Ocupação hoteleira em Fortaleza deve cair de 50% para 30% se houver bloqueio de estradas

Levantamento da Abih-CE foi realizado pelo setor antes do anúncio de novas medidas restritivas pelo governo, o que indica que o impacto poderá ser ainda mais severo

Legenda: Definição sobre a medida que proibirá deslocamento entre municípios no Ceará deve ser anunciada até a próxima quinta-feira (4)
Foto: Eduardo Queiroz

A ocupação hoteleira em Fortaleza poderá despencar cerca de 20 pontos percentuais durante o período de Carnaval, chegando a até 30%, caso o Governo do Estado decida de fato vedar a possibilidade de deslocamento intermunicipal no Ceará. Os dados fazem parte de um novo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih-CE), que estima uma queda proporcional de faturamento dos empreendimentos na Capital cearense.

O levantamento, entretanto, foi realizado pelo setor antes do anúncio de novas medidas restritivas pelo governo cearense no início da noite, o que indica que o impacto poderá ser ainda mais severo. 

“É duro, uma pancada no setor de alimentos e bebidas, consequentemente, na cadeia produtiva do turismo, porque vai restringindo as atividades na cidade e vai refletindo, as pessoas vão se desestimulando a vir. É mais uma boa pancada, com certeza isso terá uma consequência no turismo”, frisa o presidente da Abih-CE, Régis Medeiros.

Apesar de surpresa, Medeiros demonstra alívio ao comentar que a decisão não impediu totalmente o funcionamento das atividades. “Cria impacto, é uma coisa mais restritiva, mas pelo menos estamos abertos, não é um lockdown”, avalia. 

Durante o anúncio, Camilo Santana deixou claro que poderá haver restrições mais sérias se os casos permanecerem subindo. “Se continuar nesse crescimento vamos ter que tomar medidas mais restritivas ainda e aí, sim, vai afetar ainda mais a vida das pessoas e principalmente a economia do nosso Estado”, destacou o governador. 

Segundo o presidente da Abih-CE, o possível bloqueio de viagens intermunicipais pelo Governo do Estado poderá reduzir o nível de reservas nos hotéis em Fortaleza durante o Carnaval de cerca 50%, potencial sem os bloqueios, para 30%.

O decreto específico para os dias de Carnaval, já comentado pelo governador Camilo Santana, deve ser anunciado até sexta-feira (5). 

Tentando contornar a situação, a Abih-CE já entrou em contato com o secretário do Turismo do Estado, Arialdo Pinho, para sugerir alternativas que possam reduzir o impacto de um possível bloqueio. 

Atenção aos protocolos

Régis Medeiros, contudo, reforçou que não há "intenção alguma" de descumprir os protocolos sanitários relacionados à pandemia. Ele afirmou que os empresários do setor de hotelaria reconhecem a importância de se manter todos cuidados já recomendados pelas organizações de saúde, como uso de máscara, álcool em gel e evitar aglomerações. 

Mas a Abih-CE está buscando soluções para evitar um impacto muito grande no faturamento dos hotéis durante o próximo mês de fevereiro.  

"Fechamos janeiro com 53% de ocupação, mas já tivemos 80% em anos passados. Já temos uma queda da ocupação em Fortaleza e temos tarifas que estão abaixo de 10% do que era cobrado ano passado. Temos menos ocupação, com menos tarifa e ainda tivemos meses em que ficamos fechados, reabrindo com níveis baixos de ocupação, mesmo que fosse aumentando gradualmente", disse Régis. 

"Sabemos as dificuldades, mas o turista que vem para Fortaleza não procura por festas, ele não vem focado em Carnaval. Ele vem para curtir a cidade e vem curtir as praias, os restaurantes e a (Avenida) Beira-Mar. Mas se ele não puder transitar nessas praias perto, a ocupação e o faturamento dos hotéis poderá cair para até 30%", completou.

Impactos sem eventos 

Segundo o presidente da Abih-CE, o além dos problemas relacionados à queda no faturamento pela redução dos níveis de ocupação, os hotéis ainda estão sofrendo  com uma redução média de 30% no faturamento causado pela proibição dos eventos no Ceará. Medeiros comentou que os empresários tem buscado alternativas para a liberação dos eventos corporativos, já que possuem um perfil mais profissional, com menor potencial de gerar aglomerações. 

"Se voltar os eventos corporativos recupera os 30% de faturamento? Não, mas ajuda e pode recuperar uns 15%, até porque não são todos os eventos que poderão acontecer e até mesmo o limite que tínhamos antes não poderia ser o mesmo hoje pelas questões da pandemia. A cadeia de turismo e eventos está sofrendo e a gente sabe que não pode liberar tudo de uma vez, mas precisamos nos manter ativos para não fecharmos por restrições ou por falências", disse. 

"Nem tanto ao céu, nem tanto ao chão", completou. 

Cobranças

Além dos impactos gerados pela redução de turistas, Medeiros afirmou que muitos empresários que fizeram empréstimos emergenciais durante a pandemia para conseguir suportar a crise, já estão começando a pagar esses financiamentos. 

O processo gera mais um impacto financeiro aos negócios do setor, que segundo ele, ainda têm de lidar com o pagamento de tributos no período de começo de ano. 

"Os custos permanecem, até porque já temos mão de obra nos hotéis e os impostos continuam sendo cobrados. Além disso, quem pegou capital de giro emergencial já esta começando a pagar. Estamos pagando os recursos que vieram para dar fôlego para gente e isso tem um peso", explicou.

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