Ator Silvero Pereira interpreta trecho do conto "O ovo", de Caio Fernando Abreu

A convite do Verso, o artista, que já adaptou vários textos do escritor para o teatro, passeia pelas linhas de um conto presente no livro “Inventário do ir-remediável”, lançado em 1970

Legenda: Silvero Pereira conheceu a obra de Caio Fernando Abreu ainda no Ensino Médio e, desde a época, adaptou vários contos do escritor para o teatro
Foto: Reprodução

A relação entre a literatura de Caio Fernando Abreu (1948-1996) e a atuação cênica de Silvero Pereira é vigorosa e começa cedo, no início dos anos 2000. À época, o ator e diretor cearense cursava o terceiro ano do Ensino Médio na outrora Escola Técnica Federal do Ceará, hoje Instituto Federal (IFCE). Uma atividade em sala de aula despertou o olhar para a produção do escritor gaúcho.

“A professora Eugênia Siebra pediu para que a gente fizesse um seminário sobre autores contemporâneos brasileiros. E, dentre eles, estava o Caio Fernando Abreu, sendo que ela me falou que o Caio era um autor que ninguém escolhia porque o consideravam muito pornográfico”, conta Silvero Pereira, que a partir de março passa a integrar o time de colunistas do Diário do Nordeste. “Foi isso que mais me chamou a atenção e me fez optar para fazer o trabalho sobre ele”.

Na ocasião, o artista acabou tendo acesso ao livro “Os dragões não conhecem o paraíso”, no qual está presente o conto “Dama da Noite”. O texto foi a primeira adaptação que Silvero fez para o teatro de uma narrativa de Caio. Assim nascia o espetáculo “Uma Flor de Dama”, monólogo de uma travesti prostituta que convida a plateia para passar uma noite ouvindo suas confissões, medos, inquietações e repulsas. 

A montagem percorreu o Brasil com acalorado retorno de público e crítica, ampliando perspectivas sobre a travestilidade e fazendo com que as pessoas encarem uma travesti sem estranhamentos, demonstrando respeito, aceitação e dignidade.

A partir daí, Silvero começou a fazer uma série de outras experiências com os contos de Caio, igualmente adaptando-os para as Artes Cênicas. Dentre essas adaptações, estão dos textos “Terça-feira gorda”, “Os sapatinhos vermelhos”, “Creme de alface”, “O ovo”, “Para uma avenca partindo”, “Os sobreviventes”, “Red roses for a blue lady”, “Uma história de borboletas” e “Além do ponto”.

A convite do Verso, o ator agora se debruça sobre a leitura de “O ovo”, interpretando um trecho do conto de CF presente no livro de estreia, “Inventário do ir-remediável”, publicado em 1970. No texto, o narrador-personagem sente a necessidade de contar a própria história de pequenos e breves acontecimentos que, no entanto, o direcionam para uma realidade de incompreensão, onde até a sanidade é questionada. 

Uma narrativa repleta de alegorias, reunindo algumas das temáticas mais trabalhadas pelo autor, tais como solidão, melancolia e crítica à repressão do sistema e ao modelo padrão de conduta. Assista:

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