Como alunos e professores usam IA nas escolas do Ceará

Conselho Nacional de Educação prepara documento sobre uso de IA no ambiente escolar, entre vantagens e riscos.

Escrito por
Diego Barbosa diego.barbosa@svm.com.br
Na imagem, fotografia em close-up focada nas mãos de uma criança e de uma pessoa adulta sobre uma mesa branca. A criança interage com a tela de um tablet, enquanto a pessoa adulta segura uma caneta digital branca, apontando em direção ao dispositivo. A cena sugere um momento de aprendizado mediado por tecnologia.
Legenda: Pesquisa aponta que 37% dos estudantes de Ensino Fundamental e Médio utilizam IA para realizar tarefas escolares.
Foto: T.Photo/Shutterstock.

Gerar resumos sobre um texto complicado. Elaborar atividades para dinâmicas em grupo. Ajustar a grafia de construções complexas. No fim, já se sabia: a inteligência artificial chegaria em todos os segmentos, inclusive na Educação. A tecnologia é realidade em escolas do Brasil e do mundo e, no Ceará, caminha entre vantagens e desafios. 

Estudantes, professores e pesquisadores situam o panorama na lida diária, e garantem: a ideia é de que ferramentas virtuais sejam apoio, não substitutas da mente humana. No panorama geral dos termos, os números são expressivos. 

Pesquisa TIC Educação 2024 – publicada em 2025 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, abrangendo as cinco regiões brasileiras – aponta que 37% dos estudantes de Ensino Fundamental e Médio utilizam plataformas e ferramentas de IA para realizar tarefas escolares. Quando se observa apenas o Ensino Médio, o percentual salta para 70%.

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No tocante aos professores, esse mesmo estudo revela que 43% dos docentes lançam mão de ferramentas de IA generativa na preparação de conteúdos didáticos. Ao se verificar apenas aqueles que lecionam no Ensino Médio, esse percentual cresce para 58%. Recursos de IA também têm sido utilizados por gestores das escolas e dos sistemas de ensino.

“A tendência é que a IA se torne cada vez mais integrada ao cotidiano escolar, tanto na personalização do ensino quanto no apoio ao planejamento docente. A forma de transmitir conteúdos deve se tornar mais dinâmica, com foco em resolução de problemas, análise crítica e interdisciplinaridade”, avalia Maria Rydleily de Albuquerque Leal.

Professora de Matemática da rede pública estadual de ensino, ela divide a rotina com o Diário do Nordeste em momento oportuno. Na última segunda-feira (23), a comissão do Conselho Nacional de Educação – criada para debater regras para uso de IA em escolas da educação básica e universidades – apresentou a versão inicial de um documento cujo parecer deve receber votos em 16 de março. O Ministério da Educação solicitou ajustes no texto

Na imagem, um estudante jovem, visto de perfil, está sentado em uma sala de aula usando um tablet apoiado sobre a mesa. Ele tem cabelos escuros, usa óculos de armação fina e veste uma camiseta preta. Ao fundo, outros alunos aparecem desfocados, e há um mural colorido na parede. O ambiente sugere um cenário de aprendizado digital e tecnologia na educação.
Legenda: Para pesquisador, escola não ganha ao se colocar contra a tecnologia.
Foto: dieddin/Shutterstock.

Questões como a inclusão da inteligência artificial no currículo dos alunos e o uso da ferramenta pelos professores estão entre as regras. O conteúdo passou por um ano e meio de debates na comissão com especialistas, o Ministério da Educação e a Unesco. Após votação, vai para consulta pública e mais uma votação no plenário do conselho. Por fim, homologação do ministro Camilo Santana. 

O uso de ferramentas como o Chat GPT para elaboração de atividades, planejamento de aulas, criação de avaliações contextualizadas e adaptação de conteúdos para estudantes com necessidades específicas, contudo, já são efetivas no cotidiano de Rydleily.

Ela também utiliza o Canva para produção de materiais didáticos mais visuais e organizados, e o Google Classroom como apoio na organização das atividades e comunicação com os alunos. “Comecei a utilizar IA de forma mais sistemática a partir de 2023, inicialmente para otimizar o planejamento e, posteriormente, para enriquecer as estratégias pedagógicas”, diz.

Na imagem, fotografia em ângulo baixo do Ministro da Educação, Camilo Santana, um homem branco de cabelos curtos levemente grisalhos, falando ao microfone. Ele veste um terno azul-escuro, camisa branca e gravata amarela com padrão quadriculado. Na mão esquerda, ele segura o microfone e um pequeno cartão com anotações manuais onde se lê
Legenda: Ministério da Educação solicitou ajustes no texto da comissão do Conselho Nacional de Educação sobre uso de IA em escolas.
Foto: José Cruz/Agência Brasil.

