CDL propõe balão panorâmico no Centro em comemoração aos 300 anos de Fortaleza

Investimento necessário para o projeto é estimado entre R$ 12 e 18 milhões.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Ilustração de um balão de ar quente azul e amarelo com o texto Fortaleza 300 Anos, sobrevoando uma praça com prédios históricos. O balão possui uma cabine de vidro com pessoas, tendo o mar ao fundo.
Legenda: Na proposta da entidade, a escolha do Centro se dá pela fácil conexão com transporte público e potencial de ativação comercial da região.
Foto: Divulgação/CDL Fortaleza.

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza apresentou, nesta semana, à Prefeitura de Fortaleza uma proposta de instalação de um balão panorâmico de até 150 metros em comemoração aos 300 anos da cidade, celebrado em abril deste ano.

Até a publicação desta matéria, a Prefeitura não se manifestou sobre o assunto. Segundo o projeto que o Diário do Nordeste teve acesso, não há cronograma de execução definido com prazos específicos para o equipamento ficar pronto.

O documento explica que os trâmites de execução podem durar meses, o que pode não ser concluído até abril. Contudo, a CDL diz que a entrega está prevista “dentro da agenda de celebrações dos 300 anos de Fortaleza” — sem datas específicas. 

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O que diz o projeto sobre balão em Fortaleza

O balão panorâmico, segundo a CDL, é um equipamento de elevação vertical inflado com hélio e ancorado por cabos de aço que permite a observação da cidade em 360º. Os dois locais propostos para receber o projeto são a Praça da Estação ou a Praça José de Alencar, ambas no Centro. 

De acordo com o presidente da CDL Fortaleza, Maurício Filizola, a ideia surgiu da observação de modelos de sucesso existentes mundo afora e do desejo de valorizar a área central. Assim, o objetivo da proposta é criar um símbolo permanente do tricentenário da cidade. 

“Desejamos para a cidade algo que possa se tornar um ícone. Temos bem próximo o Beach Park, que é um equipamento turístico que já direciona muitas pessoas de fora para aproveitar, mas a nossa cidade em si, fora a Beira-Mar, não tem algo que chame a atenção”, diz.

Para a execução, o investimento é estimado entre R$ 12 e 18 milhões, com possibilidade de concessão, parceria público-privada (PPP) ou termo de cooperação. A proposta também possui potencial de enquadramento via Leis de Incentivo, conforme a CDL. 

Há ainda a opção de naming rights (cessão dos direitos de nome para uma empresa privada), patrocínios e expectativa de autossustentação financeira por meio da venda de ingressos. A receita projetada é de R$ 12 a 33 milhões por ano.

Conforme Filizola, o projeto do balão panorâmico também foi apresentado à Secretaria de Turismo do Estado. “Esse equipamento traria retorno financeiro e visibilidade para a cidade no ano em que ela completa 300 anos”, afirma. 

Potencial turístico, cultural e econômico

Conforme a CDL, o equipamento urbano estruturante é pensado para ser um novo cartão-postal de Fortaleza e um “motor de requalificação” do bairro, unindo “experiência panorâmica, geração de empregos, fortalecimento do comércio e posicionamento de Fortaleza como destino inovador no turismo brasileiro”. 

O projeto é estratégico para a Prefeitura pois requalifica o Centro sem grandes obras estruturais invasivas, gera empregos e ativa o comércio, pontua a CDL. E, segundo Filizola, a lógica da proposta é movimentar a região. 

“O que a gente quer é uma cidade que seja mais cada vez mas a atratividade turística que movimente, porque comércio é movimento e quanto mais pessoas nós colocarmos para movimentar o Centro, vai criar emprego e renda”, afirma Filizola.

Vista inferior de um balão azul com listras amarelas. Uma cabine circular metálica e envidraçada, repleta de pessoas, está suspensa por cabos sob o balão contra um céu claro.
Legenda: O balão será suspenso por cabos de aço e tem capacidade de até 30 pessoas por subida.
Foto: Divulgação/CDL Fortaleza.

Além disso, a maior circulação de consumidores pode refletir positivamente na arrecadação de impostos estaduais e municipais, permitindo que o poder público reinvista esses recursos na própria população.

Entre outros impactos estão:

  • Novo marco visual da cidade;
  • Reforço à centralidade do Centro;
  • Geração de empregos diretos e indiretos;
  • Visitas escolares e educação patrimonial;
  • Programações culturais associadas.

O balão terá capacidade de até 30 passageiros por ciclo, com tempo médio por subida de 6 a 10 minutos. Assim, por hora, 180 e 240 passageiros poderão ser transportados. A área necessária é de 48 a 60 metros de diâmetro. 

Junto do equipamento panorâmico, o projeto também prevê uma base integrada a parque urbano temático com paisagismos e mobiliário urbano, área de convivência, acessibilidade universal e organização de fluxos.

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Outras experiências no Ceará

O balonismo é uma prática já realizada no Estado. Em Pacoti, cidade do Maciço de Baturité, é possível fazer um passeio de balão na modalidade “voo cativo”, na qual o balão sobe ancorado ao solo por meio de cordas, podendo subir até 50 metros. Na região, o custo da viagem é de R$ 200 cada subida, com duração média de 5 minutos. 

Legenda: Modalidade “voo cativo”, na qual o balão sobe ancorado ao solo por meio de cordas, é praticada em Pacoti
Foto: Divulgação

Em Fortaleza, o primeiro voo de balão foi realizado em 1º de janeiro de 1907 pelo pernambucano José Pereira da Luz, capitão da Guarda Nacional. A bordo do balão nomeado de ‘Brasil’, ele passeou pelo Centro da cidade e desceu na direção da Praia do Arpoador, no bairro Cristo Redentor. 

Fotografia antiga em tons de verde e branco mostrando um enorme balão esférico no pátio de um edifício colonial. Diversas pessoas em trajes de época observam a estrutura monumental ao redor.
Legenda: Primeiro voo de balão causou um alvoroço em Fortaleza, movimentando a cidade.
Foto: Reprodução/Arquivo Nirez.

Dias depois, ele tentou repetir o feito, inflado pelos fortalezenses deslumbrados pelo que haviam visto, mas acabou falhando e indo parar no hospital. Logo que o balão subiu, com dificuldade, tropeçou nos telhados das casas até esbarrar em um posto e tombar violentamente.

Zé da Luz foi encontrado caído, em meio às cordas, com a perna esquerda fraturada. Ele foi levado à Santa Casa de Misericórdia e ficou internado por cerca de três meses. 

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