Sonho da casa própria mais distante: por que ficou mais caro comprar imóvel em Fortaleza?
Cidade tem o segundo metro quadrado mais caro do Nordeste.
Fortaleza encerrou o ano passado com o 9º metro quadrado mais caro do País em imóveis residenciais disponíveis para comprar. O preço médio para comprar uma moradia na Capital chegou a R$ 8.963/m², alta de 11,6% no comparativo com 2024, desbancando Recife (PE) e subindo uma posição no ranking nacional.
Os dados compõem o Índice FipeZap, que compila uma série de anúncios de imóveis residenciais, sejam novos ou usados, para venda em diversas cidades do País. Quando é considerada a série histórica dos últimos 10 anos, a variação dos preços em Fortaleza se aproxima dos 50%.
Entre 2015 e 2019, os preços oscilaram dentro de uma margem estreita. Em 2019, o valor do m² na Capital atingiu o menor valor da série histórica: R$ 5.577. Desde a pandemia de Covid-19, porém, as cifras são marcadas por um crescimento acelerado, com destaque para a variação entre 2024 e 2025, a maior numericamente de todo o período.
Nesse mesmo intervalo, Fortaleza desbancou uma série de outras capitais brasileiras e se consolidou entre as 10 mais caras do País para se comprar um imóvel residencial. A líder do ranking de 2025 foi Vitória (ES), com R$ 14.108/m². Florianópolis (SC), com R$ 12.773/m², e São Paulo (SP), com R$ 11.900/m², completam o pódio.
No Nordeste, Maceió (AL) aparece como a capital mais cara da região para comprar um imóvel residencial. O custo para adquirir uma moradia na capital alagoana está próximo dos R$ 10 mil/m², atualmente fixado em R$ 9.836/m². Fortaleza aparece na segunda posição, e São Luís (MA) fica em terceiro, com R$ 8.617/m².
O que pode estar por trás da alta dos preços em Fortaleza?
Ao longo dos últimos anos, a Capital cearense desbancou Salvador como as principais economia e população do Nordeste do País. Esse movimento, consequentemente, está diretamente relacionado com os preços de imóveis na cidade, como analisa o economista especialista em mercado imobiliário Mario Augusto Monteiro, sócio da empresa RPG&Reinfra Consultoria Econômica.
Somado a esses valores, há o processo de intensificação das históricas "áreas nobres" da cidade, consolidadas sobretudo nas regionais 2 e 7 em bairros como Aldeota, Meireles e Papicu, três dos mais caros para comprar um imóvel residencial em Fortaleza.
O que pode estar acontecendo é que essa informação do valor médio esteja enviesada pela concentração de transações nas áreas mais caras da cidade. Os lançamentos podem estar acontecendo no 'filé', nas áreas de metro quadrado mais caro. As estatísticas vão falar sobre a média do valor, mas isso pode não corresponder ao que esteja acontecendo em toda a cidade".
Mesmo com novos empreendimentos fora da área nobre, Mario Monteiro diz que o foco do mercado nas áreas mais lucrativas encarece o metro quadrado em Fortaleza.
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"Isso pode sugerir que os empreendimentos estão se concentrando nas áreas mais lucrativas e menos populares e acessíveis da cidade. O setor imobiliário está privilegiando áreas de maior renda", considera.
"O foco maior do mercado pode estar indo para as áreas de maior rentabilidade. A margem de ganho é maior no apartamento de luxo do que em uma unidade do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). O que se ganha nas unidades do MCMV é muito menor do que uma unidade em bairro nobre. Vai ficando mais caro e mais elitista", completa o especialista.
O impacto das plataformas no mercado imobiliário
Mario Monteiro ainda alerta que as moradias de aluguel por temporada são o "princípio de um problema que em outras cidades vêm manifestando muito mais".
São empreendimentos que dominam áreas turísticas e criam locais menos habitados e mais focados em veraneio ou estadias curtas, aumentando rotatividade e lucro.
"É o processo chamado de gentrificação. Várias cidades estão em guerra contra esse aluguel por plataforma. A pessoa aluga por temporada, com uma rentabilidade muito maior do que um aluguel para um morador permanente. O que os números mostram agora faz parte e reforça o processo", decreta.
Quais são os bairros mais caros de Fortaleza?
Ao todo, 10 bairros estão na lista das maiores cifras por metro quadrado da Capital. Três deles têm preços que superam os R$ 10 mil/m². São eles: Meireles, Aldeota e Engenheiro Luciano Cavalcante.
No comparativo com 2017, quando o Índice FipeZap passou a divulgar os resultados de Fortaleza detalhados, Meireles e Luciano Cavalcante já apareciam na lista dos mais caros da cidade.
Ao longo dos últimos anos, o Meireles tem sido o bairro mais caro para comprar um imóvel residencial na Cidade. Em oito anos, o preço médio do m² no local saiu de R$ 7.520/m² para R$ 12.634/m², alta de 50,75%.
Em 2024, somente o Papicu teve queda no preço médio do m², de 8% em 2025. Já entre aqueles que tiveram valorização nas cifras, Aldeota e Centro tiveram as maiores valorizações percentuais, com alta de 24,7%.
Confira a lista dos bairros mais caros de Fortaleza segundo o FipeZap:
- Meireles: R$ 12.634/m²;
- Aldeota: R$ 11.000 /m²;
- Eng. Luciano Cavalcante: R$ 10.270 /m²;
- Centro: R$ 9.294 /m²;
- Manuel Dias Branco: R$ 8.972 /m²;
- Dionísio Torres: R$ 8.683 /m²;
- Fátima: R$ 7.885 /m²;
- Papicu: R$ 7.105 /m²;
- Praia do Futuro II: R$ 6.746 /m²;
- Joaquim Távora: R$ 6.518 /m².