Relembre filmes caros que deram prejuízo, mas foram indicados ao Oscar

Lista de produções que foram mal de bilheteria, mas conseguiram ser reconhecidas na premiação, inclui épicos, biografia e ficção científica.

Escrito por
João Gabriel Tréz joao.gabriel@svm.com.br
Montagem de personagens de grandes produções cinematográficas, destacando a guerreira Mulan com sua espada, Cleópatra em seu traje dourado majestoso e o protagonista de Tenet em um terno cinza elegante. A composição contrasta diferentes épocas e estilos visuais, unindo o épico histórico e o moderno em uma apresentação vibrante de figurinos icônicos.
Legenda: Filmes clássicos, queridos pelo público ou criticados pela imprensa conseguiram indicações ao Oscar apesar de problemas de bilheteria.
Foto: Divulgação.

Ganhar um Oscar é sinal de reconhecimento dentro da indústria dos Estados Unidos. Algumas vezes, porém, ele não vem junto de outro reconhecimento também importante na visão do mercado: a bilheteria.

Ao longo da história, diferentes filmes considerados fracassos em termos financeiros foram, a despeito disso, indicados ou até saíram vencedores de estatuetas na premiação. 

Seja por problemas na produção, competição acirrada com outras estreias ou impactos da pandemia, confira destaques e detalhes sobre alguns casos.

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Cleópatra (1963)

Elizabeth Taylor e Richard Burton interpretam Cleópatra e Marco Antônio, sentados à mesa durante um banquete luxuoso adornado com flores e taças de ouro. A cena destaca o figurino detalhado da rainha em branco e dourado e a armadura romana azul e pele de leopardo de Antônio, em um cenário de época opulento.
Legenda: "Cleópatra" passou anos sendo considerado uma das produções mais caras do cinema.
Foto: Divulgação.

Na chamada “era de ouro” de Hollywood, foi comum produzir filmes épicos com grandes orçamentos na expectativa por grandes bilheterias. Um marco negativo do período é “Cleópatra” (1963), protagonizado por Elizabeth Taylor.

O estúdio Twentieth Century Fox apostou na produção para reverter uma série de baixas bilheterias ao longo dos anos 1950, destinando orçamento inicial de US$ 5 milhões.

Atrasos e problemas fizeram o número saltar para US$ 44 milhões — algo incomum na época e que, em valores atualizados, chega a passar a marca de US$ 400 milhões.

No lançamento, o filme chegou a liderar as bilheterias dos EUA, mas os números estavam aquém das esperanças do estúdio. As nove indicações do longa ao Oscar, com quatro vitórias, foram vistas como uma forma de chamar mais público.

A bilheteria total terminou sendo de US$ 57,7 milhões, ultrapassando por pouco o orçamento. Apesar da quantia arrecada, os gastos de produção e marketing de “Cleópatra” levaram o estúdio a operar no vermelho até conseguir reverter o quadro — fato ocorrido com outro clássico, “A Noviça Rebelde” (1965). 

O Portal do Paraíso (1980)

Drama histórico com mais de 3 horas e meia de duração, “O Portal do Paraíso” é comumente citado como um dos maiores “fiascos” de bilheteria. Isso porque o filme de Michael Cimino teve orçamento de mais de US$ 40 milhões, mas arrecadou pouco mais de US$ 3 milhões nos EUA.

As cifras do prejuízo ocorreram após uma série de problemas que marcou o filme. A obra se passa no período da Guerra do Condado de Johnson e acompanha um xerife rico que tenta proteger imigrantes agricultores da ganância de fazendeiros na região. 

Atrasos nas gravações, necessidade de refilmagens, orçamento estourado em quatro vezes e repercussão negativa na imprensa ocorreram ao longo do processo de produção e lançamento. 

Apesar disso, uma das qualidades da produção foi reconhecida pelo Oscar em 1982: “O Portal do Paraíso” foi indicado a Melhor Direção de Arte e Cenário na edição daquele ano. 

Ali (2001)

Um drama biográfico sobre uma importante figura da história dos Estados Unidos. “Ali”, dirigido por Michael Mann, acompanha o lutador Muhammad Ali no período de 1964 a 1974, evidenciando sucessos e controvérsias da carreira e da vida pessoal. 

O papel principal foi interpretado por Will Smith, que conseguiu com o filme a primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator da carreira. Além do protagonista, outro membro do elenco foi reconhecido pelo trabalho: Jon Voight, indicado a Melhor Ator Coadjuvante. 

Diferentemente dos exemplos anteriores, o filme foi elogiado pela crítica e não enfrentou problemas no processo. Apesar de contar com vários elementos positivos, a produção teve orçamento expressivo, custando US$ 107 milhões

A bilheteria total de “Ali” foi de US$ 87 milhões, sendo US$ 58 milhões arrecadados nos EUA. Analistas apontam que um fator decisivo para esse prejuízo foi a “competição” que estreou na mesma época: “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”, fantasia que só nos EUA fez US$ 325 milhões de bilheteria, arrecadando mais de US$ 896 milhões mundialmente. 

