A fartura de ETs de Quixadá e o pobre e solitário ET de Varginha
Não é que tudo no Nordeste seja melhor, mas só imagina quando o Brasil que se impressiona com “O Mistério de Varginha” conhecer direito o fenômeno dos extraterrestres de Quixadá! Pense num susto.
A ótima série sobre o ET mineiro, com direção de Paulo Gonçalves e Ricardo Calil, faz sucesso na Globo e Globoplay. Êxito merecido. Fico só imaginando, porém, o dia em que o país tomar ciência do sortimento de criaturas de outras galáxias que passeiam, quase que diariamente, na terra de dona Rachel de Queiroz.
Veja também
Ela mesma, a escritora, tomou um susto, epa, e confessou, em letras garrafais: “EU VI” — uma crônica de 1960 para revista “Cruzeiro”, como nos lembra Thaís Brito no “G1 – Ceará”. A aparição se deu na fazenda “Não Me Deixes”, no dia 14 de maio de 1960.
O que não falta é testemunha de tais ocorrências de seres extraterrestres naquelas redondezas. É o que vimos no documentário “Labirinto” (2001), de Margarita Hernández e Tibico Brasil. Um desfile de figuras decentes narrando os episódios.
“Francin, macho, esse lugar aqui é a área onde se avista mais disco avoador no Brasil”, diz o personagem Francisgleydisson (ator Edmilson Filho), na extraordinária ficção cearense “Cine Holliúdy” (2012). Bem-vindo a Quixadá, minha gente.
Agora vamos à Varginha, para não dizer que esqueci o caso de lá também. O danado apareceu neste município do sul de Minas, a 313 km da capital Belo Horizonte, no dia 20 de janeiro de 1996. Depois do acontecimento, nunca mais a cidade foi a mesma. Não há como falar do lugar sem associá-lo ao pequeno visitante.
O ET foi visto por três garotas, em um terreno baldio do bairro de Jardim Andere, por volta das 15h. “Eu e a Valquíria achamos que era um bicho, não era gente. A Valquíria perdeu a voz. A Kátia, que é muito nervosa, achou que era o capeta e ficou em estado de choque, achei que ela ia desmaiar, tive que acudir”, contou Liliane de Fátima Silva, 16 anos à época, em registro do portal UFO, especializado no assunto.
Valquíria, irmã de Liliane, tinha então 14 anos, e ficou paralisada diante da criatura mais estranha que já vira sobre a terra. Kátia de Andrade Xavier, com 22 anos, era a mais assombrada e barulhenta ao testemunhar o “horror”, como definiu. Depois da visão, só restou às três meninas saírem em correria para suas casas. Retornaram meia hora depois, com amigos e parentes. Não havia mais nada naquele lugar.
O alienígena havia sido levado por bombeiros. Esta era a justificativa já espalhada no mesmo bairro. Em outra versão, o ET só havia sido capturado às 20h, em uma rua da vizinhança — uma equipe de policiais militares o conduziu ao Hospital Regional de Varginha. Uma ala inteira do local teria sido isolada para tratar a criatura.
E assim a história foi crescendo, com novos personagens e detalhes. O policial Marco Eli Chereze, por exemplo, teria morrido dias depois da captura do extraterrestre, com tumores misteriosos no organismo. Antes de cruzar com o pequeno visitante era um homem saudável, no vigor dos seus 20 e poucos anos. Até bichos do zoológico sucumbiram, contaminados por substâncias tóxicas nunca estudadas.
E como o ET teria descido no sul de Minas? Na madrugada daquele mesmo dia, por volta de 1h, dona Oralina Augusta de Freitas acordou assustada com a correria da boiada da fazenda, a 10km da cidade. O marido Eurico Rodrigues de Freitas ainda estava acordado, vendo tv. O casal de agricultores abriu uma janela da casa e testemunhou um objeto comprido, “do tamanho de um ônibus”, a cinco metros do solo. Luzes piscavam. Uma fumaça branca subia nos ares.
Nunca mais Varginha foi a mesma.
Até a próxima assombração, minha gente.
*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.