Mais de 60% das cidades do Ceará têm geração de energia solar em prédios públicos; veja o top 10
Cidades cearenses têm 726 sistemas de geração instalados, que abastecem 894 prédios.
Cerca de 65% dos municípios do Ceará têm sistemas de geração de energia solar em prédios públicos, como escolas e secretarias.
A geração solar para abastecer equipamentos governamentais ocorre em 121 dos 184 municípios cearenses.
São 726 usinas instaladas, que abastecem 894 unidades, segundo levantamento da Frente Cearense da Geração Distribuída.
Fortaleza é a cidade que mais utiliza energia solar em prédios públicos, com 2,81 megawatts instalados.
Em seguida, está o município de Juazeiro do Norte, no Cariri, com 1,4 megawatts instalados para equipamentos públicos.
Tauá, Boa Viagem e Russas também se destacam, com mais de 1 megawatt instalado.
A potência instalada de 1 MW é suficiente, por exemplo, para abastecer o consumo de mais de 100 empresas de pequeno e médio porte, segundo cálculo da consultoria EDP.
Veja os 10 municípios que mais utilizam energia solar em prédios públicos no Ceará:
- Fortaleza
- Juazeiro do Norte
- Tauá
- Boa Viagem
- Russas
- Várzea Alegre
- Nova Russas
- Jaguaribe
- Limoeiro do Norte
- Pedra Branca
A energia solar é utilizada em prédios públicos, seja dos níveis municipal, estadual ou federal. No caso de Fortaleza, a produção renovável não ocorre em equipamentos da gestão municipal.
ECONOMIA NOS GASTOS PÚBLICOS
O município de Tauá iniciou começou a instalar os sistemas solares em 2022, primeiramente em unidades de ensino. Há 12 instituições com placas solares, com produção o suficiente para abastecer todas as 44 escolas municipais.
A geração própria levou a uma economia de R$ 1,1 milhão por mês somente na área da educação. Segundo a prefeitura, o recurso é reinvestido em “infraestrutura escolar, qualificação pedagógica e aquisição de equipamentos”.
Em 2025, a política foi ampliada à área da saúde. Os sistemas fotovoltaicos estão instalados em sete unidades básicas de atendimento. Até o fim de 2026, o centro administrativo do município também terá sistema energético próprio até o fim de 2026.
Além da economia nos cofres públicos, a medida gera uma maior eficiência das unidades, devido à estabilidade, e fomenta a cultura de sustentabilidade, segundo a prefeitura.
O mecanismo também gera benefícios à população, já que permite um uso melhor dos tributos e geração de empregos, destaca Bárbara Rubim, vice-presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).
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“O efeito sistêmico é muito positivo, além de possuir também um impacto ambiental super preponderante, dado que a energia solar é uma das fontes que tem feito a pauta da transição energética avançar dentro do país”, avalia.
A associação percebe crescimento do modelo de parcerias público-privadas, em que a entidade doa o terreno para que uma empresa instale a usina, e parte da geração é repassada ao poder público.
“O poder público tem uma característica muito positiva para a geração próproa de energia, que é a disponibilidade física de locais, como escolas, universidades, estações de tratamento de água”, destaca Bárbara.
GERAÇÃO OCORRE EM ATÉ PEQUENOS MUNICÍPIOS
Há uma tendência de crescimento da geração energética por órgãos públicos, sobretudo em estados com uma vocação para a energia solar, destaca Lucas Melo, presidente da FCGD.
“Cada vez mais os órgãos públicos irão aderir à energia solar como uma estratégia de reduzir custos para a máquina pública. Qualquer tipo de entidade tem muito custo associado à energia”, comenta.
O investimento é propício até mesmo para municípios de pequeno porte. Com 37 mil habitantes, a cidade de Mombaça, no Sertão Central, já instalou sistemas solares em todas as escolas.
A gestão está em negociação com empréstimo de R$ 11 milhões pelo programa de Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa) para levar a geração solar aos outros prédios públicos.
“Queremos nos tornar autossuficientes, no sentido de que todos os prédios públicos, hospitais, repartições tenham consumo abastecido por energia solar”, explica Narciso Filho, secretário de administração pública de Mombaça.
O gestor afirma que o município deve progredir em ações sustentáveis nos próximos anos, sobretudo na geração de energia.
“A longo prazo, você tira todo esse custo do município. A gente mira outros objetivos em um segundo momento, como um transporte público 100% alimentado por energia solar”, projeta.