Casas afetadas por incêndio na sucata Chico Alves seguem interditadas após 16 dias

Obras necessárias para Defesa Civil liberar local estão pendentes, segundo moradores.

Escrito por
Redação ceara@svm.com.br
Vista de um cenário de destruição pós-incêndio na sucata Chico Alves, com um prédio severamente queimado ao fundo e escombros por toda parte, enquanto pessoas observam a devastação.
Legenda: Bloco de prédio vizinho à sucata Chico Alves foi gravemente afetado pelas chamas e está interditado.
Foto: Thiago Gadelha.

Duas semanas após o incêndio que destruiu a tradicional sucata Chico Alves, no bairro Jacarecanga, em Fortaleza, casas e apartamentos vizinhos atingidos seguem interditados pela Defesa Civil Municipal (DCFor). Moradores se abrigam na casa de amigos e parentes, sem previsão de início das obras necessárias à liberação das residências.

No total, duas casas tiveram interdição total – ou seja, os ocupantes não são autorizados a entrar nelas – e outras seis foram interditadas parcialmente. Nestas, a parte dos quintais foi isolada, devido ao risco de desabamento de um muro compartilhado com a sucata.

Além das moradias individuais, um bloco inteiro do condomínio Frei Damião, localizado ao lado do ferro-velho, com oito apartamentos, também está com acesso restrito desde o dia 24 de dezembro. Enquanto isso, as famílias permanecem longe de casa.

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A comerciante Simone Nunes, que vive no local há três anos, é uma das afetadas. Desde o ocorrido, ela tem apenas cinco minutos por dia para entrar em casa, buscar roupas e insumos necessários ao dia a dia, e sair.

“Não pode ficar lá nem dormir, e não tem água nem luz. Passo o dia no trabalho, das 5h da manhã até meia-noite, e vou dormir na casa de um amigo. Eu tô uma pilha de nervos. É muito complicada nossa situação”, declara Simone, dona de uma marmitaria vizinha à sucata.

Ela e os moradores dos demais apartamentos, afirma, continuam sem previsão de data para voltar para casa.

“Não temos perspectiva. A gente fica nessa incerteza, sem poder ter as coisas da gente. A pessoa sair um dia de casa já é difícil, imagine esse tempo todo?”, reflete, acrescentando que as perdas não se resumem à saúde e à rotina. 

“Aqui no restaurante, perdi uma geladeira. Em casa, as janelas, uma máquina de lavar, televisão e coisas pequenas. E o apartamento tem que pintar todinho, tá todo preto de fumaça”, descreve Simone.

Ela e os outros condôminos prejudicados pretendem se reunir para buscar soluções para a situação.

Risco de desabamento

Imagem mostra fachada da sucata do Chico Alves em Fortaleza apóis incêndio registrado em 24 de dezembro de 2025.
Legenda: Corpo de Bombeiros foram acionados por volta das 23h30 de quarta-feira, véspera de Natal.
Foto: Thiago Gadelha.

Nos apartamentos, “impactados pelas chamas e pelo calor, houve o deslocamento cerâmico, janelas quebradas e avarias em algumas unidades”, como descreve o coronel Haroldo Gondim, coordenador da Defesa Civil de Fortaleza.

Ele informa que “o muro que faz limite com a sucata está bastante danificado”, e que, “enquanto isso não for sanado, os proprietários da sucata não providenciarem essa correção, continuará interditado”. O gestor reforça a importância de prédios residenciais e comerciais manterem sistema preventivo de incêndio em dias.

O incêndio que atingiu a sucata do Chico Alves na véspera de Natal, dia 24 de dezembro de 2025, foi de grandes proporções, destruindo a maior parte dos carros, peças automotivas e outros inúmeros itens no estoque do local. Duas pessoas se feriram na ocasião.

As chamas foram totalmente debeladas quatro dias depois, em uma operação que mobilizou 23 viaturas do Corpo de Bombeiros e cerca de 70 bombeiros militares, em regime de revezamento. 

Ao todo, de acordo com a corporação, foram utilizados cerca de 600 mil litros de água nas ações de combate e rescaldo do sinistro.

A sucata tinha situação irregular junto ao Corpo de Bombeiros e possuía um alvará de funcionamento cancelado junto à Prefeitura de Fortaleza. O documento deveria ser válido de maio de 2025 a maio de 2026.

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