Atriz regrava cenas icônicas do cinema com linguagem cearense e faz sucesso
“O Exorcista” foi o primeiro longa a receber as adaptações da artista
Cineasta, atriz e filmmaker. Essa é Ângela Girão. Nascida na capital cearense e com apenas 20 anos, a jovem dá um novo olhar a filmes clássicos do cinema. Nas redes sociais, Ângela regrava cenas icônicas de longas-metragens, colocando um certo tempero, o “jeitinho cearense”, nas produções artísticas, nos diálogos e no vestuário.
“O Exorcista” foi o primeiro longa a receber as adaptações da artista. Imagine a cena de um dos maiores filmes de terror de Hollywood com os seguintes diálogos: “Eu sou o cão chupando manga” ou “Cão chupando manga? Tu tá é com verme, menina!”. Essas foram algumas frases colocadas na adaptação da cineasta que, sem medo, usa e abusa do “cearensês” nas produções.
Movida pela vontade de atuar, ela aproveitou comentários em um vídeo que viralizou, no qual era comparada à atriz do filme original, para trabalhar seus roteiros adaptados. O estalo foi imediato: tomando um bom café com pão e ovo, a jovem teve a ideia.
“Cara, eu preciso muito fazer alguma coisa 'frescando' com essa personagem”, brincou ela.
E assim nasceu o quadro “Se o filme fosse no Ceará”. O vídeo de “O Exorcista” já acumula mais de 300 mil visualizações em apenas uma rede social. Em entrevista ao Diário do Nordeste, a atriz conta que ainda tem muitos outros vídeos “na gaveta”, só aguardando o lançamento.
Trajetória nas artes
Aos 5 anos, Ângela Girão iniciava seus estudos nas artes. “Cria” da Casa da Comédia Cearense, a atriz bebeu da fonte da comédia e do humor. No estado em que nasceram os maiores humoristas do país, ela teve a chance de dividir o palco e a sala de aula com nomes como Haroldo e Hiroldo Serra, de quem futuramente seria parceira de grupo.
Ângela integrou o Grupo Comédia Cearense, um dos coletivos teatrais mais antigos do Brasil em atividade, com 68 anos de história. Sob a direção de Hiroldo, a jovem se apresentou na Arena Aldeota e em diversos outros palcos de Fortaleza.
Apaixonada pelo gênero, a cineasta explica a diferença entre comédia e humor.
“A comédia é uma coisa que termina bem, para melhorar a arte. O humor em si é a parte engraçada”, explicou.
Ao longo dos estudos e dos processos criativos, mesmo jovem, Ângela foi se percebendo. Até quando o projeto não era necessariamente de humor, ela gostava de incluir um pouco do gênero.
Durante a entrevista, ela recorda a frase: “rir é um ato de resistência”, dita pelo humorista Paulo Gustavo e que Ângela carrega como um mantra. Para ela, fazer as pessoas rirem é como um superpoder, inclusive ressalta que os cearenses possuem e exercem muito bem esse dom.
Estagiário sob supervisão da editora Aline Conde*