Junho de 2022 tem o maior número de dias chuvosos seguidos dos últimos 18 anos

As precipitações consecutivas contribuíram para elevar a média pluviométrica do mês

Escrito por André Costa, andre.costa@svm.com.br

Ceará
Legenda: A Capital cearense registrou chuvas em 14 dos 27 dias iniciais de junho, conforme dados da Funceme
Foto: Fabiane de Paula

Anoitecer ou amanhecer sob chuva tem sido uma tônica em muitas cidades cearenses neste mês de junho. O que pode soar com normalidade para outros períodos do ano, como nos meses que marcam a quadra chuvosa (fevereiro-maio) é completamente atípico para junho, que abre o período da pós-quadra. 

Segundo a Funceme, essa continuidade das chuvas deve-se à permanência de atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Este fenômeno é o principal indutor de chuvas no primeiro semestre do ano no Ceará.

Por definicição, a ZCIT é uma "banda de nuvens que circunda a faixa equatorial do globo terrestre, formada principalmente pela confluência dos ventos alísios do Hemisfério Norte com os ventos alísios do Hemisfério Sul".

Para se ter uma ideia do quão anômalo é este cenário, há 18 anos não chovia em tantos dias consecutivos como o registrado em junho deste ano. Nesse mês, as chuvas foram regulares até o dia 12 de junho, tiveram um intervalo de redução e, no dia 21 recomeçaram, estendendo até o dia 26.

Em 2004, esse período de chuva foi um pouco além. Naquele mês choveu com regularidade até o dia 22, depois uma breve pausa e, novamente, as chuvas voltaram entre os dias 26 a 29.

Junho daquele ano é, inclusive, é aquele com maior volume pluviométrico deste milênio, com 79,4 milímetros. Este índice, contudo, está bem próximo de ser superado neste ano, quando junho já registra 76 mm, faltando ainda três dias para o fim do mês

Em 2022, a data com maior número de cidades banhadas pelas chuvas em junho foi no dia 4, com 146 dos 186 municípios cearenses com índices pluviométricos. No dia seguinte, choveu em 141 cidades. Em ambas as datas, os volumes romperam a marca dos 130 milímetros.

Fortaleza registrou chuvas em 14 dos 27 dias iniciais de junho. A soma média acumula é de, atualmente, de 175.7 mlímetros, o que representa 20% acima da normal climatológica histórica, que é de 145.5 mm. 

Já em 2004, o dia 18 foi o que teve mais municípios banhados no ínterim de 24 horas, com 141. No entanto, apesar de o mês ter menos cidades atingidas pelas chuvas, as pluviometrias foram mais lineares e constantes. Naquele mês, a data com menor quantidade chuvas foi no dia 24, com nove cidades banhadas.

No atual mês, quatro dias (14,17, 18 e 19) tiveram chuvas em menos de cinco cidades, também em um intervalo de 24 horas. 

Padrão é de poucas chuvas

Quando se exclui os anos de 2022 e 2004, o que se vê são meses com baixa pluviometria. Junho dos anos de 2018, 2017, 2016, 2014, 2012, 2008 e 2007 não contou com sequência de dias chuvosos. Houve pluviometria, mas, não de forma consecutivas, elas foram espaçadas e reduzidas.

Em 2021, a sequência foi de apenas dois dias (18 e 19) e, em 2020, sequência pouco maior em relação ao ano subsequente, mas ainda reduzida quando comparado à 2022 e 2004. Naquele ano, junho teve sequência de chuvas apenas entre os dias 7 a 10. E, antes, choveu bem, mas de forma isolada, no dia 5.

No ano de 2019, o mês teve chuvas entre os dias 12 e 14 e, entre 17 a 19. Em 2015, as precipitações seguiram entre 4 a 8, e entre os dias 24 a 26. Em 2013, por sua vez, as chuvas se concentraram apenas entre 13 a 15 e nos dias 22 e 23. No anos de 2011 e 2010, a pluviometria se concentrou em dois dias. Em 2006 e 2005, por sua vez, precipitações concentradas e 4 dias.