Agro Parque no autódromo de Eusébio terá hotel, shopping e abrigará Expoece e Cavalaria da PM
Estudos relativos ao projeto do empreendimento estão em andamento, com previsão estimada para conclusão dos trabalhos em agosto, diz PGE
O terreno do Autódromo Internacional Virgílio Távora, em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, dará lugar ao Agro Parque, um equipamento multiúso que irá abrigar área de exposições, hotel e shopping, além da nova sede da Cavalaria da Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE).
As informações foram repassadas em entrevista de Amílcar Silveira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), ao Diário do Nordeste nesta quarta-feira (9). O assunto já havia sido tratado em junho pelo governador Elmano de Freitas durante a abertura da PEC Nordeste 2025.
Queremos que tudo seja lá para poder ser um ambiente sustentável financeiramente, e que possa ter uma vida útil. O autódromo é um negócio subutilizado, e ao nosso ver, ali poderia ser a identidade do Eusébio, e que as pessoas do Eusébio tivessem um parque para interagir. Vai ter um shopping e um hotel também. Para quem mostrei e é da área, garante que vai ser a maior área de entretenimento do Nordeste, e sem investimento público".
"Estamos pegando um parque do Governo do Estado com outro equipamento obsoleto para fazer um negócio útil. Na nossa proposta, a Cavalaria da PMCE também iria para lá, ou seja, liberaria outro terreno para o Governo. É um negócio que todos ganham, ninguém perde", refletiu Amílcar.
Não foram revelados dados como valores das transações, prazo para início e término das obras e nem mesmo quantos empregos serão gerados. Essas especificações devem ficar evidentes com a publicação do edital de licitação.
Como está a situação do autódromo do Eusébio?
O local é administrado desde 2018 pela Secretaria do Esporte do Ceará (Sesporte), mas antes era gerido pela Federação Cearense de Automobilismo (FCA). A entidade chegou a fazer uma proposta para transformar o local em uma arena multiúso para usos esportivos.
No início deste ano, o Governo do Ceará, por meio da Companhia de Participação e Gestão de Ativos do Ceará (CearaPar), vinculada à Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz-CE), desistiu de leiloar o autódromo e buscava alternativas para o equipamento.
Inaugurado em 1969, o autódromo recebeu diversas provas nacionais, como a Fórmula Truck (de caminhões) e Fórmula 3 Sul-americana. Na época, essas eram as principais categorias que atuavam no Brasil e foi atraído um público de mais de 20 mil pessoas.
Para receber provas do circuito nacional, como a Stock Car, Fórmula 4 (F4) e Porsche Cup, a FCA diz ser necessário investimento para revitalizar a pista e modernizar as estruturas.
Em 2024, o espaço foi utilizado em apenas 16 fins de semana, sempre a cargo da FCA. Os eventos variam de 40 a 60 equipes participantes, 200 a 300 profissionais envolvidos diretamente, e um público de 1 mil a 3 mil pessoas.
Para utilizar o espaço, é pago à Sesporte uma taxa de R$ 3 mil por dia utilizado. O valor, segundo a federação, é convertido em manutenção e bem feitorias no equipamento.
Conforme a entidade, o espaço recebeu, no ano passado, investimentos privados da federação e de parceiros da entidade. Entre as melhorias estão a pintura geral, reforma nos banheiros e climatização dos ambientes e tratamento de pequenos defeitos na pista.
Leilão depende de permuta entre sede da Expoece e autódromo
As intervenções a serem feitas no autódromo fazem parte de uma negociação em conjunto de dois equipamentos públicos estaduais: o Parque de Exposições Governador César Cals, conhecido como a sede da Exposição Agropecuária e Industrial do Ceará (Expoece), e o próprio empreendimento em Eusébio.
O equipamento da sede da Expoece, localizado no bairro São Gerardo, em Fortaleza, será vendido pelo Governo do Ceará, mas o valor da venda não chegará aos cofres públicos. Em vez disso, quem arrematar o terreno será responsável pela construção do Agro Parque, em Eusébio.
As declarações foram dadas pelo governador Elmano de Freitas (PT) em entrevista na manhã desta quarta-feira (9) na Live PontoPoder. A transação deve resolver de uma só vez, como refletido pelo mandatário estadual cearense, dois equipamentos públicos que trazem despesas altas, mas sem retorno financeiro condizente.
