Fortaleza e o teste dos 300 anos: revitalizar o Centro da cidade

Prefeitura e Câmara mostram prioridade nas ações, mas concretizar mudanças demanda ainda mais realizações.

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
Legenda: Obra foi entregue dentro do prazo estipulado.
Foto: Kid Jr / SVM.

Fortaleza se aproxima dos 300 anos com uma demanda que atravessa décadas: a revitalização do Centro. Sempre houve discursos, planos estratégicos e ideias, mas nada disso avançou como deveria. O marco histórico pode ser um divisor de águas para essa área tão especial e valiosa da Cidade. 

A ação mais visível do poder público na Capital, sem dúvida, é a transferência da sede da Câmara Municipal para o Centro. Um projeto tocado pelo presidente da Casa, Léo Couto, que está em fase inicial, mas promete agregar valor à região. 

Desde que assumiu a Prefeitura de Fortaleza, em janeiro do ano passado, o prefeito Evandro Leitão (PT) colocou a requalificação do Centro como eixo estratégico de gestão para o tricentenário.

Legenda: Prefeito teve reunião na segunda (23) para apresentar à CDL as ações para os 300 anos da Capital
Foto: Divulgação/Prefeitura de Fortaleza

Em reunião na última segunda-feira (23), com empresários da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL), o prefeito detalhou intervenções como a requalificação da Cidade da Criança, a reforma completa da Praça do Ferreira, a revitalização do histórico Café Java, na Praça dos Leões, e a preparação para o início das obras na Praça da Bandeira. 

As ações desenvolvidas até aqui pela gestão, somadas a projetos estruturantes como o da Câmara, são capazes de modificar a percepção de inércia do poder público que se arrastou por anos na área da Cidade. 

Problema complexo e compartilhado 

Mas o desafio de Fortaleza não é isolado. Grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife convivem com dilemas semelhantes em seus centros históricos. Entre eles estão o esvaziamento residencial, o alto custo de requalificação, as mudanças nos padrões de consumo, a insegurança e a vulnerabilidade social. 

Fortaleza enfrenta exatamente esse conjunto de obstáculos, o que deixa claro: reformar praças e logradouros é um avanço e pode ser o início, mas, isoladamente, não resolver o problema. 

O desafio do tricentenário 

O cenário da Capital aos 300 anos é ambivalente: há avanços concretos, mas os desafios históricos permanecem robustos. 

O Centro voltou à agenda prioritária da Prefeitura, o que é relevante. Porém, revitalizar o coração da cidade exige continuidade administrativa, financiamento sustentável e mudança cultural no uso do espaço urbano. 

Fortaleza entra no seu quarto século com uma certeza: revitalizar o Centro não é apenas um projeto urbanístico. É uma decisão estratégica sobre que cidade quer ser.