A Invenção de Hugo Cabret (2011)

Dirigida pelo renomado diretor Martin Scorsese, “A Invenção de Hugo Cabret” une aventura e fantasia para acompanhar um órfão que vive em uma estação de trem em Paris e se envolve em um mistério. 

Com orçamento estimado entre US$ 150 milhões e US$ 170 milhões, o longa arrecadou mais de US$ 73 milhões nos EUA e US$ 111 milhões internacionalmente, totalizando US$ 185 milhões de bilheteria. 

Apesar do prejuízo — estimado entre US$ 80 milhões e US$ 100 milhões —, “Hugo” chamou a atenção dos votantes do Oscar. Usando tecnologia 3D e com visual chamativo, o longa recebeu 11 indicações em 2012, incluindo a Melhor Filme, sendo o mais indicado daquele ano.

O recorde não foi somente no número de indicações, mas também de vitórias. O filme de Scorsese ganhou cinco estatuetas, empatando com “O Artista” como a produção mais premiada. “Hugo” foi reconhecido como Melhor Fotografia, Direção de Arte, Mixagem de Som, Edição de Som e Efeitos Visuais. 

Tenet (2020)

Ficção científica do renomado diretor Christopher Nolan, “Tenet” sofreu impactos na bilheteria por diferentes motivos que incluem a pandemia da covid-19 e os próprios custos da produção. 

O longa acompanha um agente da CIA que precisa lutar pela sobrevivência de si e do mundo ao encarar uma missão global que desafia as noções de tempo e espaço. Após inúmeros atrasos para o lançamento comercial, “Tenet” estreou no fim de agosto no Reino Unido e no começo de agosto nos EUA. 

O orçamento divulgado do longa foi de US$205 milhões, mas analistas apontaram à época que a adição dos custos de marketing levaram a quantia para mais de US$ 300 milhões. A bilheteria total do longa foi de US$ 365 milhões, com apenas US$ 58 milhões vindos dos EUA e Canadá. 

No Oscar de 2021, “Tenet” foi indicado em duas categorias: Melhor Direção de Arte e Melhores Efeitos Visuais, tendo saído vencedor na última. 

Mulan (2020)

Outra produção diretamente afetada pela pandemia, o live-action de “Mulan” teve a estreia mundial em 9 de março de 2020, dias antes do começo do período pandêmico. A estreia comercial ocorreria no fim daquele mês, mas foi adiada e, depois, cancelada nos EUA.

Esse fato impactou diretamente a arrecadação de bilheteria do filme dirigido por Niki Caro. No país, a produção foi disponibilizada somente a partir de setembro de 2020 na plataforma Disney+. 

Com orçamento de US$ 200 milhões, “Mulan” foi lançado nos cinemas de um número limitado de países, chegando ao valor total de US$ 69 milhões. A maior parte desse valor — mais de US$ 40 milhões — veio do lançamento na China

Apesar das dificuldades de chegar ao público, a produção teve duas indicações no Oscar de 2021: Melhores Efeitos Visuais e Melhor Figurino. 

Amor, Sublime Amor (2021)

Refilmagem de um musical clássico do cinema dos Estados Unidos, “Amor, Sublime Amor” não conseguiu arrecadar na bilheteria mais do que o valor do orçamento. Apesar do prejuízo expressivo, chegou ao Oscar e venceu em uma das categorias.

Dirigido por Steven Spielberg, o longa se passa na Nova York de 1957 e acompanha o romance de Tony e Maria, que são ligados a gangues rivais da cidade

O orçamento da produção foi de US$ 100 milhões, mas ela só arrecadou US$ 76 milhões, sendo US$ 38,5 milhões nos EUA e Canadá e US$ 37,5 milhões em outros territórios. Para dar lucro, a previsão ideal de bilheteria seria de US$ 300 milhões.

No Oscar, o musical saiu vencedor do prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante, conquistado por Ariana DeBose. As sete indicações da obra incluíram, ainda, as categorias de Melhor Filme e Melhor Direção.

Babilônia (2022)

Dirigido por Damien Chazelle, do sucesso premiado “La La Land”, “Babilônia” dividiu a crítica e também o público. Como resultado, a produção se juntou à lista de fracassos de bilheteria.

Situada no início de Hollywood, a trama se baseia em mostrar a ascensão e queda de diferentes figuras ligadas ao universo cinematográfico da época. No elenco, nomes como Margot Robbie e Brad Pitt seriam chafarizes de atenção do público.

Com orçamento estimado entre US$ 78 milhões e US$ 80 milhões, porém, o longa-metragem arrecadou apenas US$ 65 milhões mundialmente. Do total, somente US$ 15 milhões vieram dos territórios dos EUA e Canadá. 

As cifras do prejuízo financeiro chegam a US$ 87 milhões, mas premiações da indústria reconheceram aspectos da produção. No Oscar, “Babilônia” foi indicado a Melhor Direção de Arte, Melhor Trilha Original e Melhor Figurino. 

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