Das eleições à inflação: veja 7 pontos que vão definir a economia em 2026 e como se preparar
Com a chegada de 2026, o Brasil inicia mais um ciclo econômico marcado por expectativas moderadas de crescimento, inflação ainda pressionada e juros elevados, ainda que com possibilidade de alívio ao longo do ano.
Para o cidadão comum, que não acompanha diariamente indicadores econômicos, essas projeções podem parecer distantes. No entanto, elas se refletem diretamente no preço do supermercado, no valor das parcelas, no custo do crédito e, especialmente, nas contas que chegam logo no início do ano.
Esta coluna tem como objetivo explicar, de forma simples e clara, o que os economistas projetam para a economia brasileira em 2026 e como esse cenário pode impactar o orçamento das famílias.
1. Crescimento econômico: o país anda, mas em passo curto
O Produto Interno Bruto (PIB), que mede a soma de tudo o que é produzido no país, deve crescer cerca de 1,8% em 2026, segundo projeções do mercado financeiro. Trata-se de um crescimento positivo, mas modesto, inferior ao observado em anos recentes.
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Esse ritmo mais lento é explicado principalmente pelos juros ainda elevados, que encarecem o crédito, reduzem investimentos e freiam o consumo. Em termos práticos, isso significa que a economia cresce, mas não o suficiente para gerar uma grande expansão de empregos ou aumentos expressivos de renda para a maioria da população.
2. Inflação: dentro da meta, mas ainda incômoda
A inflação projetada para 2026 gira em torno de 4% ao ano, ficando no limite superior da meta oficial. Embora esteja tecnicamente “sob controle”, esse nível ainda representa uma perda gradual do poder de compra das famílias.
Alimentos, serviços, planos de saúde, educação e transporte tendem a continuar subindo, mesmo que em ritmo mais lento do que em períodos críticos. Para quem vive com orçamento apertado, qualquer alta constante pesa.
3. Juros: altos no começo, alívio só mais adiante
A taxa Selic, principal referência dos juros no país, deve permanecer elevada no início de 2026, com projeções ao redor de 12% ao ano, podendo cair gradualmente ao longo do período, caso a inflação dê sinais consistentes de desaceleração.
Para o consumidor, isso significa:
- Empréstimos caros
- Parcelamentos mais longos e custosos
- Juros elevados no cartão de crédito e no cheque especial
- Em um ambiente como esse, o endividamento se torna um risco ainda maior.
4. Dólar e preços: impacto indireto, mas constante
As projeções indicam um dólar oscilando entre R$ 5,40 e R$ 5,90 em 2026. Mesmo sem grandes disparadas, um câmbio nesse patamar encarece produtos importados e pressiona custos de combustíveis, medicamentos, eletrônicos e até alimentos que dependem de insumos externos.
Esse efeito costuma chegar ao consumidor de forma silenciosa, diluído em pequenas altas ao longo do ano.
5. Ano eleitoral e estímulos à economia
Como 2026 será um ano eleitoral, é comum que o governo adote medidas de estímulo ao consumo, como reajustes de benefícios, mudanças tributárias ou programas de crédito. Essas ações podem ajudar temporariamente a aquecer a economia, mas também aumentam o desafio de manter a inflação sob controle.
Para o consumidor, isso pode gerar uma sensação de alívio no curto prazo, mas exige cautela para não confundir estímulo pontual com melhora estrutural da renda.
6. Emprego e renda: estabilidade, mas sem euforia
A taxa de desemprego deve permanecer relativamente baixa, próxima de 5% a 6%, o que é positivo. No entanto, um crescimento econômico modesto limita ganhos salariais mais robustos.
Na prática, muitos trabalhadores podem continuar empregados, mas sem reajustes que acompanhem plenamente a inflação, exigindo maior disciplina financeira para manter o padrão de vida.
7. O início do ano e o peso das despesas obrigatórias
Um ponto sensível para o orçamento das famílias brasileiras é o conjunto de despesas concentradas no início do ano, que em 2026 tende a pesar ainda mais diante do cenário econômico projetado.
Entre os principais gastos estão: IPTU; IPVA; Licenciamento e seguros de veículos; Matrículas escolares e mensalidades; Material escolar; Reajustes de planos de saúde e seguros.
Essas despesas chegam de forma quase simultânea, muitas vezes em um momento em que o consumidor ainda se recupera dos gastos de fim de ano. Com juros altos, recorrer ao parcelamento pode significar assumir dívidas caras logo nos primeiros meses do ano, comprometendo o orçamento por muito tempo.
Planejamento prévio e provisão financeira são fundamentais para atravessar esse período sem recorrer a crédito de alto custo.
O que tudo isso significa para o seu bolso
Diante desse cenário, o consumidor pode esperar:
- Custo de vida pressionado, especialmente em serviços;
- Crédito caro, exigindo cautela com parcelamentos;
- Pouca margem para erros financeiros, já que a renda cresce pouco;
- Maior importância do planejamento, principalmente no início do ano.
A economia não deve entrar em crise, mas também não oferecerá grandes folgas para improvisos.
Dicas práticas para viver 2026 com mais equilíbrio financeiro
1. Antecipe despesas fixas
Planeje IPTU, IPVA e matrículas com antecedência, criando uma reserva específica.
2. Evite parcelar despesas correntes
Parcelar contas do dia a dia pode comprometer o orçamento futuro.
3. Priorize quitar dívidas caras
Reduzir juros altos é uma das melhores formas de “ganhar dinheiro”.
4. Construa ou reforce seu fundo de emergência
Ele é essencial em um cenário de juros elevados e crescimento lento.
5. Invista em educação financeira e renda complementar
Aumentar a renda pode ser tão importante quanto cortar gastos.
O Desafio 2026
Para fechar, fica o Desafio 2026:
- Economize 10% da sua renda durante todo o ano de 2026 e invista em educação financeira ou em um fundo de emergência.
- Não importa o quanto você ganha — se economizar os primeiros 10%, você cria um hábito poderoso de controle financeiro. Ao final do ano, você terá uma reserva que pode fazer a diferença diante de qualquer turbulência econômica.
O ano de 2026 será marcado por estabilidade com cautela. A economia deve crescer pouco, a inflação seguirá presente e os juros continuarão exigindo disciplina.
Para o consumidor, o desafio não será apenas ganhar mais, mas administrar melhor o que já ganha, antecipar despesas e evitar decisões financeiras impulsivas. Em um cenário econômico moderado, planejamento deixa de ser virtude — passa a ser necessidade.
Pensem nisso! Até a próxima.
Ana Alves- @anima.consult