Zeladores terceirizados da UFC paralisam atividades por atraso de salários e benefícios
A Universidade instaurou processos administrativos para apurar descumprimentos contratuais pelas empresas terceirizadas.
Trabalhadores terceirizados da área de zeladoria que atuam nos campi Porangabuçu, Benfica e Pici da Universidade Federal do Ceará (UFC) enfrentam, mais uma vez, salários e benefícios atrasados. Os profissionais estão paralisados desde a última sexta-feira (9) sob alegação de falta de pagamento dos salários referentes a dezembro de 2025, além de vale-alimentação, vale-transporte e cesta básica.
Em reunião com o sindicato representativo dos profissionais terceirizados, foi informado que a previsão era que os pagamentos fossem feitos até esta terça-feira (13). Segundo a entidade, porém, isso não se concretizou.
Um relato recebido pela reportagem aponta que os profissionais contratados pela LDS Serviços de Limpeza LTDA sofrem com os atrasos há cerca de um ano.
“Todo mês é a mesma coisa. Todo mês atrasa, o sindicato vem, a gente paralisa, eles prometem e fazem o pagamento. Quando é no outro mês atrasa de novo”, explicou a fonte ouvida pelo Diário do Nordeste.
De acordo com ela, após sucessivas falhas nos repasses, a UFC começou a se responsabilizar pelo pagamento dos trabalhadores a partir de outubro de 2025.
“Durante esses três meses estava tudo ok, agora entrou o ano (de 2026) e, nesse mês de janeiro, começaram de novo os atrasos. Mas agora é geral: vale-alimentação, vale-transporte, cesta básica, salário e plano de saúde, tudo atrasado”, contextualiza.
À reportagem, a UFC confirmou que passou a realizar o pagamento direto aos funcionários vinculados à LDS Serviços de Limpeza LTDA em razão de reiterados descumprimentos contratuais por parte da empresa, que é responsável pelo contrato de zeladoria. A “medida excepcional” foi adotada “para garantir a continuidade dos serviços e resguardar os direitos trabalhistas”.
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Não é a primeira vez que ocorre paralisação devido a atrasos. Em maio de 2025, os funcionários contratados pela empresa também protestaram pelo mesmo problema, conforme mostrou reportagem do Diário do Nordeste. À época, a categoria também havia denunciado atraso nos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Na última segunda-feira (12), o Sindicato dos Trabalhadores Prestadores de Serviços Terceirizados em Asseio e Conservação do Estado do Ceará (Seeaconce) esteve reunido com a direção da universidade, na Reitoria da UFC, mas, segundo a entidade, “não foi possível ainda uma solução concreta para o pagamento aos trabalhadores”.
“Os trabalhadores seguirão paralisados, nos três campi da UFC em Fortaleza, até que os pagamentos sejam feitos. O sindicato está pedindo aos trabalhadores que encaminhem para o sindicato toda a documentação necessária para se ingressar com ação cobrando multa, que está na convenção coletiva de trabalho, e multa por atraso de salário, que está na CLT”, destaca Josenias Gomes, do Seeaconce.
Na reunião, foi informada a previsão de que os pagamentos fossem realizados até esta terça-feira, 13 de janeiro. Porém, os profissionais da zeladoria seguem sem receber os valores devidos.
Segundo a entidade representativa, o problema também atinge os profissionais das áreas de portaria, contratados pela Solução Serviços, e manutenção de áreas verdes, vinculados à Florart Paisagismo Ltda.
A Florart Paisagismo Ltda realizou os pagamentos e os profissionais retomaram as atividades. No caso da Solução Serviços, apenas os benefícios foram depositados e os trabalhadores de portaria seguem com as atividades paralisadas até o pagamento do salário ser feito.
O que diz a UFC
Em nota, a UFC informou ter conhecimento de que algumas empresas que prestam serviços à Universidade têm encontrado dificuldades para o cumprimento de suas obrigações, o que impactou o pagamento de salários e benefícios de colaboradores terceirizados.
Além disso, a Instituição aponta que essa situação é agravada por “limitações orçamentárias e financeiras típicas do início do ano” enfrentadas pela UFC, devido a “ajustes burocráticos necessários durante a transição entre os exercícios financeiros”.
No comunicado, a Universidade Federal do Ceará afirma que está acompanhando a situação e adotando as providências administrativas cabíveis para regularizar a situação o mais breve possível. “Trata-se de uma conjuntura transitória, cuja solução depende da normalização no fluxo de recursos oriundos do Ministério da Educação (MEC)”, afirmou.
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Questionada pelo Diário do Nordeste, a UFC afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que os descumprimentos contratuais por parte das empresas foram devidamente identificados e registrados.
Com isso, foram instaurados os correspondentes processos administrativos de apuração, com a aplicação das sanções e penalidades previstas em contrato e na legislação vigente.
Uma vez que, habitualmente, os recursos financeiros são creditados à UFC no início da semana, a Instituição afirmou que a expectativa é de que os pagamentos pendentes sejam regularizados “nos próximos dias”, sem especificar uma data.
“A UFC reafirma seu compromisso com a responsabilidade administrativa, a transparência e o cumprimento das obrigações assumidas, mantendo diálogo permanente com as empresas contratadas e com os colaboradores terceirizados até a normalização dos pagamentos”.
O Diário do Nordeste tentou contato com a LDS Serviços de Limpeza LTDA e com a Solução Serviços por telefone e por e-mail, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria.