Censo escolar registra redução de alunos na educação básica; CE teve 24 mil matrículas a menos
A queda não significa, necessariamente, diminuição da oferta de vagas ou piora no acesso à escola.
Seguindo tendência já observada no Brasil nos últimos anos, o Ceará registrou queda no número de matrículas na educação básica entre 2024 e 2025. Essa etapa abrange educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, além da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e da educação profissional técnica de nível médio. No Estado, foram contabilizadas 2.108.135 matrículas em 2025, frente a 2.132.934 no ano anterior, ou seja, uma redução de 24.799 estudantes.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e são da primeira etapa do Censo Escolar 2025. O levantamento, realizado e divulgado anualmente, reúne informações sobre escolas, professores, gestores e turmas, além de dados que caracterizam os estudantes da educação básica.
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A queda não significa, necessariamente, redução da oferta de vagas ou piora no acesso à escola. Em grande parte dos casos no Brasil, a diminuição das matrículas reflete mudanças demográficas em curso no país, como a redução da taxa de natalidade que, por efeito, faz com que menos estudantes ingressam na educação infantil e nas etapas seguintes da educação básica, o que impacta o total de matrículas no decorrer dos anos.
O balanço considera o total de estudantes em todas as séries que compõem cada uma das etapas da educação básica.
No cenário nacional, a queda no número de matrículas na educação básica entre 2024 e 2025 também foi registrada. O total de estudantes passou de 47.088.922 para 46.018.380.
A redução aparece na educação infantil, no ensino fundamental e no ensino médio, que perdeu mais de 400 mil alunos no período. A EJA também encolheu. Na contramão, a educação profissional técnica cresceu e ganhou mais de 600 mil matrículas em um ano.
Em coletiva de imprensa, na manhã desta quinta-feira (26), o ministro da Educação, Camilo Santana, ao comentar os dados relevados pelo Censo, afirmou que o maior desafio da educação brasileira é a educação básica.
Camilo destacou que 62,2 milhões de brasileiros não concluíram a educação básica, e ponderou as consequências que esse cenário pode ter "num país com as desigualdades do Brasil". "Quando um jovem conclui o ensino básico, abre portas. Tem um efeito do ponto de vista econômico da qualificação da mão de obra", completou.
O ministro também argumentou que, no Brasil o acesso à educação inicial já foi praticamente universalizado, "mas precisamos garantir a qualidade, a permanência e a equidade", acresentou.
O que explica a redução?
O diretor de Estatísticas Educacionais do Inep, Fábio Pereira Bravin, também na coletiva, destacou que a população brasileira na faixa etária educacional está diminuindo, logo, a redução desse grupo que é alvo da educação básica, pondera ele: "tem impacto sobre o número de matrículas".
Ele também apontou que o atendimento educacional da população de 0 a 3 anos chegou a 39,8% em 2024 e, na frequência brigatória, de 4 a 17 anos, está em 97,2%. O que caracteriza que não há redução da oferta.
"Em que pese haver uma redução no número de pessoas, o atendimento na educação está aumentando. A consequência é que quando vamos olhar o número de matrículas, temos uma redução. Perdemos 1 milhão de matrículas: isso não é um problema, porque o atendimento educacional está aumentando".
Outro fator que pode explicar o recuo das matrículas, segundo Fábio, é a redução da retenção do aluno fora da faixa etária adequada. "Estamos repetindo menos. Os alunos estão repetindo menos. Quando você retém o aluno e não permite que ele avance nas etapas de ensino, você incha o sistema. Se ele é retido, vou mantendo esse aluno e aumentando o número de matrículas. Quando reduzo a distorção idade-série, reduzo matrículas".
Os argumentos foram reiterados pelo ministro Camilo Santana: "Não diminuímos matrículas, o que diminuiu foi a população brasileira. E melhoramos o fluxo desse aluno, ele está passando de ano. Mantemos a cobertura. Não é um problema, é uma solução. O sistema está mais eficiente. Houve uma diminuição porque a população diminuiu e porque o aluno não ficou mais retido".
Cenário em cada etapa
Segundo dados do Censo Escolar, a educação infantil foi a etapa que registrou a maior retração no Ceará, com redução de 11 mil matrículas de um ano para o outro. Já o ensino fundamental, que concentra o maior contingente de estudantes, com mais de 1,1 milhão de matrículas distribuídas pelos 184 municípios, apresentou a menor variação negativa, com 801 alunos a menos no período analisado.
No ensino médio, a queda foi de 8 mil matrículas. Na rede pública (estadual e federal) que concentra 91,3% dos 356 mil estudantes desta etapa de ensino, a perda de um ano para o outro foi de 7, 9 mil estudantes. A perda também ocorreu na rede privada, com 168 estudantes a menos em 2025.
No ciclo anterior, na comparação entre 2023 e 2024, o Ceará teve acréscimo de 6 mil matrículas nesta mesma etapa de ensino na rede pública. O incremento ocorreu no 1º ano de vigor do Programa Pé-de-Meia, uma espécie de poupança estudantil destinada a alunos pobres justamente nesta etapa de ensino para tentar reduzir a evasão e o abandono escolar.
No cenário atual de perda entre 2024 e 2025, apenas dois estados brasileiros não registraram queda nas matrículas do ensino médio, segundo dados do Censo: Pernambuco e Amapá, com crescimento de 1.425 e 280 matrículas, respectivamente, considerando redes pública e privada. São Paulo, que concentra o maior número de estudantes nessa etapa no país, apresentou redução de 251 mil matrículas.
Censo Escolar mostra variação nas matrículas no Ceará
- Educação básica
2025: 2.108.135
2024: 2.132.934
24.799 matrículas a menos
- Educação infantil (creche e pré-escola)
2025: 431.562
2024: 442.621
11.059 matrículas a menos
- Ensino fundamental
2025: 1.129.624
2024: 1.130.425
801 matrículas a menos
- Ensino médio
2025: 356.773
2024: 364.898
8.125 mil matrículas a menos
O que é o Censo Escolar?
O Censo Escolar é a principal pesquisa estatística da educação básica brasileira e é realizado anualmente. O levantamento reúne informações sobre creches, pré-escolas e escolas em todo o país, retratando a situação da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio.
O conjunto de dados funciona como um termômetro do sistema educacional e subsidia a formulação, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas.
A coleta e o tratamento dos dados são coordenados pelo Inep, em regime de colaboração com secretarias estaduais e municipais de educação, e todas as escolas públicas e privadas devem participar.
A pesquisa é de caráter declaratório, ou seja, é respondida pelas próprias escolas e ocorre em duas etapas. A primeira reúne informações sobre unidades de ensino, gestores, turmas, estudantes e profissionais em sala de aula. A segunda registra dados sobre movimento e rendimento escolar ao fim do ano letivo.