Boletim Focus prevê inflação em 4,86% no fim do ano
“A inflação de serviços segue resistente, o mercado de trabalho continua aquecido e o canal fiscal não dá folga ao Banco Central", analisa o economista André Matos
Publicado pelo Banco Central, saiu hoje, segunda-feira, o Boletim Focus desta semana. Esta coluna pediu ao economista André Matos, CEO da MA7 Negócios, uma consultoria financeira, para analisar o que disse o Focus desta semana. Ele transmitiu a seguinte mensagem:
“O Focus desta semana mostra que o cenário continua se deteriorando na ponta inflacionária. A projeção do IPCA para 2026 subiu novamente, agora para 4,86%, 7º alta consecutiva e ainda mais distante do teto da meta, com a inflação medida em janelas de 12 meses suavizada apontando 4,09%.
“Ao mesmo tempo, o mercado consolidou a Selic em 13% no fim de 2026 e em 11% em 2027, sinalizando que o ciclo de cortes será muito mais lento do que se imaginava em janeiro.
Diante desse quadro, com IGP-M projetado em 4,80%, dívida líquida em 69,90% do PIB e resultado primário negativo em 0,50% do PIB, o atual nível de juros, em 14,75%, ainda é necessário, e talvez por mais tempo do que parte do mercado quer admitir.
“A inflação de serviços segue resistente, o mercado de trabalho continua aquecido e o canal fiscal não dá folga ao Banco Central. O risco real é o oposto, o mercado está otimista demais ao precificar Selic em 11% já em 2027, porque essa trajetória depende de duas variáveis fora do alcance da política monetária, a desescalada no Oriente Médio e a entrega concreta do ajuste fiscal. Sem isso, a curva longa de juros não vai ceder, e qualquer corte mais agressivo agora arriscaria desancorar de vez as expectativas, custando muito mais lá na frente”.
Foi o que disse o economista André Matos.
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