Espaço na Bienal recebeu doações de mais de 1.500 livros a três dias do fim do evento

“O sentimento é de construção”, afirma um dos responsáveis pelo eixo Literatura Juventude Periferia, idealizador da iniciativa

Legenda: Prateleiras estão sendo constantemente visitadas por frequentadores nos dias de Bienal do Livro
Foto: Foto: Felipe Abud

Nesta que talvez seja a edição mais plural da Bienal Internacional do Livro do Ceará, um dos grandes destaques do evento prima pelo compartilhar. A biblioteca montada pela Rede Palavra Livre – junção dos coletivos Rede Jangada Literária, Viva a Palavra e Movimento Livro Livre – está recebendo doações de livros desde o dia 17, acumulando muito além de objetos: histórias e vontade de perpetuar tesouros escondidos em linhas.

A três dias do fim da Bienal, os números expressam bem esse alcance: já foram mais de 1.500 livros doados pelos frequentadores do Centro de Eventos durante a semana de atividades. Títulos que abarcam desde romances e literatura fantástica até conteúdos técnicos ou até em outros idiomas.

Legenda: Diferentes públicos são fisgados pelas obras
Foto: Foto: Felipe Abud

Um dos responsáveis pelo eixo Literatura Juventude Periferia, à frente da iniciativa, Régis Freitas afirma: “É um sentimento muito grande de construção. Quando cheguei nessa família da Bienal, junto ao Kelsen Bravos e à Mileide Flores, propomos que houvesse um espaço da juventude no evento. Logo em seguida, vimos bienais do Rio e de São Paulo também se pautando por essa questão. Então, achamos que a semente foi plantada”.

Segundo ele, a biblioteca nasce exatamente da ânsia de jovens para falar, ler, escrever e se expressar. Se fazer enxergar.

“As redes já existem. São três coletivos que, provisoriamente, durante a Bienal, se tornaram um, trazendo toda a identidade de cada uma das comunidades e aumentando o raio de alcance de suas iniciativas”.

Potência

Para os interessados em fazer doações, a logística é fácil. A biblioteca fica localizada na Sala O Inventário do Cotidiano, no Mezanino 2, funcionando de 10h às 22h. No ambiente, facilitadores acolhem quem chega e apresentam um pouco sobre o projeto da Rede Palavra Livre.

Além de receber os livros, os responsáveis pelo espaço também doam as obras. Igualmente, é possível levar os livros para casa, assim desejem os visitantes. 

Legenda: O cantinho traduz o rosto das juventudes ao investir em diversidade de títulos
Foto: Foto: Felipe Abud

“As pessoas, então, estão vindo, pegando os livros e levando. Vários já foram embora, mas a maioria está aqui e vai ser distribuída depois. Cada um dos três projetos envolvidos dividirá as obras entre as próprias bibliotecas, adquirindo ainda maior capilaridade dentro das comunidades”, afirma Régis.

Na fala do profissional, a emoção em tocar a iniciativa é grande por vários motivos. Mas a mais especial talvez seja possibilitar que as juventudes da periferia da cidade possam abrir novos caminhos de apreciação do livro e da leitura. 

“Minha satisfação é ver que o que é considerado ‘cultura de periferia’ é, na verdade, só cultura. Não tem um ‘cultura de’: é cultura. E ela está sendo reconhecida e isso é muito interessante, porque a gente vê os professores chorando nas apresentações no ambiente, por exemplo. Bate forte em todos, não apenas nos alunos. É uma cultura que faz parte disso e agora é nosso. Não vai mais existir uma Bienal que não conte com esse espaço fazendo parte dela. Isso, para mim, é história, é histórico. É fundador”.

Serviço
Biblioteca da Rede Palavra Livre na XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará
Funcionamento até o dia 25 de agosto, das 10h às 22h, na Sala O Inventário do Cotidiano, no Mezanino 2 do Centro de Eventos do Ceará (Av. Washington Soares, 999 - Edson Queiroz). Doações de quaisquer tipos de livros. Entrada gratuita.