O que faz uma cidade do interior do Ceará referência em turismo ufológico

Cidade do Sertão Central do Ceará é conhecida pelo misticismo em torno da aparição de seres extraterrestres na região.

Escrito por
Paulo Roberto Maciel* paulo.maciel@svm.com.br
Três pessoas admirando o nascer do sol em Quixadá, no Ceará, diante de um cenário de natureza, com montanhas ao fundo, rochas e cactos ao redor, capturadas ao entardecer.
Legenda: Desde os anos 1960, Quixadá está no mapa dos ufólogos, cientistas amadores e turistas interessados no astroturismo.
Foto: Ricardo Lima/Arquivo Pessoal.

Quando o assunto é o espaço sideral, uma das perguntas que mais tiram o sono de curiosos e especialistas é se, de fato, há uma forma de vida inteligente fora da Terra. Para os moradores de Quixadá, a resposta é, sem dúvidas, positiva.

No universo da ufologia - definida como um campo de estudos sobre fenômenos extraterrestres - o município do Sertão Central do Ceará aparece como o cenário ideal para quem busca conhecer o que está além da existência humana. 

Desde os anos 1960, Quixadá está no mapa de ufólogos, cientistas amadores, e turistas cujo propósito é desvendar experiências anômalas e não-humanas na região. A fama, inclusive, rendeu à cidade o título de “capital nordestina dos discos voadores”, segundo conta o guia turístico Ricardo Lima.

Ricardo é um dos organizadores da “Vigília Ufológica”, uma das atividades disponíveis em Quixadá para turistas e ufólogos dispostos a se conectar com o além.

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Em entrevista ao Diário do Nordeste, o guia afirma que o projeto surgiu em 2024, inspirado nas diversas experiências de moradores que relatam terem entrado em contato com seres de outro mundo.

“Quixadá é rica em diversos aspectos do turismo. Muitos visitantes chegam aqui em busca de aventura, mas acabam se deparando com o imaginário. Minha ideia, então, veio para reunir as duas coisas”, explica.

Grupo de pessoas explorando uma a Trilha da Pedra do ET, em Quixadá, com lanternas, usando roupas adequadas e sorrindo, em uma aventura de passeio em cavernas subterrâneas.
Legenda: As vigílias também oferecem conhecimentos em trilhas e exploração.
Foto: Ricardo Lima/Arquivo Pessoal.

O passeio foi pensado em torno da Trilha da Pedra do ET, local conhecido por vários avistamentos de Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs). Até o momento, foram realizadas seis vigílias, compostas por grupos entre 8 a 20 pessoas.

Para Ricardo, a ambientação também é importante para a experiência. “Começamos (a vigília) a partir das 21h30, quando tudo está escuro. Passamos pela Pedra do ET e seguimos por dois quilômetros até chegarmos a um monólito de 350 metros de altura. Lá, a gente passa a noite e espera algo interessante acontecer”, diz.

Vigília oferece a chance de observar o desconhecido

Apesar de recente, a “Vigília Ufológica” de Quixadá já foi responsável por deixar participantes em dúvidas sobre o que há além do físico. Ricardo lembra, em particular, de um episódio ocorrido na segunda edição, em 11 de janeiro de 2025.

“Quando chegamos ao monólito, vimos uma estrela-cadente cruzar o céu e, em seguida, uma luz branca com um rastro vermelho zigue-zaguear sobre nossas cabeças. Depois, lá pelas três horas da manhã, em outro ponto do céu, a mesma luz esbranquiçada reapareceu. A surpresa foi que, dessa vez, eram duas. Elas subiam e desciam”, narra.

Grupos de pessoas explorando uma caverna em Quixadá, no Ceará, com iluminação em destaque na parede rochosa, criando uma atmosfera de aventura e exploração subterrânea.
Legenda: A maioria dos relatos dados pelos participantes são de pontos luminosos estranhos que atravessam o céu de Quixadá.
Foto: Ricardo Lima/Arquivo Pessoal.

Neste dia, o fato mais interessante para o grupo aconteceu às 4h da manhã. Conforme Ricardo, apenas ele e mais três turistas estavam acordados quando perceberam que uma forte bola de luz emergia dos céus em direção à vigília. “O tamanho dela, a olho nu, era como se fosse uma ‘bola do Kiko’”, detalha, sobre a luz misteriosa.

