Leilão de energia contrata 7 usinas no Ceará e viabiliza projeto Jandaia de R$ 6,5 bilhões
Volume de contratos em todo o Brasil somou 515,7 bilhões.
O Ceará teve sete usinas termelétricas contratadas no leilão de capacidade realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e o Ministério de Minas e Energia (MME) nesta quarta-feira (18).
Os empreendimentos somam 2,9 GW de potência contratada, deixando o Estado atrás apenas do Rio de Janeiro em volume. Em quantidade de usinas, o Ceará registrou o quinto maior número do certame.
Entre os projetos selecionados está a usina térmica Jandaia, movida a gás natural, que será instalada no Complexo do Pecém pelas empresas Eneva e Diamante.
O projeto prevê investimento de R$ 6,5 bilhões, com início das obras projetado para o primeiro semestre de 2026 e operação prevista para 2030.
A instalação deve movimentar 18 milhões de m³ de gás natural por ano e demandará a construção de um novo píer no Porto do Pecém para suporte logístico.
Entenda o leilão
O leilão de capacidade visa garantir a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN), a partir da contratação de usinas aptas a operar em momentos críticos.
Ou seja, os equipamentos escolhidos são acionados em período de alta demanda. Foi o segundo certame do tipo realizado pelo Governo Federal.
O leilão contratou 100 projetos, que somam 18,9 Gigawatts (GW) de energia, principalmente de termelétricas a gás natural.
Foi a primeira vez que usinas hidrelétricas foram contratadas em um leilão de capacidade — com acordos para ampliação da capacidade.
CEARÁ LIDERA INVESTIMENTOS
O Ceará tem o maior aporte em usinas contratadas que serão construídas ou ampliadas. O investimento nos projetos cearenses será de R$ 13 bilhões, cerca de 21% do total previsto no certame — R$ 64,5 bilhões.
Além de novas usinas, o leilão de capacidade realizou a recontratação do parque termelétrico já operante. Para novas usinas e ampliação, o prazo é de 15 anos. Já para as usinas existentes, é de 10 anos.
O volume de contratos soma R$ 515,7 bilhões ao longo do período da operação previsto em leilão.
Foram contemplados projetos em mais de vinte estados brasileiros. O certame foi realizado pela Aneel e MME, com operacionalização da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
LEILÃO DE CAPACIDADE
O leilão de reserva de capacidade estava previsto para 2025, mas foi adiado por polêmicas e judicialização. Entre os impasses, estava o questionamento das regras no Tribunal de Contas da União (TCU).
Veja também
A inclusão de usinas termelétricas movidas a carvão mineral foi alvo de uma ação civil pública, movida pelo Instituto Internacional Arayara contra a União.
A ação aponta que o uso de térmicas contraria compromissos internacionais de sustentabilidade assumidos pelo Brasil. Além disso, aponta que os empreendimentos não têm a flexibilidade exigida no regulamento.
Os impasses foram minimizados pelos entes federais. "O nosso objetivo era que usinas a carvão pudessem competir com usinas a gás natural. Isso aconteceu, o que mostra que essas usinas podem ser competitivas. Para nós, o objetivo principal é garantir a segurança do sistema", afirmou Gustavo Ataíde, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), em coletiva de apresentação dos resultados.
Na sexta-feira (20), deve ser realizado o terceiro leilão de capacidade para contratar energia gerada por termelétricas a óleo diesel, óleo combustível e biodiesel.
O Ceará é responsável por 6% dos projetos cadastrados no primeiro certame e 13% dos concorrentes no leilão de sexta-feira. Em todo o Brasil, foram 368 projetos cadastrados:
- 311 projetos de termelétricas a gás natural;
- 20 projetos de termelétricas a biodiesel;
- 18 projetos de termelétricas a óleo;
- 16 projetos de ampliação de hidrelétricas;
- 3 projetos de térmicas a carvão.