Morre Lindomar Castilho, 'Rei do Bolero' e autor do hit 'Você é Doida Demais'

Além do sucesso na música brega nos anos 70, Castilho se tornou nacionalmente conhecido por assassinar brutalmente a ex-esposa, Eliane de Grammont, em 1981.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Após se aposentar, cantor participou do documentário 'Vou Rifar Meu Coração' (2011), sobre a música brega brasileira.
Legenda: Após se aposentar, cantor participou do documentário 'Vou Rifar Meu Coração' (2011), sobre a música brega brasileira.
Foto: Divulgação.

Um dos grandes nomes da música brega brasileira, o cantor Lindomar Castilho morreu neste sábado (20), aos 85 anos. A informação foi confirmada pela filha do artista, Lili de Grammont, nas redes sociais. A causa da morte ainda é desconhecida.

Nos últimos anos, o cantor vivia recluso em um apartamento em Goiânia (GO). Ele tinha diagnóstico de Parkinson e estava com a saúde fragilizada a pelo menos uma década. O velório será realizado na tarde deste sábado (20), na capital goiana.

O primeiro álbum de Lindomar, "Canções Que Não Se Esquecem", foi lançado em 1964, mas foi só quase uma década depois que ele lançou uma de suas maiores obras, o disco "Eu Vou Rifar Meu Coração" (1973), que se tornou sucesso em vendas em todo o País com a canção homônima.

Capa do disco 'Eu Vou Rifar Meu Coração' (1973).
Legenda: Capa do disco 'Eu Vou Rifar Meu Coração' (1973).
Foto: Reprodução/RCA.

No ano seguinte, lançou o álbum "Eu Canto o Que O Povo Quer" e emplacou outro dos maiores hits da música brega brasileira: "Você é Doida Demais" — que em 2001 se tornou tema de abertura da série "Os Normais", da TV Globo.

Castilho assassinou a ex-esposa após separação

Eliane de Grammont em 1981.
Legenda: Eliane de Grammont em 1981.
Foto: Reprodução.

O sucesso comercial lhe rendeu o título de "Rei do Bolero". Após se tornar um dos maiores vendedores de discos do Brasil, a trajetória do artista foi marcada por um crime brutal: em 1981, Lindomar assassinou a tiros a ex-esposa, a cantora Eliane de Grammont.

Na época, Eliane tinha 26 anos e tentava retomar a carreira artística após se separar de Castilho, que já havia demonstrado comportamentos abusivos.

Na noite do crime, segundo o jornal O Globo, ela se apresentava no palco da boate Belle Époque, em São Paulo (SP), quando Lindomar entrou no local e disparou cinco vezes contra a ex-esposa.

A filha de Eliane e Lindomar, Lili, tinha apenas um ano e oito meses quando a mãe foi assassinada. 

Condenado a 12 anos de prisão pelo crime, Castilho cumpriu parte da pena e deixou a cadeia nos anos 90.

O crime ocorreu em meio a uma série de assassinatos de mulheres por companheiros ou ex-companheiros, vários deles com forte repercussão midiática. O caso se tornou um dos episódios emblemáticos da luta pelo fim da violência contra a mulher no Brasil.

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