Há 30 anos, Mamonas Assassinas animou multidão na Arena Castelão; veja vídeo

Busca por ingressos fez quadrilha falsificar bilhetes.

Escrito por
João Lima Neto joao.lima@svm.com.br

Há exatos 30 anos, às 20h, o show dos Mamonas Assassinas transformou a Arena Castelão em um território de gargalhadas, irreverência e catarse coletiva. O evento, realizado em 22 de dezembro de 1995, entrou para a memória afetiva dos cearenses como a noite em que música e humor se encontraram.

Naquele período, os Mamonas eram mais do que uma banda: eram um fenômeno nacional. Vindos de Guarulhos, em São Paulo, os cinco integrantes haviam deixado para trás o projeto sério chamado "Utopia" e, em pouco mais de um ano, conquistaram o País com letras escrachadas, arranjos bem executados e personagens que dialogavam diretamente com crianças, adolescentes e adultos.

Durante a trajetória do Mamonas Assassinas, a banda realizou apenas uma apresentação no Ceará.
Legenda: Durante a trajetória do Mamonas Assassinas, a banda realizou apenas uma apresentação no Ceará.
Foto: Cedoc SVM/Neysla Rocha/SVM

O grupo chegava a Fortaleza já consagrado, com mais de um milhão de cópias vendidas do disco de estreia e presença constante nos principais programas de televisão.

Promovido pelo Diário do Nordeste, o evento dos Mamonas Assassinas tinha ingressos de R$ 10 (arquibancada), R$ 15 (gramado) e R$ 20 (cadeira). Em 1995, o salário mínimo era no valor de R$ 100.

A expectativa em torno do show era proporcional ao sucesso. A produção local montou uma grande operação, semelhante às utilizadas em apresentações de artistas como Xuxa e Roberto Carlos. Houve reforço na segurança, esquema especial de transporte coletivo, atendimento médico, ambulatórios, controle de acesso e monitoramento do público — estimado em cerca de 20 mil pessoas. A presença massiva de crianças e adolescentes exigiu atenção redobrada, inclusive com acompanhamento do Juizado de Menores.

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O espetáculo prometia — e entregou — um megashow. Telões, iluminação potente, sonorização pensada para espaço aberto e um palco estrategicamente montado garantiram visibilidade de qualquer ponto do estádio. No repertório, sucessos que já dominavam as rádios, como “Vira Vira” e “Pelados em Santos”, além das vinhetas que o público passou a exigir como parte essencial da apresentação, a exemplo de “Sabão Crá-Crá”. A plateia cantava tudo de cor, do primeiro ao último verso.

Quadrilha pretendia falsificar 3 mil ingressos

Publicação no Diário do Nordeste sobre quadrilha que falsificou ingressos do shows da banda Mamonas Assassinas.
Legenda: Publicação no Diário do Nordeste sobre quadrilha que falsificou ingressos do shows da banda Mamonas Assassinas.
Foto: Cedoc SVM

Mas aquela movimentação entorno do show dos Mamonas Assassinas também ficou marcada por um episódio que revelou o tamanho da mobilização em torno do evento. Um dia antes do show, a Polícia desarticulou uma quadrilha especializada na falsificação de ingressos e documentos, que pretendia vender milhares de bilhetes falsos nas imediações do estádio.

A investigação levou à descoberta de uma gráfica clandestina no Centro de Fortaleza e resultou na apreensão de ingressos, fotolitos (artes) e diversos documentos falsificados. O caso ganhou repercussão e evidenciou a dimensão do impacto que os Mamonas provocavam por onde passavam.

Apesar do contratempo, o show aconteceu como previsto e entrou para a história. Em uma terra consagrada pelo humor, berço de nomes como Renato Aragão, Chico Anysio e Tom Cavalcante, os Mamonas encontraram um público pronto para rir de si mesmo.

O encontro foi imediato. Entre piadas, trocas de figurino, coreografias improvisadas e músicas que misturavam rock, samba, forró e paródia, o grupo selou uma relação afetiva com Fortaleza que atravessou gerações.

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