Fortaleza e o teste dos 300 anos: revitalizar o Centro da cidade
Prefeitura e Câmara mostram prioridade nas ações, mas concretizar mudanças demanda ainda mais realizações.
Fortaleza se aproxima dos 300 anos com uma demanda que atravessa décadas: a revitalização do Centro. Sempre houve discursos, planos estratégicos e ideias, mas nada disso avançou como deveria. O marco histórico pode ser um divisor de águas para essa área tão especial e valiosa da Cidade.
A ação mais visível do poder público na Capital, sem dúvida, é a transferência da sede da Câmara Municipal para o Centro. Um projeto tocado pelo presidente da Casa, Léo Couto, que está em fase inicial, mas promete agregar valor à região.
Desde que assumiu a Prefeitura de Fortaleza, em janeiro do ano passado, o prefeito Evandro Leitão (PT) colocou a requalificação do Centro como eixo estratégico de gestão para o tricentenário.
Em reunião na última segunda-feira (23), com empresários da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL), o prefeito detalhou intervenções como a requalificação da Cidade da Criança, a reforma completa da Praça do Ferreira, a revitalização do histórico Café Java, na Praça dos Leões, e a preparação para o início das obras na Praça da Bandeira.
As ações desenvolvidas até aqui pela gestão, somadas a projetos estruturantes como o da Câmara, são capazes de modificar a percepção de inércia do poder público que se arrastou por anos na área da Cidade.
Problema complexo e compartilhado
Mas o desafio de Fortaleza não é isolado. Grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife convivem com dilemas semelhantes em seus centros históricos. Entre eles estão o esvaziamento residencial, o alto custo de requalificação, as mudanças nos padrões de consumo, a insegurança e a vulnerabilidade social.
Fortaleza enfrenta exatamente esse conjunto de obstáculos, o que deixa claro: reformar praças e logradouros é um avanço e pode ser o início, mas, isoladamente, não resolver o problema.
O desafio do tricentenário
O cenário da Capital aos 300 anos é ambivalente: há avanços concretos, mas os desafios históricos permanecem robustos.
O Centro voltou à agenda prioritária da Prefeitura, o que é relevante. Porém, revitalizar o coração da cidade exige continuidade administrativa, financiamento sustentável e mudança cultural no uso do espaço urbano.
Fortaleza entra no seu quarto século com uma certeza: revitalizar o Centro não é apenas um projeto urbanístico. É uma decisão estratégica sobre que cidade quer ser.