Cearenses que vivem na Austrália relatam a vida normal com viagens e baladas no pós-pandemia

O país, que enfrentou de modo rígido a pandemia de Covid-19, hoje já tem uma rotina normal sem restrições e máscaras para a população

A cearense Liane Peixoto com a família na Austrália
Legenda: A cearense Liane Peixoto com a família na Austrália.
Foto: Acervo Pessoal

A Austrália foi um dos países que melhor lidou com a pandemia do coronavírus pelo mundo, totalizando em média 29 mil casos da doença e 910 óbitos, o que representa um percentual baixíssimo se comparado a outros países. Atualmente, a situação no local está tão controlada que não há mais necessidade do uso de máscaras nas ruas, nem de restrições de distanciamento social. As pessoas já estão vivendo na normalidade.

A arquiteta cearense Lisi Freitas, 31, que se mudou para a cidade de Melbourne em 2015 para fazer um mestrado, conta que, quando as circunstâncias voltaram ao normal na região, ela sentiu um certo estranhamento, mas que já se habituou com a vida de antes.

Nos primeiros meses foi meio ‘o que é isso? dá pra viver no mundo normal?’, mas agora já tô bem acostumada de novo, não é difícil de se acostumar não”
Lisi Freitas
Arquiteta

“Hoje (30), eu fui jantar num restaurante com a minha colega de apartamento. Às vezes vou pra barzinhos também ou pra casa de amigos. Semana passada fui pra uma baladinha, mas no geral tô bem mais caseira depois da pandemia”, explica Lisi que também já realizou algumas viagens internas desde a liberação do país.

A cearense Lisi Freitas com amigos na Austrália
Legenda: A cearense Lisi Freitas em viagem com amigos no mês de dezembro.
Foto: Acervo Pessoal

Já na cidade de Sydney, o designer de moda sergipano - que morou os últimos oito anos no Ceará - Lezio Lopes, 30, relata que foi para a Austrália fazer um intercâmbio no começo de 2020, a fim de conhecer novas culturas e aprimorar o inglês. “Cerca de duas a três semanas depois que eu cheguei aqui, foi declarado o lockdown. Fecharam absolutamente tudo: fronteiras, shoppings, bares, restaurantes, lojas... só ficaram abertos serviços essenciais”.

Para Lezio, o grande diferencial entre o Brasil e a Austrália foi a implantação de medidas rígidas do governo australiano para controlar os casos desde o começo da pandemia. “As pessoas só podiam sair na rua de máscara ou seriam multadas, e aqui eles multam mesmo! Soube também de casos de pessoas que foram deportadas aos seus países de origem por serem pegas em festas clandestinas”.

O designer de moda Lezio Lopes com amigos em bar na Austrália pós-pandemia
Legenda: O designer de moda Lezio Lopes com amigos em bar na Austrália pós-pandemia.
Foto: Acervo Pessoal

O designer pontua também que a situação atual do país está uma maravilha. “Hoje (30), fui à praia, amanhã é fim de semana e já rola aquela expectativa de sair pra alguma festa ou algum bar com os amigos. Sem contar que com isso as empresas reabriram, então está bem mais fácil conseguir trabalho”.

“Todos os meus amigos e conhecidos daqui estão saudáveis, trabalhando e curtindo a vida. Já estou planejando uma viagem para conhecer outras cidades daqui da Austrália e tudo. Queria conhecer outros países ainda, mas um passo de cada vez” - Lezio Lopes, designer de moda que vive em Sydney

O designer Lezio Lopes com amigos em festa na Austrália no começo deste ano.
Legenda: O designer de moda Lezio Lopes com amigos em festa na Austrália no começo deste ano.
Foto: Acervo Pessoal

Quem também tem aproveitado a vida em Sydney é a administradora cearense e criadora do podcast Periquito Australiano Liane Peixoto, 33, que mora na cidade desde 2016 com o marido e o filho. “Atualmente, nós estamos aqui num visto de trabalho, estamos seguindo a nossa vida e nos apaixonando cada vez mais pela terrinha dos cangurus”.

“Aqui tem um sistema de QR Code que, para onde a gente vai, a gente tem que tá escaneando esse código [durante a pandemia]. É uma forma de eles [governo] conseguirem rastrear rapidamente onde você tava para, caso apareça algum caso pela região, eles conseguem identificar todo mundo e mandar testar [contra a Covid-19]. O teste aqui é gratuito e ilimitado, todo mundo tem direito”, explica Liane.

A administradora Liane Peixoto em viagem com a família pela Austrália.
Legenda: A administradora Liane Peixoto em viagem com a família pela Austrália.
Foto: Acervo Pessoal

Segundo a administradora, o medo do contágio não está mais presente na vida deles. “A gente já tá conseguindo respirar aliviado”. Um dos motivos para isso foi o fato da Austrália ter fechado as fronteiras logo no início da pandemia, evitando que as pessoas contaminadas desembarcassem no local e circulassem com o vírus.

“Eles também proibiram que os cidadãos australianos viajassem para fora do país e entre os próprios estados”, ressalta Liane. Ela conta ainda que a circulação entre as cidades também foi paralisada e, em alguns locais, até os bairros com maior índice de casos foram isolados por um tempo.

Esperança

Nesse cenário, os entrevistados refletem que a esperança deles é de que o Brasil possa melhorar a sua situação, assim como a Austrália, por meio da vacinação em massa da população e do cumprimento rígido das medidas necessárias para conter o avanço da pandemia. “Quanto mais você lutar para fazer o que precisa ser feito, mais restrições vão vir e mais a situação vai se prorrogar antes de melhorar”, pondera Liane Peixoto.

“É bem difícil comparar os dois casos, porque a gente teve uma situação muito controlada desde o início. Mas a minha esperança é realmente que a vacinação vai trazer a solução, e seria o melhor método pro Brasil sair dessa” - Lisi Freitas, arquiteta cearense que vive em Melbourne

A arquiteta cearense Lisi Freitas na Austrália.
Legenda: A arquiteta cearense Lisi Freitas na Austrália.
Foto: Acervo Pessoal

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