70 anos da TV brasileira: 4 curiosidades sobre a chegada da televisão ao Ceará

Em comemoração aos 70 anos da mídia no Brasil e 60 no Estado, conheça mais sobre a trajetória da televisão local

Legenda: Equipamentos da TV Verdes Mares na década de 1980
Foto: André Lima

A televisão brasileira completa nesta sexta-feira (18) 70 anos desde sua fundação pelo paraibano Assis Chateubriand, também conhecido como Chatô. Para comemorar a data, o Diário do Nordeste resgata o histórico da mídia no Ceará. Por aqui, a primeira emissora cearense foi inaugurada em 1960 na Capital, mas sua instalação iniciou dois anos antes.  

Símbolo de modernidade 

Uma das mídias de comunicação mais importantes, a televisão chega em Fortaleza como um símbolo de modernidade em meio ao êxodo rural e à pobreza da cidade, conforme explica a jornalista e pesquisadora Ana Quezado. Em sua dissertação do Mestrado, Ana explorou as transformações causadas pela chegada da mídia.  

“A cidade que ganhava TV era uma cidade que se dizia que estava se modernizando. Era considerado um elemento de grande transformação e desenvolvimento.  Fortaleza recebeu a primeira emissora do grupo Diários Associados, de Chateubriand, a TV Ceará.  Ele começou com a Tupi em São Paulo pra depois ir expandindo pra outros estados, ela demorou 10 anos pra chegar aqui”, explica Ana.   

Programação ao vivo

Se hoje temos uma programação acontecendo 24h e diversificada com programas e noticiários, naquela época era mínima e totalmente ao vivo. As primeiras transmissões mesclavam elementos do cinema, do teatro e do rádio ao exibir espetáculos, mas eram cheios de restrições, já que não era possível movimentar a câmera, que pesava cerca de 70kg. “Os atores tinham de sair e entrar do quadro para as cenas”, conta a pesquisadora.  

Ana relata ainda que a chegada da televisão foi envolvida de muita expectativa, mas também de muitas polêmicas. Logo no início cenas de beijo eram exibidas, o que gerou burburinho na sociedade conservadora da época. Com isso, um jornal distribuído pela Igreja Católica passou a publicar matérias desmoralizando a TV.  

Legenda: Peça do acervo do Museu Jaguaribano em Aracati; aparelho foi comprado em 1963
Foto: Franlima Portela

Item de status  

A chegada da TV também foi responsável por transformar a vida social dos cearenses. Atualmente, na maioria dos lares brasileiros, há pelo menos um aparelho, mas na década de inauguração a situação era diferente. O item era bastante caro, equivalente ao valor de um veículo modelo Fusca, por isso, a aquisição do aparelho ficou considerada como um poder de status financeiro.  

"Quem tinha aparelho de TV, era considerada uma pessoa rica. Durante minha pesquisa, convivi com 12 idosos, ouvi eles contarem histórias sobre quando uma pessoa ia tirar foto de casamento, a foto era tirada ao lado da televisão pra mostrar essa importância”.    

‘Televizinho’ 

Além disso, a mídia foi responsável por criar a rotina de reunir a família em torno para acompanhar às programações. Não só a família, mas vizinhos e outros conhecidos. O termo ‘televizinho’, utilizando pelo jornalista Gilmar de Carvalho, brinca com essa característica.  

“A chegada promoveu o que chamamos de nova sociabilidade. Todo mundo ia pra casa da pessoa que possuía uma TV. Se criou um ponto de encontro”, explica Ana.  

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