A escola onde trabalha – a EEEP Leopoldina Gonçalves Quezado, localizada em Aurora, município do interior cearense, distante 480 km de Fortaleza – aderiu parcialmente à tecnologia. Há incentivo ao uso de ferramentas digitais, mas coexistem limitações estruturais, a exemplo de acesso desigual à internet e a equipamentos.

Ainda assim, o uso de IA é presente em sala de aula, sobretudo como “ferramenta de apoio à aprendizagem e não como substituta do raciocínio do aluno”. Rydleily atua com dinâmicas em que os estudantes analisam respostas geradas por IA, identificam possíveis erros, aprimoram resoluções e comparam estratégias de resolução, especialmente em Matemática.

“Também proponho situações-problema nas quais os alunos precisam formular perguntas adequadas para obter respostas mais precisas da ferramenta, desenvolvendo pensamento crítico e letramento digital. A IA se torna produtiva quando mediada pelo professor e alinhada aos objetivos pedagógicos”, percebe.

“A escola não ganha ao ir contra a tecnologia”

Os desafios se sobressaem, porém. Entre os principais citados pela professora, estão formação docente adequada, infraestrutura tecnológica e risco de uso superficial das ferramentas. Em um contexto de alta conectividade, o maior entrave, segundo ela, é ensinar o aluno a utilizar a IA como apoio cognitivo, e não como atalho. 

“Acredito que a IA se torna aliada quando trabalhamos ética digital, autoria, interpretação e resolução de problemas. O foco deve permanecer no desenvolvimento das competências, e não apenas na obtenção rápida de respostas. Mais do que transmitir informação, o papel do professor será mediar, orientar e desenvolver competências socioemocionais e cognitivas que a tecnologia não substitui”.

43%
dos docentes lançam mão de ferramentas de IA generativa na preparação de conteúdos didáticos

A opinião ecoa no olhar do professor Ademar Celedônio, diretor de Ensino e Inovações de uma franquia de escolas privadas. Para ele, há três ideias centrais que devem orientar a regulação sobre o tema:

  • Proteger o estudante;
  • Preservar a responsabilidade pedagógica do professor;
  • Estabelecer uma governança clara sobre o uso da inteligência artificial na escola, com critérios bem definidos.

O movimento, claro, envolve supervisão humana obrigatória em decisões sensíveis, regras claras sobre autoria, proteção de dados e limites de vigilância, além de transparência e rastreabilidade. Também passa, conforme observa, por formação contínua de professores e estudantes e responsabilização dos fornecedores de plataformas.

“A norma precisa deixar explícito onde a IA pode apoiar – como no planejamento, na personalização e no suporte ao professor – e onde não pode substituir o humano, como na avaliação formativa, em decisões pedagógicas e no uso de dados dos estudantes. Deve ser tratada como agenda de aprendizagem e proteção, não como corrida pela novidade”.

Ou seja, nas palavras do próprio mestre, a escola não ganha ao ir contra a tecnologia, mas ao formar cidadãos capazes de utilizá-la de maneira crítica e responsável. 

Usar, mas sem abandonar métodos tradicionais

Marcos Isaac é um dos estudantes que até aqui tem equilibrado o uso de IA no aprendizado. Discente do curso de Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC), ele é egresso da EEM Luíza Távora Promorar, no bairro Jardim das Oliveiras, em Fortaleza, e utiliza ferramentas digitais em casos específicos.

“Quando leio algum texto de difícil interpretação, peço à IA pra dar uma simplificada. Também peço para gerar perguntas e às vezes resumos, mas sempre com muito cuidado e atenção. As plataformas que costumo usar são o ChatGpt e o Gemini”, conta.

Na imagem, foto em ângulo superior e levemente desfocada mostrando duas crianças interagindo com um tablet sobre uma mesa branca. Uma das crianças segura uma caneta digital branca, apontando para a tela que exibe uma tabela ou atividade educativa. Apenas parte do rosto e das mãos das crianças é visível, com foco principal no uso da tecnologia no aprendizado.
Legenda: Professor defende a necessidade de cuidado diante de ferramentas ainda em desenvolvimento.
Foto: T.Photo/Shutterstock.

No posto de universitário, não costuma usar a tecnologia em sala de aula. Mas há dois anos, quando estudava na rede estadual de ensino, era diferente – em especial quando se tratava de trabalhos. Utilizava para ajustar alguma ideia ou corrigir algum texto, afinal “sempre tivemos facilidade no manejo”. A principal diferença proporcionada pelas ferramentas no dia a dia é o acesso mais rápido a informações, comparado a outros meios de pesquisa.

