Movimentação em rodoviárias em Fortaleza deve ter queda drástica no carnaval, estima administradora

Demanda deverá ser equivalente a um fim de semana comum. Número de passageiros segue reduzido desde o início da pandemia

Escrito por Redação,

Metro
Pessoas na Rodoviária
Legenda: Viagens extras não são previstas no período de Carnaval devido a pouca demanda de passageiros
Foto: Natinho Rodrigues

Com a proibição de eventos e o cancelamento dos pontos facultativos em repartições públicas, devido à pandemia, nos dias 15 e 16 de fevereiro, as rodoviárias de Fortaleza devem ter uma queda drástica no número de passageiros no período de carnaval, comparando-se com a movimentação registrada no mesmo período pré-pandemia.

De acordo com dados divulgados pela Socicam, empresa que administra os terminais rodoviários da Capital, é esperada uma redução de pelo menos 25% no número de passageiros na tradicional data festiva em 2021.

Os dados juntam informações do Terminal Rodoviário João Thomé, Terminal Urbano do Antônio Bezerra e Terminal Urbano da Messejana. 

De acordo com Newton Fialho, gerente da Socicam, os terminais já registravam queda na procura por viagens durante o carnaval nos anos anteriores. Para ele, o maior número de atrações em Fortaleza fazia com que parte do público optasse por ficar na Capital, deixando de viajar para as festas de outras cidades do litoral. “No ano passado, a gente tinha uma previsão de 90 mil e teve 78 mil pessoas, houve essa queda de 13% em relação ao ano anterior”, afirma.

Sem carnaval, sem horários extras

Em 2021, as rodoviárias esperam uma demanda mensal comum a outros meses durante fevereiro, o que inclui não aumentar o número de viagens.

“Esse ano, sem carnaval, a gente não vai ter previsão de horários extras, movimentação. A gente vai encarar como um feriado normal, uma sexta-feira, uma movimentação um pouco maior, mas não característica do carnaval que nós tínhamos anteriormente”, diz Fialho.

Medo de contágio 

A aposentada Eurides de Souza Lima (73) desistiu de ir a sua cidade natal, Quixadá, no período do carnaval neste mês de fevereiro. Para ela, o medo de entrar em contato com o coronavírus é a razão para não viajar de ônibus ou de carro. “Não vai haver carnaval de maneira nenhuma. Eu nem vou, vou ficar aqui em Fortaleza”.

Eurides costumava pegar carona com uma amiga, também idosa, para visitar a cidade. Com a pandemia, a amiga desistiu de viajar e a aposentada decidiu pegar ônibus intermunicipais em 2020 para ir ao Interior ver os parentes. No entanto, Eurides acredita que a situação da pandemia está piorando e resolveu não se arriscar.

Menos passageiros durante a pandemia

Para Fialho, a maioria das pessoas que ainda escolhem viajar tem como motivo o trabalho, consultas médicas ou visita a familiares no Interior. “Esse pessoal que fazia traslado em função do estudo, a gente perdeu bastante por conta do ensino online. Com relação ao turismo, na verdade é muito pouco”. 

Em janeiro de 2020, 224 mil pessoas viajaram partindo de algum terminal rodoviário de Fortaleza. Já em 2021, o número foi 25% menor, com 168 mil passageiros. O gerente explica que, mesmo com a volta das operações das rodoviárias desde julho de 2020, em nenhum momento a movimentação foi a mesma do período pré-pandêmico.

Dentre outros fatores, Newton observa que a quantidade de passageiros também têm diminuído devido à busca por outros meios de transporte. “Aqui nós temos um ambiente controlado. Aferição de temperatura, álcool em gel, protocolos de biossegurança, por isso é importante que a pessoa viaje pelo terminal rodoviário, para que a gente possa ter esse controle”, defende.

Ele acredita que o número de passageiros e viagens só deve crescer quando uma maior parte da população estiver imunizada contra o coronavírus e a economia melhorar. “Sem dinheiro, o pessoal não viaja”. 

Norma estadual pode proibir viagens 

Com o aumento de casos de Covid-19 no Estado, o governador Camilo Santana afirmou na sexta-feira (29) que poderia transformar a recomendação de evitar viagens entre a Capital e o Interior em uma norma. A regra seria incluída em um decreto específico para o período do Carnaval. 

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