Elmano definiu o modelo de negociação como "permuta": quem for o vencedor da licitação para a compra do parque de exposições em Fortaleza, conhecido por ser a sede da Expoece, terá de usar o dinheiro a ser pago para o governo estadual para construir o Agro Parque no Eusébio.
Estamos discutindo o desenho jurídico em que vamos fazer uma licitação do terreno da área de exposição da SDA. Aquela pessoa que iria comprar o terreno, em vez de dar o dinheiro para o Estado, utilizará o dinheiro para fazer o novo parque. É como se fosse uma permuta: a pessoa ou empresa vai receber esse terreno e será dela, mas tem que construir um parque do jeito que vamos definir lá no terreno do autódromo".
"Não é uma coisa que vai passar o dinheiro para o Estado, para licitarmos e fazer a obra. Entendemos que assim vamos fazer com maior agilidade. A pessoa ou empresa vai contratar as empresas e fazer o parque, vamos apenas dizer: o parque consta no edital conforme exigimos. Se estiver assim, cumpriu o contrato", acrescentou.
O governador do Estado explicou que o edital para a venda do prédio da sede da Expoece está sendo preparado pela Procuradoria Geral do Estado do Ceará (PGE-CE), e que "até o final do mês" será concluído. A tendência é de que o lançamento da licitação aconteça em agosto, segundo Elmano de Freitas.
Essa modalidade de permuta entre empreendimentos públicos foi ainda exaltada pelo gestor estadual. Conforme Elmano, licitações anteriores para a venda tanto da sede da Expoece quanto do autódromo "desertaram", isto é, não tiveram interessados na negociação.
Em nota, a PGE-CE destacou que o edital de permuta está "na fase de planejamento e elaboração", e frisou a condição que envolverá os dois prédios públicos, da contrapartida financeira da alienação do imóvel da sede da Expoece.
"Os estudos relativos ao projeto do empreendimento (Agro Parque) estão em andamento, com previsão estimada para conclusão dos trabalhos em agosto, quando poderá ser deflagrado o procedimento licitatório correspondente. Em relação ao prazo e ao valor do investimento, a definição dependerá das conclusões dos estudos técnicos", resumiu.
"Obsoleto": sede da Expoece convive com quase abandono
Com um terreno com área superior aos 122 mil metros quadrados (m²), o Parque de Exposições Governador César Cals está há mais de 70 anos abrigando a realização da Expoece. O local também é sede da Feira Cearense da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Fecaf), mas "passa a maioria do ano sem uso".
A declaração feita por Amílcar Silveira considera ainda que o parque está "obsoleto" e com boa parte das instalações comprometidas.
"Ele passa a maioria do ano sem uso, gerando custo e onerando muito aos cofres públicos. A Expoece está ali há mais de 70 anos, e é um parque antigo, onde poucas reformas foram feitas. As instalações elétrica e hidráulica também são complicadas", apontou.
A área não está totalmente inativa, mas, na prática, está com uso reduzido e acumula áreas com estágio avançado de deterioração, incluindo pontos de lixo, além de ser depósito de veículos abandonados. O local fica entre a avenida Sargento Hermínio e a rua Aluísio Eleutério (antiga Coronel Raimundo Guanabara).
De acordo com Amílcar Silveira, pelo menos dois investidores demonstraram interesse em construir o Agro parque e, consequentemente, adquirir a sede da exposição, mas as tratativas seguem em aberto. O presidente da Faec também ressaltou que a entidade tem o objetivo de gerir o local.
"É o que o governador falou: o valor que for vendido o imóvel (Parque de Exposições Governador César Cals) será o valor para ser construído o Agro parque. Já apareceram dois investidores. Vamos levar para grandes empreiteiras. A Faec tem intenção de gerir o parque", definiu.
A reportagem procurou a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), proprietária do imóvel que sedia a Expoece, para saber detalhes relativos à conservação do empreendimento e quantidade de eventos realizados anualmente no local.
A pasta limitou-se a informar que a gestão do imóvel é feita pela Companhia de Participação e Gestão de Ativos do Ceará (CearaPar), e o foco do empreendimento é na realização de eventos "voltados ao desenvolvimento rural e à agricultura familiar".
"No local, também estão presentes entidades parceiras, como a Associação dos Criadores do Ceará e outras representações do setor agropecuário", registrou a SDA.