Porto Iracema das Artes celebra seis anos de atividades com programação especial

A ocasião trará apresentações dos trabalhos desenvolvidos no Porto. Shows, aula de danças ancestrais e feira movimentam a escola, nesta quinta (29)

Legenda: "Um corpo sem voz em busca de voz" é o primeiro projeto autoral da cantora Luiza Nobel (centro) 
Foto: Fotos: Té Pinheiro

O lugar da cultura no atual cenário político do País tem preocupado os agentes que movimentam a cadeia produtiva do setor. Fragilizada no contexto do poder Federal - com a extinção do Ministério da Cultura, por exemplo - a área respira por meio de ações que seguem impulsionadas por diversas fontes de financiamento e apoio.

No Ceará, a Escola Porto Iracema das Artes, gerida pelo Instituto Dragão do Mar e ligada à Secretaria da Cultura do Estado, chega ao sexto ano de atividade dividida entre a continuidade da política pública e as preocupações com a conjuntura geral.

Nesta quinta (29), o Porto Iracema promove uma programação especial de aniversário. Às 17h30, haverá aula de danças africanas ancestrais, conduzida pelo artista e professor Rubéns Lopes. Na sequência, será aberta a feira de artes, envolvendo produções de artistas vinculados ao IFCE e da própria escola.

Por fim, a partir das 19h, apresentam-se a cantora Luiza Nobel (CE), com o projeto "Um corpo sem voz em busca de voz", e o grupo Pulso de Marte (CE). Ambos trabalhos participam da edição atual do Laboratório de Música do Porto Iracema.

Segundo Bete Jaguaribe, diretora da escola, o ambiente para o desenvolvimento da cultura hoje, no Ceará, é um alento em relação ao que acontece no cenário Federal. Ela enaltece a força do cinema cearense: no último domingo (25), o longa metragem "Pacarrete", dirigido pelo cineasta local Allan Deberton, ganhou oito prêmios no Festival de Cinema de Gramado (RS).

"A gente precisa comemorar a manutenção das políticas culturais no Ceará. Como foi importante essa premiação do cinema cearense, num momento grave que o País está vivendo, diante de ataques à democracia", observa Jaguaribe.

Resistência

A diretora celebra o fato de que, apesar do Ceará ser um estado pobre, a cadeia produtiva da cultura conseguiu "gerar ambientes de criação". Em paralelo, a gestora alerta para a postura que o Governo Federal tem mantido a respeito do setor cultural e das artes.

"A gente não tem como fazer arte num ambiente autoritário, de perseguição aos artistas. Temos de comemorar, porque há uma realidade de fomento no Ceará, mas estamos atentos pra resistir ao que está acontecendo no âmbito nacional", alerta.

Legenda: Nathalia Rebouças (guitarra e voz), Letícia Monteiro (guitarra e voz), Jefferson Lima Castro (bateria) e Charles Costa (baixo) formam o quarteto Pulso de Marte

A guitarrista e vocalista Nathalia Rebouças, integrante do Pulso de Marte, reforça que o momento para os artistas é de resistência. E destaca como a banda já vislumbrava participar do Laboratório de Música do Porto Iracema. A formação teve Raquel Virgínia como tutora do processo da escola.  

“A gente está bem feliz de participar dessa programação de 6 anos. E de construir essa nova fase do Pulso de Marte com o apoio do Porto Iracema, que é uma escola incrível. Pra nós, representa um crescimento como artista e pessoa”, endossa. 

Serviço 
6 anos do Porto Iracema 

Programação especial nesta quinta (29), a partir das 17h30, com aula de danças africanas ancestrais, feira de artes (18h), e shows com Luiza Nobel e Pulso de Marte (19h), na Escola Porto Iracema das Artes (Rua Dragão do Mar, 160, Praia de Iracema). Acesso gratuito. Contato: (85) 3219.5865

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