Resultado: sente que tem aprendido conteúdos de forma mais clara e fácil. “Recomendaria uso de IA, sim, mas não deixando os métodos tradicionais de estudos de lado. Defendo o uso moderado e consciente, somente como ferramenta de apoio, não como único instrumento de aprendizagem”. Quando questionado sobre como enxerga o futuro desse cenário, é enfático.

“Por um lado caminha para um lado sombrio, pois vemos alunos que jogam o trabalho no Chat GPT, por exemplo, e só ‘copiam e colam’, sem averiguar se a informação é verdadeira, sem saber do conteúdo. Ali ele não exerce o pensamento crítico, não estimula ideias. Então, pode impactar dessa forma negativa”.
Marcos Isaac
Estudante

No panorama da rede privada de ensino, impressões se repetem. O professor PA Damasceno sinaliza a necessidade de cuidado diante de ferramentas ainda em desenvolvimento. Ele utiliza a IA de forma pessoal para elaborar slides, organizar a estética de trabalhos ou analisar textos produzidos para materiais aos alunos. No entanto, quando encara o modus operandi das instituições em si, percebe que o uso da tecnologia “ainda é incipiente”.

“São mais os profissionais, dentro de cada área de ocupação, que a utilizam. Ao mesmo tempo, vivemos um momento dúbio em sala de aula porque, na prática diária de ensino-aprendizagem, há agora a proibição do uso do celular – mesmo com a emergência das tecnologias digitais”, dimensiona.

Não à toa, convida à reflexão: que tipo de informação queremos para a próxima geração de brasileiros? “O Brasil tem um fosso educacional gigantesco, que precisa ser vencido. A IA é um elemento a mais para ser discutido. Ela não faz nada só. O problema é como a gente ensina os alunos a usá-la com senso crítico, independência e autonomia, como um matemático usa uma calculadora científica. Ele sabe fazer o cálculo, mas, ao lançar mão da máquina, está acelerando o processo. O que a IA faz é isso, acelerar. A questão é ficar não só na produção, mas também na interpretação e na análise”.

O que diz a Secretaria de Educação

Indagada pela reportagem sobre a adoção de IA nas escolas públicas do Ceará neste ano, quais diretrizes são buscadas nesse processo e a quantas anda o desenvolvimento do Plano de Educação Digital do Estado – política pública voltada ao segmento – a Secretaria da Educação (Seduc-CE) diz que “orienta e promove a formação para que professores e gestores estejam aptos a utilizar a IA”.

Ao mesmo tempo, conforme a nota, “reconhece a autonomia da escola para fazer o uso, quer de forma transversal ou, ainda, em componentes curriculares ou eletivas que promovam a cultura digital, sendo um dos elementos a IA”.

Na imagem, em primeiro plano, um estudante de camiseta azul está sentado em uma mesa de sala de aula, escrevendo em um caderno ao lado de um laptop aberto. A tela do laptop exibe uma interface de programação em blocos (estilo Scratch), com comandos coloridos empilhados. Ao fundo, outros alunos estão em suas mesas e uma professora de cabelos claros conversa com um estudante perto de uma janela iluminada, criando um ambiente escolar moderno e tecnológico.
Legenda: Conforme Seduc-CE, há parceria da pasta com o Google para uso da ferramenta Gemini em todas as escolas da rede estadual.
Foto: Ground Picture/Shutterstock.

De acordo com a pasta, há parceria com o Google para uso da ferramenta Gemini em todas as escolas da rede estadual. Além disso, encontra-se, em fase de elaboração, o Catálogo de Indicações do Uso Pedagógico de Inteligência Artificial 2026, com previsão para o mês de março. Entre outros passos listados pela Secretaria, está a formação de 738 professores da rede estadual, envolvendo 83 escolas de diferentes regiões do Ceará. 

A implementação da IA nas escolas não ocorre de forma impositiva ou restrita a disciplinas específicas. Após a formação, o uso da tecnologia passa a ser uma decisão pedagógica do professor, de acordo com o planejamento e os objetivos de aprendizagem de cada área”.

Quanto ao Plano de Educação Digital do Ceará, a pasta diz que é um documento orientador para que Seduc e escolas possam conduzir processos de atualização curricular e de desenvolvimento profissional docente. Atualmente, encontra-se em fase de diagramação.

Virtual e analógico juntos

O já mencionado Ademar Celedônio, diretor de Ensino e Inovações de uma franquia de escolas privadas, evoca mais um tipo de perspectiva considerando o contexto de inteligência artificial: a possibilidade da harmonia entre o virtual e o analógico. 

Isso porque, segundo ele – bem como os professores e o estudante entrevistados nesta reportagem – observa-se um movimento de retomada e valorização de práticas mais analógicas, frequentemente associado às restrições ao uso de celulares em sala de aula. 

