Centro voltou a ser morada? Bairro está entre os que mais se valorizaram em Fortaleza
Região volta a receber lançamentos imobiliários após quase duas décadas.
O Centro de Fortaleza, que já foi um lugar de morada e hoje concentra o comércio popular, vive uma nova tendência de valorização imobiliária. Nos últimos 12 meses, o bairro esteve entre os que mais se valorizaram na Cidade, com alta de 24,7%, segundo dados do índice FipeZap.
Considerando os bairros com maior peso no indicador, a expansão foi igual ao do bairro Aldeota e superior a Fátima, Meireles, Luciano Cavalcante e outros.
O preço do m² do Centro para a venda de imóveis residenciais chegou a R$ 9.294, segundo o índice Fipezap de dezembro. O valor era R$ 7.453 para o mesmo péríodo em 2024.
O Centro ainda concentra uma alta quantidade de imóveis e terrenos ociosos. Mesmo assim, o bairro começa a receber novos lançamentos imobiliários. Um dos exemplos é o terreno do ginásio do tradicional Colégio Marista Cearense, que dará lugar a um condomínio residencial com três torres e 576 unidades.
Será o primeiro lançamento no 'coração' do Centro de Fortaleza desde 2008, segundo levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE).
O que explica a valorização do Centro de Fortaleza?
Dotado de infraestrutura básica, serviços públicos e boa acessibilidade, o Centro pode ser tornar um ponto estratégico de valorização, seja para novos imóveis ou locação, projeta Alexandre Queiroz Pereira.
“A lógica da incorporação imobiliária visa criar tendências a partir de áreas que se apontam como espaços desejados para a classe média. Na dinâmica de uma cidade, os bairros dotados de serviços sempre vão ser prioridade”, explica.
O especialista pondera que os imóveis na região podem não atrair o público com maior poder aquisitivo. A possibilidade maior é a produção de um modelo imobiliário socal para locação.
“O centro tem imóveis mais antigos, alguns da década de 1930, 1940, que têm uma série de dificuldades em relação à possibilidade de incorporação. Do custo de obra até estratégias de marketing para convencer um público específico a consumidor”.
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Novos lançamentos no Centro de Fortaleza
O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) projeta que novos empreendimentos devem ser lançados no Centro ao longo de 2026, especialmente no padrão econômico.
“Aproveitando a infraestrutura existente, a vocação histórica da área e a melhoria gradual do ambiente urbano, o que tende a estimular tanto a moradia quanto a atividade econômica local”, aponta Patriolino Dias, presidente do sindicato.
O presidente ressalta que o Centro está entre os bairros com mais infraestrutura consolidada, o que naturalmente pressiona os preços dos imóveis para cima.
Patriolino afirma que também há tendências de expansão e novos lançamentos em bairros fora da região tradicional, como Presidente Kennedy, Cambeba, Passaré, Cocó e Papicu.
REVITALIZAÇÃO DO CENTRO DE FORTALEZA
A ocupação imobiliária é importante para a revitalização do Centro e pode evitar o esvaziamento dos espaços públicos e históricos, defende Alexandre Queiroz Pereira.
É preciso atentar, segundo o geógrafo, para que a valorização não crie padrões de elitização das regiões.
“Algumas prefeituras têm feito parcerias público-privadas. Mas a crítica que tem se feito é que tendem a reproduzir no centro o que acontece em outros bairros nobres, que se tornam áreas inacessíveis para a grande massa que precisa de moradia de qualidade”, aponta.
O especialista ressalta que a ocupação da área central é benéfica para toda Fortaleza e evita a fragmentação da cidade.
A ocupação do Centro é uma das propostas do Plano Plurianual de Fortaleza 2026-2029. Está sendo analisada a doação de imóveis públicos ociosos na região para programas de habitação.