Empresários cearenses choram por Lucio Brasileiro

Colunista diário mais longevo da imprensa mundial partiu para sempre sem se despedir de sua multidão de amigos

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 06:48)
Legenda: Vilma Patrício, sua maior amiga, e Lúcio Brasileiro, um abençoado fazedor de amigos, um repórter cuja profissão era a esperança
Foto: Frisson / Gaida Dias
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É verdade? Foi a pergunta que, ao longo da madrugada de ontem, fizeram a este colunista quatro grandes empresários cearenses, todos interessados em saber, pelo telefone, mais informações a respeito da inesperada morte do jornalista Lúcio Brasileiro, que, aos 87 anos de idade, 70 dos quais dedicados à sua atividade profissional, partiu para sempre, para a vida eterna, sem se despedir da multidão dos seus amigos.  

Cronista diário mais longevo da imprensa mundial (sua coluna era publicada até na sua temporada de férias, e este ineditismo vai para o Guiness World Records, o livro dos recordes), ele escreveu – com o coração, a sensibilidade, o talento e o estilo ímpar que o caracterizaram – sobre atos e fatos da sociedade cearense, que o admirava e o respeitava. 

Fê-lo de maneira distinta, rejeitando a fofoca, privilegiando o interesse dos seus leitores, cuja lista começava no governador e findava no motorista de táxi.  

Nos anos 50, 60, 70 e 80 do século passado, Brasileiro, como todos o chamavam, imperou aqui como cronista social. Para ser crível e ter valor, a informação, qualquer uma, tinha de ser publicada na coluna do Lúcio. Desde aquele tempo e até quinta-feira, 23, à noite, quando faleceu em Lisboa, em consequência de graves ferimentos produzidos por uma queda, ele foi, digamos assim, o mestre dos cronistas sociais do Ceará.  

Lúcio morreu onde desejou morrer: na Península Ibérica, onde passava suas férias, sozinho ou na companhia de amigos. Conhecia melhor Barcelona do que Fortaleza; os garçons e os maitres dos melhores restaurantes de Ibiza – na parte mais bela do belo Mediterrâneo, onde os milionários do mundo se divertem – conheciam Lúcio Brasileiro dos pés à cabeça, pois era lá, anualmente e durante duas semanas, que ele, poliglota, reabastecia sua brilhante inteligência, acrescentando-lhe mais conhecimento, mais cultura e ampliando sua coleção de amigos, arte que ele desenvolveu com divina aptidão.  

Foi amigo íntimo dos maiores empresários cearenses, entre os quais este colunista pode citar os saudosos e geniais José Dias Macedo, Edson Queiroz e Ivens Dias Branco. Um deles confessou-me, no fim dos anos 90: 

“O que mais me admira no Lúcio são duas coisas: sua memória de computador e sua inabalável discrição, pois ele sabe de tudo o que se passa na sociedade cearense, inclusive as traições de cada um e de cada uma, e nunca falou ou escreveu sobre elas. Tenho a certeza de que Lúcio vê sem enxergar, escuta sem ouvir e fala sem nada dizer. Escreve, apenas, o que precisa de ser escrito.” 

Conheci-o, no comecinho dos anos 60, na cobertura do muito recentemente demolido Edifício São Pedro, na Praia de Iracema, onde ele morou durante muitos anos e onde promoveu almoços e jantares inesquecíveis. Num desses eventos, recebeu alguns jogadores da seleção brasileira de futebol, entre eles Zizinho, que, para o anfitrião, foi melhor do que Pelé. Sem ir aos estádios, Lúcio amava o futebol, sabia de cor e salteado todos os jogos do Brasil nas Copas do Mundo, seus resultados, seus artilheiros e a escalação de cada time em cada partida. Em outro dia da mesma época, ele ofereceu um almoço a Garrincha, o gênio das pernas tortas, que contou seus “causos”, incluindo o relacionamento que teve com uma sueca, na Copa de 1958, do que resultou um filho que até hoje se orgulha do pai brasileiro. 

Nas conversas com autoridades e empresários, Lúcio Brasileiro nada anotava. Não usava caneta nem bloco de notas. Valia-se de sua prodigiosa memória, que o levava a reproduzir na coluna o que vira e ouvira, virtude que não tinham nem têm seus “colegas do peito”, como Lustosa da Costa, já falecido, e Fernando César Mesquita, que, hoje residindo em Fortaleza, foi porta-voz do presidente Sarney e criador e primeiro presidente do Ibama e primeiro governador de Fernando de Noronha. 

Esta coluna e seu editor transmitem aos colegas do “O Povo”, onde Lúcio trabalhou por décadas, seus sentimentos de pesar e de saudade. Este é um momento de perda irreparável a que, todavia, todos nos adequaremos com o passar do tempo. Mas de Lúcio Brasileiro permanecerão, entre os que conviveram com ele, as virtudes com as quais Deus o prodigalizou.  

“Ele foi um homem do bem, que só plantou a semente da amizade e do amor entre as pessoas”, como disseram à coluna dois dos seus mais inseparáveis amigos: Vilma Patrício e Édimo Cunha, este apelidado por Lúcio como “o semeador da benquerença”.  

Que Deus receba Lúcio Brasileiro em uma de suas moradas celestes. 

TRÊS MIL MULHERES INVADEM HOJE O CENTRO DE EVENTOS 

Pode parecer inacreditável, mas hoje, sábado, 25, a partir das 7 horas da manhã, três mil mulheres, entre as quais muitas empresárias da indústria, do comércio e até do agro, invadirão o Pavilhão Oeste do Centro de Eventos do Ceará (o que dá para a Avenida Washington Soares).  

Todas vestidas de róseo, elas participarão da terceira edição do “Cheia de Graças”, evento promovido pela Comunidade Católica Um Novo Caminho, fundada três meses e meio depois da morte do jornalista José Oriá Serpa Neto, o Serpinha, repórter da TV Verdes Mares e do Diário do Nordeste, que perdeu a vida no dia 1º de março de 1992 em acidente automobilístico. 

Durante todo o dia, essa multidão feminina ouvirá pregações do padre Mário Sartori, pároco de São José do Alto Piquiri, um município do Paraná cheio de migrantes nordestinos. Ele tem um canal no YouTube, sendo um dos maiores pregadores católicos do país. Também participarão as cantoras e pregadoras Ticiana de Paula e Babi Maria Borges, além de Lúcia Medeiros, fundadora da Comunidade Nova Evangelização, e Helena Serpa, fundadora da Comunidade Um Novo Caminho. 

Às 17 horas, o arcebispo metropolitano de Fortaleza, D. Gregório Paixão celebrará a missa de encerramento.

O “Cheia de Graças” começou em 2024, com 400 mulheres participantes; em 2025, foram 1 mil mulheres; hoje, serão 3 mil, número muito aquém da demanda de 5 mil, que, no próximo ano, será atendida.

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