Esse fenômeno, para o estudioso, reflete uma preocupação legítima com foco, atenção e qualidade da aprendizagem. Trata-se de um debate ocorrido em diversos países, e que agora também alcança universidades e faculdades no Brasil.

Na visão dele, contudo, há ressalvas. “Existe um risco quando medidas desse tipo deixam de considerar a intencionalidade pedagógica e passam a representar uma negação mais ampla da tecnologia. Proibir sem educar pode afastar a escola do papel formativo, especialmente diante das habilidades que os jovens precisarão desenvolver para o mundo contemporâneo”.

Não sem motivo, o professor acredita no equilíbrio e no papel das instituições escolares  de estabelecer regras claras, alternar práticas analógicas e digitais e, sobretudo, ensinar o uso responsável e crítico da tecnologia, incluindo a inteligência artificial

“Nesse contexto, o analógico não representa retrocesso, mas uma ferramenta complementar, capaz de promover maior concentração e aprofundamento cognitivo, enquanto o digital amplia possibilidades de criação, acesso à informação e desenvolvimento de novas competências”. 
Ademar Celedônio
Diretor de Ensino e Inovações de franquia de escolas privadas

Imerso nesse processo de reflexão sobre IA nas escolas, Ademar Celedônio também é um dos responsáveis pelo Guia para Uso de Inteligência Artificial na Educação. O documento – gratuito para todos os professores de escolas públicas e privadas – é embasado em referências internacionais reconhecidas,a exemplo da Unesco e do Fórum Econômico Mundial.

Quem o ler, contextualiza o professor, encontrará orientações para estruturar processos institucionais, estabelecer diretrizes para o uso seguro e integração curricular da IA, definir requisitos para a formação docente e delimitar os papéis de estudantes e educadores, além de recomendações e curadoria de ferramentas.

Letramento para lidar com riscos da IA

Para ele, o letramento em IA para professores deve começar pela pedagogia e não necessariamente pela tecnologia. A questão central é identificar onde a IA pode gerar ganhos no cotidiano da escola. “Essa tecnologia pode ajudar no planejamento de aulas, na elaboração de atividades, adaptação dos materiais, feedback aos alunos , entre outros aspectos. Mas a mais eficaz tem que ser a prática e contextualizada, baseada em situações concretas”.

Ele defende que não são treinamentos técnicos e genéricos que ajudarão o professor. É essencial desenvolver uma cultura do uso crítico, que reconheça os limites, entenda as tendências da tecnologia e desenvolva o treinamento do uso adequado dela. 

“É sempre importante ter a revisão humana, quando a IA é tratada como competência profissional, e não apenas analógica. Aí, sim, ela passa a atuar como ferramenta que amplifica o trabalho docente”.

IA também é reflexo de interesses

Pesquisador da Universidade Estadual do Ceará na área de IA e Ciência de Dados em Educação, além de membro do Comitê de Ciências Humanas e Sociais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, João Batista Carvalho Nunes, por fim, destaca: escolas do Ceará, tanto públicas quanto privadas, não estão preparadas para inserir IA no cotidiano.

A chave para mudança, segundo ele, está na necessidade constante de preparação. “É preciso investir na formação em IA de todos os profissionais que trabalham na educação: professores, gestores e pessoal técnico-administrativo. Também é necessário garantir infraestrutura adequada, assim como desenvolver ferramentas de IA em sintonia com as necessidades e contexto da comunidade escolar”.

Na imagem, vista lateral em plano fechado de uma professora vestindo um blazer bege, segurando um tablet preto com a tela voltada para cima. Ela está em pé em uma sala de aula; ao fundo, de forma desfocada, vários alunos estão sentados em suas mesas utilizando laptops, sugerindo uma aula integrada com dispositivos digitais.
Legenda: Segundo estudioso, tecnologia pode trazer benefícios ou malefícios dependendo de como ela é utilizada.
Foto: Drazen Zigic/Shutterstock.

O pesquisador também frisa a existência de grandes interesses econômicos e políticos por trás das ferramentas de IA. Há vieses na forma como os sistemas de IA foram treinados capazes de reverberar em respostas preconceituosas. 

“Isso precisa ser debatido nas escolas a fim de gerar uma consciência crítica em relação à IA. A tecnologia pode trazer benefícios ou malefícios dependendo de como ela é utilizada”. É difícil prever para onde caminhará o uso da IA nas escolas? Para João Batista, sim, sobretudo diante de um acelerado desenvolvimento científico e tecnológico.

“Precisamos garantir, todavia, que os sistemas de ensino estejam preparados para absorver essas mudanças e se reinventar, mas mantendo o papel de ajudar os estudantes a se desenvolverem plenamente nas múltiplas dimensões, fazendo crescer continuamente a ‘inteligência humana’”.

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