Uma das pessoas que estava acordada começou a gritar, aí todo mundo acordou. E nessa noite o céu tava metade nublado e metade estrelado, cheio de estrelas limpas. A partir do momento que há os gritos, essa luz para de crescer e começa a se movimentar para o lado esquerdo, onde é a parte do nublada do céu. Ele entra na parte nublada e some
Ricardo Lima
Guia turístico

Desde então, o guia afirma nunca ter visto nada parecido, apenas pontos luminosos que aparecem ocasionalmente. “Eles vêm e vão. Não sei o que são eles, mas fico desconfiado. Eles aparecem por uns 10 a 15 minutos e depois desaparecem para o nada”, finaliza.

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Encontro entre ufólogos discute mistérios da região

Outra opção para os interessados em aprofundar nos estudos da ufologia é participar do Encontro Ufológico de Quixadá, que, em 2025, teve sua 11ª edição. A agremiação reúne, anualmente, pesquisadores de todas as partes do Brasil no hotel Pedra dos Ventos, onde realizam rodas de conversa e atividades interativas. 

José Wellington, palestrante e um dos responsáveis pelo evento, destaca que já documentou uma centena de casos de contatos entre seres humanos e extraterrestres. Essas histórias são revisitadas nas edições do Encontro e debatidas com os participantes.

“Hoje em dia, é muito mais fácil catalogar esses avistamentos. As pessoas gravam e publicam nas redes sociais, ou mandam seus casos diretamente para a gente. Essa é uma maneira de revelar ao mundo a verdade sobre nossa relação com estes seres”, detalha.

Quixadá, pedra da galinha choca
Legenda: Famosa pedra da galinha choca, de Quixadá, no sertão cearense
Foto: Cid Barbosa

Além da interação entre os ufólogos, o Encontro também proporciona vigílias para observar as estrelas. Para Wellington, Quixadá possui uma “forte energia” que atrai todo e qualquer tipo de evento que foge da explicação comum.

“Eles (as criaturas) trabalham em conjunto com a humanidade. Eles observam o nosso progresso ao longo dos anos e, de vez em quando, decidem entrar em contato. Quixadá está na rota deles por ser um povoado populoso, mas discreto. Isso permite que eles atuem sem serem vistos, e que deixem uma marca no ecossistema”, alega.

A próxima edição do Encontro de Ufologia está marcado para abril deste ano, ainda sem dia definido, em Guaramiranga, no Teatro Municipal, Rachel de Queiroz.

Prefeitura planeja ações de fomento ao astroturismo

Ao Diário do Nordeste, a prefeitura de Quixadá, por meio da Secretaria de Turismo, informou que tem observado um aumento no número de turistas interessados no misticismo presente no município, e que planeja ações para capitalizar este sucesso.

Uma das ideias é a criação de um Centro de Apoio ao Turista, a ser sediado na Praça da Estação. Em entrevista a reportagem, o secretário de turismo, Fabiano Barbosa, adiantou que o equipamento "já está na fase de licitação".

"Ele terá uma decoração com elementos que remetem à ufologia, além de um espaço para relembrar os filmes sobre o assunto filmados em Quixadá", diz. Ainda conforme o secretário, a previsão de entrega é para o primeiro semestre deste ano.

Visitantes em uma galeria de arte em Quixadá, no Ceará, observando obras variadas, incluindo ilustrações de alienígenas e cenas de ficção científica, com uma parede de fundo colorida e temática futurista.
Legenda: A prefeitura de Quixadá planeja que este centro de apoio seja a porta de entrada para outras atividades turísticas da cidade.
Foto: Divulgação/Prefreitura de Quixadá.

Outra proposta para o município - e a mais ambiciosa - é a construção do maior Centro Ufologista do Brasil. O local foi pensado junto à comunidade ufológica como um espaço totalmente dedicado ao estudo, pesquisa e difusão das descobertas sobre os, supostos, fenômenos extraterrestres.

A reportagem conversou com Robisson de Alencar, um dos principais nomes da ufologia em Quixadá, que está envolvido na construção deste Centro. Conforme relatado por ele, o projeto está na fase de capitação de recursos.

"Nós já temos o terreno, de mais ou menos 10 mil metros quadrados. Já temos a planta e uma diretoria. O próximo passo é pôr isso em prática", celebra.

*Estagiário sob supervisão da jornalista Karine Zaranza

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