Pecém atrai cargas para terminal multimodal de empresa suíça

Com apenas seis meses de operação, a Fracht Log movimenta mais de 5.200 toneladas de cargas importadas e para exportação

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Empresários cearenses do agro visitam as instalações do gigantesco terminal multimodal da Fracht Log no Complexo do Pecém
Foto: Tom Prado
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Vai bem a operação de logística da suíça-brasileira Fracht Log, que acaba de concluir o balanço dos primeiros seis meses de operação de sua unidade cearense, instalada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Entre setembro de 2025 e março de 2026, a empresa, que é multinacional, movimentou 5.227 toneladas de mercadorias – sendo 25% de cargas armazenadas para exportação e 75% de cargas importadas de outros países.   

A predominância de cargas importadas é explicada pela rápida absorção dessa unidade pelos mercados do Ceará e de outros estados da região Nordeste. Até o terceiro trimestre do ano passado, o Complexo do Pecém não contava com um terminal de armazenamento de cargas frias.  

Foram esses mercados da vizinhança nordestina que importaram, principalmente, pescados – com destaque para a sardinha e o atum a – além de batata frita e sorvetes. Uma rede de supermercados do Maranhão trouxe sorvete produzido na Ucrânia para ser comercializado no Brasil., armazenando-o nas câmaras frias da Fracht Log no Pecém.  

"Estudamos muito a viabilidade desse equipamento antes de tirá-lo do papel, percebemos que essa era uma lacuna a ser preenchida aqui no Ceará. Não foi à toa que investimentos R$ 120 milhões para erguer aquilo que é hoje um dos mais modernos terminais de cargas resfriadas e congeladas do Brasil", como disse, feliz, Thiago Abreu, diretor geral da Fracht Log.  

Apesar da inédita capacidade para armazenar cargas frias, esse terminal tem mais de 17 mil metros quadrados de área construída – o que permite também abrigar cargas secas. Em seis meses de operação, o equipamento armazenou, principalmente, perfis e bobinas de aço, ACM e empilhadeiras para a construção civil, além de utensílios do lar.  

"Fechamos um contrato com um cliente que comprou utensílios do lar fabricados na Ásia e toda a carga dele ocupará cerca de 3 mil das 12.500 posições pallets do nosso terminal. Desse cliente, nós recebemos a carga não-paletizada. Mas, como temos esse serviço de alocar as mercadorias em pallets, foi possível unitizar a carga e, consequentemente, gerar mais segurança e rastreabilidade para o nosso cliente", contou o executivo da Fracht Log.   

O terminal é também o endereço temporário para cargas de alho, acondicionadas entre 3°C e 10°C, que serão distribuídas para escolas, hotéis e restaurantes. Esse variado volume de mercadorias permitiu, em momentos de pico, que fossem ocupados 45% da capacidade total do terminal em apenas seis meses de operação.   

Thiago Abreu revelou ainda que as cargas importadas, tanto frias quantos secas, têm-se mostrado as de melhor performance neste início de operação:  

"São cargas com um giro mais rápido, ou seja, ficam pouco tempo armazenadas antes de serem distribuídas aos seus respectivos destinos. É o caso, por exemplo, dos painéis solares utilizados nos parques que estão sendo montados na região nordeste", informou ele.  

O terminal da Fracht Log já é considerado um dos principais do armazenamento de cargas resfriadas e congeladas para o chamado Arco Norte da logística brasileira. Até o açaí produzido no Pará é armazenado em suas câmaras frias.   

"Nesses primeiros seis meses já conseguimos cobrir o chamado break-even do custo da operação. E até o fim de 2027, esperamos dar início ao retorno do investimento feito pela nossa matriz na Suíça", concluiu Thiago Abreu. 

Ontem, Abreu recebeu a visita de um grupo de empresários cearenses do agro, os quais, liderados por Tom Prado, CEO da Itaueira Agropecuária, conheceram toda a área do terminal e seus equipamentos – entre os quais as câmaras frias, o armazenamento em pallets, as docas e as áreas de manobra de caminhões. 

COLÔNIA DE FERIAS DO SESI RECEBE TÉCNICOS DA FAEC/SENAR 

Reuniram-se durante todo o dia de ontem, 28, na Colônia de Férias do Sesc em Iparana, 300 técnicos, supervisores e coordenadores que integram o programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATEG), que está sendo executado em todas as regiões do Ceará, pela Federação da Agricultura (Faec) e pelo capítulo cearense do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). 

O programa ATEG reúne vários projetos de assistência técnica e de gerenciamento de propriedades rurais, beneficiando mais de 10 cadeias produtivas do agro e qualificando grupos de 30 produtores rurais cada um, na geografia de 120 municípios do estado. 

Sérgio Oliveira, superintendente do Senar Ceará, disse à coluna que o ATEG é um programa e um processo educativos, com duração de 24 meses e atendimentos mensais de 4 horas por cada técnico de campo em cada prosperidade rural atendida. 

Oliveira explicou que o objetivo é implementar a consciência do empreendedorismo rural, o que significa que “cada propriedade é uma empresa rural e cada produtor é um gestor rural, razão por que precisam de ter em mãos as informações técnicas e econômicas para melhorar desenvolvê-la”. Ele acrescentou que “é com esse objetivo que estamos a trabalhar”. 

O presidente da Faec, Amílcar Silveira, esteve presente à reunião de ontem em Iparana e falou aos seus 300 participantes, elogiando-os e incentivando-os pelo seu trabalho, que também tem a finalidade de aprimorar as ações do Senar nas propriedades rurais assistidas.  

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