Crianças com câncer sem transporte para ir ao tratamento contam com vaquinha para comprar carro

Iniciativa do Projeto Dorotéias busca adquirir veículo para o transporte de quase 50 crianças e adolescentes da Associação Comunitária Lucas Dantas, em Fortaleza, aos centros de tratamento na Capital

Legenda: Assim como Marta, muitas famílias de baixa renda não possuem recursos para garantir o transporte, sendo necessário realizar o percurso entre o lar de acolhimento e o hospital a pé
Foto: Arquivo pessoal

A caminhada a pé de ida e retorno que Maria Marta Félix, 35 anos, realiza para levar sua filha Ana Vitória, 2 anos, ao tratamento de câncer na Associação Peter Pan (APP) já chegou a durar cerca de duas horas. Como forma de facilitar o transporte entre a sede da Associação Comunitária Lucas Dantas (ACOLD), no bairro Vila União, para os centros de tratamento, o Projeto Dorotéias faz uma vaquinha online para a compra de um carro.

Com meta de R$ 130 mil, a iniciativa de arrecadação da verba busca possibilitar conforto, dignidade e segurança a quase 50 crianças e adolescentes com câncer atendidos pela ACOLD, explica a coordenadora do Projeto Dorotéias, Edvane Dento, 38 anos. Lançada em maio, a ação integra a campanha “Crianças com câncer não podem esperar”.

Para realizar o tratamento do filho, precisam se deslocar até o hospital. Muitas vezes esse translado é feito a pé, de bicicleta, quando não conseguem verbas para conseguir o aplicativo de transporte e aqueles que dispõe desse recurso, a maioria das vezes é negado, porque algumas das crianças usam cadeira de rodas.
Edvane Dento
Coordenadora do Projeto Dorotéias

Apesar de precisarem se deslocar entre a sede em Fortaleza para o Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS) e a Associação Peter Pan, muitas famílias de baixa renda da Capital e da região do Cariri não têm condições de arcar com o custo de transporte. 

Urgência no transporte 

Esse é o caso da dona de casa Maria Marta Félix, que se mudou de Milagres para Fortaleza ainda em janeiro deste ano, depois de descobrir o câncer de sua filha Ana Vitória. Vivendo com a pensão de R$ 600 reais dada pelo pai da criança, precisa arcar com custos de alimentação, transporte, fraldas e outras necessidades não contempladas pelo tratamento na APP.

A gente não tem dinheiro suficiente para ir para o hospital, então tem dia que a gente tem que caminhar e enfrentar o sol. Se tirar o dinheiro do aplicativo de transporte, não tem direito para o lanche.
Maria Marta Félix
Dona de casa

Às vezes não tem como cobrir a passagem de ônibus, porque há semanas em que a fase da quimioterapia requer a ida diária à instituição. A alternativa é descansar da caminhada com a criança no colo enquanto aguarda a realização dos exames e tratamentos pedidos. 

Falta de inclusão

Legenda: Henrique precisou retirar o fêmur e incluir uma prótese, passando a necessitar de cadeira de rodas e muletas durante a recuperação
Foto: Arquivo pessoal

Já para a dona de casa Roseana Terezinha Oliveira da Silva, 44 anos, vinda do município de Abaiara, no Cariri, mesmo tendo condição de pagar pelo aplicativo de transporte, já foi humilhada com o cancelamento de corridas. Isso ocorria quando motoristas descobriam a necessidade de seu filho, José Henrique Oliveira da Silva, 10 anos, usar cadeira de rodas.

Nós passamos por muitas situações muito ruins. A gente chamava o carro de aplicativo e eles não queriam atender, quando chegava na associação, já rejeitavam a corrida. Às vezes, eu tinha que levar a criança empurrando a cadeira no sol, com ela bastante constrangida porque tinham negado a corrida.
Roseana Terezinha Oliveira
Dona de casa

Entre as dificuldades e os preconceitos para conseguir chegar ao local do tratamento de câncer aponta que o carro irá possibilitar a facilidade dessa locomoção e dar dignidade para seu filho, que desde agosto de 2020 luta contra o câncer. 

Riscos de contaminação da Covid-19

Além disso, em meio ao cenário da pandemia, também há o risco de contágio pelo novo coronavírus. Segundo Edvana, entre março de 2020 até este mês, cerca de 5 crianças receberam diagnóstico positivo para a Covid-19 apesar de todos os cuidados tomados. 

Com isso, o tratamento é bloqueado e o paciente precisa esperar duas semanas antes de dar continuidade ao processo fisioterápico. “Esse transporte seria até mais seguro para realizar o translado, visto que a imunidade deles é baixa por conta do tratamento de câncer”, finaliza.

Legenda: A associação disponibiliza um lar para famílias de baixa renda de Fortaleza e da região do Cariri enquanto as crianças realizam o tratamento de câncer na capital
Foto: ACOLD

Canais para doação

  • Vakinha online: vaka.me/2075808 
  • PIX (CNPJ): 09.016.822/0001-35
  • Tranferência bancária: Banco do Brasil | Agência: 2300-0 | Conta poupança: 20.761-6 | Variação: 51 | Razão social: A C Lucas Dantas ACOLD
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