Após lockdown, barracas de praia devem demitir 50% dos funcionários, diz associação

Setor é responsável hoje por cerca de três mil empregos diretos e nove mil indiretos

Barraca de praia
Legenda: Barracas de praia em Fortaleza demitirão funcionários
Foto: Kid Júnior

O novo lockdown decretado pelo governador Camilo Santana na noite de ontem também afeta as barracas de praia, que devem permanecer fechadas durante o período. Porém, assim como bares e restaurantes, podem oferecer o serviço por delivery. A presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro (AEPFuturo), Fátima Queiroz, acredita que 50% dos funcionários devem ser desligados das empresas como efeito da medida.  

O documento com as normas para o isolamento social rígido foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) desta quinta-feira (4) e determina que “também são vedadas/interrompidos durante o isolamento social rígido: o funcionamento de barracas de praia, lagoa, rio e piscina pública ou quaisquer outros locais de uso coletivo e que permitam a aglomeração de pessoas”. 

De acordo com Fátima Queiroz, atualmente, as barracas de praia geram em torno de três mil empregos diretos e nove mil indiretos.

Consequências da crise

“Muitos empregos serão afetados. Essas barracas que fecharão, sem dúvida nenhuma, todos os empregados serão dispensados. Diria que a gente vai ter um percentual daqui uns 15 dias. Mesmo as barracas que reabrirem vão reabrir com dificuldade e já com, pelo menos, 50% dos postos de emprego desativados, infelizmente. Faremos todo o esforço possível para não demitir, mas já sabendo que é um desafio muito difícil não ter um corte grande aqui na nossa operação”, lamenta. 

Apesar da gravidade crescente no Ceará do número de infectados e óbitos decorrentes da Covid-19, a medida rígida pegou os representantes do setor de surpresa. 

"O mesmo filme outra vez"

“A gente desconfiava que viessem medidas bem severas, mas ainda não acreditávamos em um lockdown. A gente vinha tocando a barraca, foi um prejuízo muito grande no ano passado, esses prejuízos ficaram, muitos dos nossos tiveram que vender seus pequenos bens, seu transporte, pequenos apartamentos para reativar os negócios. Mas, infelizmente, em um ano a gente vê todo o filme outra vez”, comenta.

Bom senso

Fátima Queiroz também reitera que, embora com toda a dificuldade, reconhece a importância da medida rígida. “Qualquer pessoa de bom senso vai ver que um governante de um Estado não vai aplicar uma medida como essa se não houver necessidade.” 

Como possível saída para manter os negócios, a presidente da AEPFuturo acredita em programas de linha de crédito mais acessíveis para micro empresários. 

“Esperamos ter oportunidade de retomar nossos negócios com apoio dos governos, tanto Federal, como Estadual e Municipal. Isso no tocante aos impostos que temos que pagar, taxas, os boletos chegam na nossa porta. A gente espera uma contrapartida dos governos para nos ajudarem na próxima retomada. Que possam estabelecer também linhas de crédito acessíveis para o pequeno empresário, porque todas as medidas anunciadas no plano anterior não chegaram às mãos do pequeno empreendedor.” 

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