Espetáculo 'Tarsila' ensina sobre Semana de 22 e a vida da ícone modernista

Peça do Grupo Mirante de Teatro Unifor retorna ao palco do Teatro Celina Queiroz no encerramento das férias

Escrito por Antonio Laudenir, laudenir.oliveira@svm.com.br

Verso
Tarsila do Amaral é uma das integrantes do
Legenda: Tarsila do Amaral é uma das integrantes do "Grupo dos Cinco", conjunto de artistas fundamentais para a realização da Semana de 1922
Foto: Ares Soares

Um Brasil conectado com o futuro e o anseio pelo novo nas artes. Estes objetivos moldaram o espírito da Semana de Arte Moderna de 1922 no correr das décadas. Diante do centenário do histórico evento, uma série de ações e projetos debatem a relevância dos ideais modernistas.

O espetáculo "Tarsila" volta ao palco do Teatro Celina Queiroz e marca o encerramento das férias. Em cartaz neste sábado (30) e domingo (31), a peça do Grupo Mirante de Teatro Unifor ilumina as memórias da pintora e sua relação com os amigos Anita Malfatti, Oswald de Andrade e Mário de Andrade. 

Com texto de Maria Adelaide Amaral, e direção de Hertenha Glauce, o trabalho propicia o mergulho na Semana de 22 e discute o legado deixado pela criadora da obra "Abaporu". Em ano de Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma oportunidade para os alunos pesquisarem o tema a partir do teatro.

Em busca de um programa completo? Além de “Tarsila” é possível visitar a exposição "Semana de Arte Moderna em acervos do Ceará”. Gratuita, a mostra acontece no primeiro andar do Espaço Cultural Unifor até 31 de julho. O acervo, que contou com curadoria de Regina Teixeira de Barros e consultoria de Aracy Amaral,  reúne 150 obras.

Reconstruindo a ícone

"A Tarsila que o Grupo Mirante de Teatro Unifor traz para o público, é uma Tarsila humana, com força,  talento, beleza, mas que também tem muitas fragilidades e sofrimentos, mas acima de tudo, uma mulher feliz, que exaltava a vida e os amigos", descreve a diretora Hertenha Glauce.

A atriz Annalies Borges dará vida a Tarsila do Amaral. Ivan Lourinho (Oswald de Andrade), Lena Iorio (Anita Malfaltti) e Eurico Mayer (Mário de Andrade) completam o elenco que personifica os amigos e ícones modernistas. A dramaturgia evidencia a relação entre essas figuras históricas. Conhecemos, assim, como esse encontro de mentes foi o fio condutor de um dos marcos da cultura do início do século XX.

Em cena, Annalies Borges (como Tarsila do Amaral), Ivan Lourinho (como Oswald de Andrade) e um passeio pelas memórias da pintora modernista
Legenda: Em cena, Annalies Borges (como Tarsila do Amaral), Ivan Lourinho (como Oswald de Andrade) e um passeio pelas memórias da pintora modernista
Foto: Ares Soares

O processo de criação cênica de "Tarsila" exigiu intensidade. Fora dois meses de uma verdadeira maratona de leituras e estudos, o que inclui de aulas de piano a enteder o uso e manuseio de pincéis. Em cena, o cuidado com a qualidade e o respeito com o texto de Maria Adelaide Amaral. 

Importância de Tarsila

Apesar da forte presença da artista no movimento Modernista no Brasil e atuação para que o evento pudesse acontecer, Tarsila não esteve fisicamente presente no Theatro Municipal de São Paulo durante aqueles dias. Mesmo assim, com os anos, esse protagonismo ganhou seu espaço e a artista eternizou-se nas artes do Brasil. 

Entre os artistas que estiveram presentes na manifestação artístico-cultural de um século atrás, podem ser destacados Anita Malfatti, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia e Oswald de Andrade, personalidades que completam o quinteto e perpassam diversas áreas do mundo das artes, da pintura à literatura.

Ivan Lourinho (Oswald de Andrade), Lena Iorio (Anita Malfaltti)
Legenda: Ivan Lourinho (Oswald de Andrade) e Lena Iorio (Anita Malfaltti)
Foto: Ares Soares

A partir de "Tarsila", novas gerações podem identificar um retrato mais íntimo da pintora. "Nos traz um outro lado de Tarsila, além da grande artista que foi, mas uma mulher forte que encarou todos os problemas de frente e viveu uma vida longa e feliz. E por que falar disso agora é importante? Porque enaltecer todos aqueles que com coragem conseguiram imprimir um pensamento, uma ideia, uma forma de ver a arte e a vida, é sempre necessário", finaliza Hertenha Glauce.

Serviço:

"Tarsila", do Grupo Mirante de Teatro Unifor. Dias 30 e 31/07.Sábado (às 20h) e domingo (19h). Local: Teatro Celina Queiroz. Ingressos aqui e na loja do Campus Unifor.

Exposição “100 anos da Semana de Arte Moderna em acervos do Ceará”. Gratuito. Local: Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz). Visitação: sábado e domingo, das 10h às 18h
Mais informações: (85) 3477.3319