Com ‘bolsas’ para professores e espaços de leitura, Fortaleza lança ações para ampliar alfabetização
Programa de R$ 20 milhões com distintas iniciativas foi anunciado pela gestão municipal nesta sexta-feira (27)
Ampliar a formação de professores com concessão de incentivo financeiro, reforçar o apoio em salas de alfabetização e estruturar espaços de leitura são algumas das ações planejadas pela Prefeitura de Fortaleza e pelo Governo do Estado para avançar na alfabetização na Capital. Nesta sexta-feira (27), o prefeito Evandro Leitão lançou o “Programa FortaLer: Fortaleza de Todos e Todas Alfabetizados”, que terá, segundo a gestão, orçamento de R$ 20 milhões para viabilizar as iniciativas.
Segundo a Prefeitura, o programa tem como objetivo consolidar a alfabetização de estudantes do 1º e 2º ano do ensino fundamental, garantindo o desenvolvimento da leitura, da escrita e do letramento matemático na idade certa.
Veja também
As ações também contemplam o reforço da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Atualmente, Fortaleza, conforme a gestão, tem 214 escolas que abrigam 1.587 turmas do 1º e 2º anos, distribuídas em cerca de 800 salas, ou seja, o público alvo das iniciativas.
O programa é coordenado pela Secretaria Municipal de Educação (SME) e faz parte do Plano Fortaleza Inclusiva e do FORtaleCE, um programa de ações integradas entre prefeitura e Governo estadual.
O prefeito Evandro destacou que o programa antecipa a dinâmica de alfabetização ao iniciar as ações no 1º ano e não somente no 2º, como era feito anteriormente.
Ele também reforçou as mudanças aplicadas nas 632 unidades educacionais da Prefeitura, entre escolas e creches, como a garantia de climatização de 30% dos imóveis do parque escolar e a alteração do cardápio da alimentação escolar.
Confira as ações anunciadas pela Prefeitura:
- Formação para 1.100 professores: Em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece), será oferecida especialização em alfabetização para 1.100 professores da rede municipal durante 15 meses. Terão vagas também para profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE), coordenadores e técnicos da SME e Distritos. Cada participante receberá R$ 6 mil, o que, segundo a Prefeitura, totaliza cerca de R$ 11,6 milhões o investimento;
- Mudanças nas escolas: Cada unidade que tem alunos do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental receberá entre R$ 3 mil e R$ 5 mil para organizar espaços de leitura. Também haverá climatização dessas salas, com investimento estimado em R$ 2,3 milhões;
- Educação inclusiva: O estabelecimento de novos protocolos de avaliação serão implementados para alunos da Educação Inclusiva, garantindo que cada criança seja alfabetizada e avaliada de acordo com suas necessidades específicas;
- Educação de Jovens e Adultos (EJA): Incentivos para que empresas e associações ofertam esta modalidade nos próprios espaços de funcionamento;
- Apoio com agentes de alfabetização: A partir de abril, 440 agentes de apoio atuarão junto a professores em sala, com bolsa de R$ 1.500 por oito meses. Outras 60 vagas serão destinadas à Educação Inclusiva, com bolsa de R$ 1.700. O investimento nessa ação é estimado em R$ 6,1 milhões.
O secretário de educação de Fortaleza, Idilvan Alencar, presente no lançamento, detalhou alguns dos pontos que serão trabalhados. No eixo da formação, de acordo com ele, a especialização terá duração de 15 meses, sendo 12 de aulas e 3 de projeto, com um encontro semanal. A bolsa de R$ 6.000 será paga em duas vezes, sendo R$ 2.000 na metade e R$ 4.000 no final do processo.
Na área da alfabetização inclusiva, Idilvan destacou: "Fortaleza inova e diz: a criança da educação inclusiva não é alguém que, por conta de um laudo, deixará de ser avaliada".
Ele afirmou que os protocolos de avaliação desse público serão revisados, já que atualmente crianças da educação especial ficam fora das avaliações externas, como o Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (Spaece), da Secretaria Estadual da Educação, e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Ministério da Educação.
“Existe criança com deficiência que a prova não pode ter três questões na mesma folha, é uma por folha. Vamos ter um protocolo de avaliação da educação inclusiva, vamos ser pioneiros neste país”.
Sobre a alfabetização de adultos, haverá uma chamamento a empresas e associações para que as mesmas garantam oferta de educação para este público. Sem precisar a data, o secretário informou que a SME deve lançar “em breve” editais que irão conceder apoio com professores e material pedagógico às organizações que se dispuserem ofertar esta modalidade de ensino.
Índice de alfabetização em Fortaleza
Segundo o levantamento mais recente divulgado pelo Ministério da Educação, Fortaleza alcançou 74,95% de alunos alfabetizados ao final do 2º ano do Ensino Fundamental em 2024. Esse dado faz parte do Indicador Criança Alfabetizada (ICA) criado pelo MEC para avaliar se as crianças desenvolveram as competências esperadas ao fim do ciclo inicial da alfabetização.
O levantamento é divulgado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao MEC, e cada cidade e estado do país tem uma meta a alcançar.
Pelo critério adotado, são considerados alfabetizados os estudantes que ao final do 2º ano do Ensino Fundamental leem palavras, frases e textos curtos, identificam informações explícitas e conseguem interpretar conteúdos que articulam linguagem verbal e não verbal, como bilhetes, crônicas e pequenos contos.
O indicador integra também o Compromisso Criança Alfabetizada (CNA), política lançada em junho de 2023 pelo Governo Federal que prevê colaboração entre União, Estados e Municípios para garantir a alfabetização na idade adequada.