Programação infantil da Bienal do Livro do Ceará traz lançamentos locais

Dentre as atrações do megaevento, que se inicia amanhã (16), lançamentos da literatura infantil convidam crianças e adultos para compartilhar histórias entre si

Legenda: Ilustração de Pablo Manyé para "Levado", de Carolina Campos (CE)

A partir de amanhã (16), até 25 de agosto, acontece a 13ª edição da Bienal Internacional do Livro do Ceará, no Centro de Eventos do Ceará (Edson Queiroz). Durante 10 dias, uma programação extensa e gratuita desafia o público a acompanhar uma série de atividades de incentivo à leitura, dentre palestras, mesas-redondas, oficinas e, logicamente, lançamentos de livros (em torno de 112).

Com o tema "As Cidades e os Livros", a Bienal deve receber, segundo a organização, cerca de 450 mil visitantes e 300 convidados, entre escritores, ilustradores, além de outros protagonistas do cenário literário. A programação ainda conta com várias segmentações, a exemplo da literatura infantil.

Voltada a crianças e pais, um dos destaques da Bienal será o lançamento do livro "João Sem Braço", escrito pela autora cearense Márcia Sucupira, e ilustrado por Eduardo Azevedo, no dia 23 de agosto, às 19h, no estande da editora Expressão Gráfica.

Centrado na historinha de um garoto que gosta de jogar futebol, apesar de não ter um braço, o enredo toca na questão da aceitação das diferenças.

O pai de Márcia, já falecido, não tinha uma perna, e inspirou a criação do texto. Para a autora, é seu segundo lançamento na Bienal: em 2006, ela tinha lançado "Crônicas Contemporâneas" na programação do evento.

"A Bienal ainda era no Centro de Convenções menor, não tinha essa amplitude que possui hoje. Gosto de escrever sobre novas possibilidades para a criança. Já tinha feito um livro sobre uma princesa que não se casa ("A Princesa Prendada"), que prefere estudar fora e viver outros caminhos. E aí quis tratar um pouco sobre inclusão na infância, com o João Sem Braço", situa a escritora.

Márcia revela que "João Sem Braço" é baseada em uma história real. Maria Eduarda, filha de uma amiga da autora, nasceu sem um braço e hoje está na adolescência. "Ela soube lidar bem com a questão. Mas eu quis colocar um menino que joga futebol, para ampliar a história. E mostrar que o fato de você ter uma impossibilidade física, não te impede de fazer grandes coisas", reflete.

Carinho

Autores de "As Aventuras da Princesinha Cereja e o Príncipe de Chocolate", Sérgio Magalhães e Kátia Castelo Branco encaram a literatura, segundo ele, como um "carinho" com o qual se envolve as crianças. O novo livro da dupla, também ilustrado por Eduardo Azevedo, terá o lançamento dia 22 de agosto, às 17h, no estande da editora Expressão Gráfica.

Legenda: A dupla de personagens Princesinha Cereja e o Príncipe de Chocolate
Foto: Ilustração: Eduardo Azevedo

"Estamos convidando o pessoal de Itapajé (cidade do autor), Viçosa do Ceará (onde mora a autora) e Uruoca. Vamos abrir uma grande roda de contação de histórias", antecipa Sérgio. Ele observa que o apelo da história faz um jogo com a percepção das cores. E o enredo se passa em um reino de doces.

"Nós resolvemos criar dois personagens e provocar a sociedade a se divertir com eles. O mais interessante é que eles não têm tempo pra perceber de que cor são. Se é loira dos olhos azuis, se ele é um café com leite, ou um chocolate bem gostoso. São duas crianças felizes que brincam no reino de doces", sintetiza o autor.

Na última edição da Bienal do Livro, em 2017, Sérgio Magalhães recapitula que lançou a história de Romeu e Julieta em formato de cordel. Para ele, o papel do escritor infantil, na literatura, é também desconstruir o estereótipo de ser um "autor". Ele e Kátia, cada um em sua cidade, se mobilizam como espécies de "embaixadores" da literatura.

"Nossas cidades ficam a 280km de distância uma da outra, mas fazemos um elo pra educar nossas crianças, incentivando o gosto pelas historinhas. Para gente, participar de uma Bienal do Livro engrandece muito essa vivência", qualifica o escritor.

Família

Para a escritora Carolina Campos, filha de Natércia Campos (1938-2004) e neta de Moreira Campos (1914-1994), a verve literária está no sangue. Curadora da Festa Literária do Cariri, ela é fortalezense, mas hoje mora no Crato (CE) e lançou, há um ano, durante a programação do evento caririense, seu último livro, "Levado".

Na Bienal, Carolina lançará a obra pela primeira vez em Fortaleza. O lançamento ocorre dia 24, às 17h30, na Arena Multicultural Juvenal Galeno, no térreo do Centro de Eventos. As ilustrações do livro são de Pablo Manyé. "Ele é pintor, então foi o primeiro trabalho de ilustração dele. Foi tudo feito à mão, em aquarela, muito trabalhoso", detalha a escritora.

Legenda: Ilustração de Pablo Manyé para "Levado", de Carolina Campos (CE)

A ideia de "Levado" apareceu enquanto Carolina Campos passeava com sua cachorra em um domingo de chuva. "Ela parou para cheirar umas formigas com asas. E começou a história na minha cabeça, criei tudo a partir disso".

Parte de uma família de reputação literária, a autora observa que participar da Bienal do Livro do Ceará já integra uma tradição. "É onde eu gosto de estar, de me mover. A vida inteira frequentei, desde a primeira Bienal. Morava dentro do evento. Quando cheguei no Cariri, não fiz a Festa (Literária) à toa", situa.

Serviço 
XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará 

De 16 a 25 de agosto, de 10h às 22h, no Centro de Eventos do Ceará (Av. Washington Soares, 999, Edson Queiroz). Programação gratuita.