Águas do Orós e Castanhão devem chegar à Grande Fortaleza nesta terça (24)
Medida deve complementar sistema de abastecimento metropolitano.
A transferência de água do Açude Orós em direção à Grande Fortaleza, passando pelo Castanhão, foi iniciada na última segunda-feira (23). Parte do volume dos dois maiores açudes do Ceará deve chegar ao sistema hídrico metropolitano já a partir dessa terça-feira (24), de acordo com a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). O Diário do Nordeste havia antecipado a medida no início do mês.
A operação prevê a transferência de água com vazão de até 6 mil litros por segundo (6 m³/s) para garantir o suporte necessário para atender Fortaleza e os municípios vizinhos. Reativada após 7 anos, ela foi motivada por um possível risco de desabastecimento na área.
A medida foi definida em conformidade com as definições da Operação Emergencial 2026.1 das Águas dos Vales do Jaguaribe e Banabuiú. A deliberação tem participação da Cogerh, da Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH), dos Comitês de Bacias Hidrográficas e outras instituições do Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
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O presidente da Cogerh, Yuri Castro, detalhou que a logística envolve uma estação de bombeamento em Jaguaribara, de onde a água sai do Castanhão, e percorre cerca de 200 km pelo Eixão das Águas até chegar ao Açude Pacoti, localizado no município de Pacatuba.
Embora a previsão inicial fosse para quarta-feira (25), Castro revelou que o cronograma foi antecipado devido à eficiência do sistema. “A água já está começando a chegar hoje”, afirmou o gestor nesta tarde, destacando que o fluxo começou a ser percebido em menos de 24 horas após o início da operação.
A transferência é fundamental para manter a estabilidade do sistema metropolitano, especialmente porque o baixo nível do Pacoti - atualmente com 37% do volume - compromete a vazão de água enviada para a Estação de Tratamento de Água (ETA) Gavião, que abastece quase toda a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
Situação dos açudes
Segundo Castro, a operação é uma medida preventiva diante do cenário atual. Apesar de o Orós estar com 72,7% de sua capacidade e de o Estado registrar chuvas acima da média em fevereiro, o Maciço de Baturité - região que abastece naturalmente o sistema Pacajus-Pacoti-Riachão-Gavião - ainda apresenta chuvas abaixo da média.
Atualmente, o Castanhão está com 20% de volume acumulado, conforme o Portal Hidrológico do Ceará.
Yuri enfatiza que a medida é uma precaução necessária, somando-se à transferência já iniciada do Açude Pacajus para o Pacoti. “A operação é só para dar segurança para a região metropolitana de Fortaleza”, conclui o presidente, reforçando o caráter estratégico da ação.
Águas reforçarão Pacoti
A decisão considerou o cenário atual de queda na reserva de açudes da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e a ausência de recarga significativa em reservatórios estratégicos, especialmente o Pacoti.
Segundo estudos da Cogerh, a data-limite para que o Pacoti deixasse de enviar água para o Gavião, considerado a “caixa d’água” de Fortaleza, era justamente 23 de fevereiro.
Nesta segunda, conforme o planejamento operacional, dois movimentos foram iniciados simultaneamente:
- a transferência do Orós para o Castanhão, aproveitando as condições favoráveis do leito do Rio Jaguaribe, o que contribui para reduzir perdas ao longo do percurso;
- a transferência do Castanhão para o Pacoti via Eixão das Águas, reforçando diretamente o sistema da RMF.
A vazão definida para o Orós na reunião de fevereiro é de 8 mil litros por segundo, sendo 6 mil litros por segundo direcionados ao Castanhão para reforço da RMF e 2 mil litros por segundo para usos múltiplos em municípios do Vale do Jaguaribe.