenas usinas em operação e a terceira deve ser inaugurada em 30 de abril, aumentando para 100 o número de famílias e negócios atendidos no Conjunto Palmeiras. 

A expansão seguirá ao longo do ano e o projeto chegará a seis usinas, aponta Joaquim Melo, coordenador de projetos do Banco Palmas, instituição comunitária responsável pelo projeto.

"Estaremos, até o fim do ano, com mais três usinas. A ideia é atender também famílias comuns e pequenos empreendedores; assim, terminaremos 2026 com 200 famílias atendidas. Se pegar a média de cinco pessoas por família, são mil pessoas beneficiadas", projeta.

A pesquisa do Cenpes deve identificar os efeitos da geração solar na comunidade e como a expansão do programa em larga escala contribuiria para uma transição energética justa.

"Imagina usar o dinheiro que vem do petróleo, que é uma energia suja, e financiar a produção de energia comunitária limpa, distribuindo riqueza. Toda a metodologia que não é só de produção, não é só de superação da pobreza energética, é também geração de riqueza", comenta Joaquim Melo.

ALÍVIO NO ORÇAMENTO FAMILIAR

Fornecimento de luz cortado de quatro em quatro meses por falta de pagamento e dificuldade de fechar o orçamento mensal. Essa era a realidade da empreendedora Cristine Alves Pereira antes de utilizar a energia fornecida pela Palma Solar.

"Minha conta dava quase R$ 600 e hoje está em torno de R$ 250. A gente já não tem tanta preocupação na questão da conta de energia. De vez em quando tinha um corte e eu tinha que negociar; inclusive eu pago ainda o parcelamento de uma dessas contas", explica.

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Cristine mantém uma pequena papelaria com produtos personalizados na própria casa e foi uma das primeiras beneficiadas pelo projeto por ser mãe de uma criança neurodivergente. 

Antes da mudança no fornecimento de energia, Cristine estava diminuindo o uso de alguns equipamentos para reduzir os custos. Agora, utiliza os recursos economizados para investir no negócio.

O orçamento familiar também viu benefícios do cashback do valor pago ao Palma Solar. Além da conta tradicional de energia (que tem valor reduzido), as famílias precisam pagar uma conta do Palma Solar, que tem parte devolvida ao consumidor em forma de moeda social.

"Até agora paguei dois modelos e recebi de volta R$ 32. Esse valor eu posso utilizar no mercantil do bairro e em outros locais que aceitam. O pessoal usa muito e não deixa de comer", conta. 

O Palma Solar já distribuiu 15 mil de sua moeda social. O objetivo é movimentar a economia local e incentivar a fidelização dos moradores em comércios da própria região.

A Petrobras informou que não irá comentar sobre o projeto. 

REGIÃO PODE CHEGAR À 'AUTONOMIA ENERGÉTICA' EM CINCO ANOS

Seguindo o ritmo de expansão, 100% das casas e comércios do Conjunto Palmeiras podem ser abastecidos por energia solar até 2031, projeta Joaquim Melo.

"A nossa estratégia é chegar à soberania energética em no máximo cinco anos. Isso não é 'loucura'. Quando chegou o telefone celular, não tinha em todas as casas; tinha em uma ou duas. E, de repente, todas as casas poderiam ter. E vai ser do mesmo jeito", defende o gestor.

A terceira usina construída utilizou recursos das caixas econômicas da Alemanha, com investimento de 30 mil euros, cerca de R$ 200 mil. 

Para as próximas usinas, o Banco Palmas negocia parceria com a Fundação Banco do Brasil e com a cooperação alemã. 

 

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