Gestos de afeto durante a pandemia 'renovam a esperança em dias melhores', diz especialista

Manifestações despertam lado humano durante a crise, avalia psicóloga

Médico segura a mão de uma paciente
Legenda: Ao perceber comportamentos colaborativos, de grupos em prol de homenagem e gratidão, isso renova a esperança em dias melhores, diz psicóloga
Foto: Shutterstock

Em meio aos percalços da pandemia, entre internações, lutos e lutas, gestos de afeto podem salvar vidas e acalentar corações. Emocionalmente, ações desse tipo - como as milhares já noticiadas - costumam ter impactos positivos na vida das pessoas, ainda mais em um período de crise generalizada, como explica a psicóloga e coordenadora universitária Larissa Façanha de Matos Dourado. 

“Diferente de outros animais, nós precisamos do contato físico e emocional com os outros para sobreviver. Nesse momento de pandemia, a gente percebe que houve um isolamento, mas não um distanciamento, muito devido às tecnologias e demais formas de demonstrar afeto nos mínimos detalhes: movimentos sociais, mensagens forças nas redes sociais, orações, elogios e reconhecimentos da população os profissionais", afirma. E acrescenta:

Isso alimenta a dimensão social de integração para que possamos viver em sociedade, pois ninguém consegue viver sozinho. Ao perceber comportamentos colaborativos, de grupos em prol de homenagem e gratidão, isso renova a esperança em dias melhores”
Larissa Façanha de Matos Dourado
Psicóloga

Homenagem a profissionais da Saúde

Dentre as milhares de ações, em março deste ano, alunos do 8° ano da Escola de Ensino Fundamental Manoel da Castro, em Juazeiro do Norte, escolheram homenagear os profissionais da Saúde do Hospital Regional do Cariri (HRC) com cartinhas de apoio.

Uma das beneficiadas com a cartinha foi a fisioterapeuta Maria Angela Lopes Pereira. Segundo a profissional, foi gratificante receber as mensagens em um momento difícil. “A gente ama muito o que fazemos, mas quando recebemos todo esse carinho e vemos que somos exemplos para crianças em formação, isso é um alento diante das dificuldades e momentos difíceis”.

Cartinha enviada ao HRC
Legenda: Cartinha enviada ao HRC
Foto: Reprodução

Os estudantes escolheram quais equipes queriam homenagear: médicos, enfermeiros, técnicos, motoristas de ambulância e outras profissões. Com a escolha feita, presentearam os profissionais com desenhos, músicas e outras formas de expressão.  

“Somos humanos e nos deparamos com o medo. É uma doença nova que tem muitas faces. A mais difícil nós já sabemos qual é, mas a mais emocionante é essa renovação de forças para que a gente siga nesta luta e dê o máximo em prol do cuidado para que possamos passar por esse período com várias pessoas em casa, reabilitadas”, relata a fisioterapeuta.

Prontuários afetivos

Cada vez mais, as unidades de saúde têm feito o “prontuário afetivo” do paciente internado. O relatório consiste em pontuar, além das questões clínicas, as características sociais, emocionais e familiares do paciente - muitas vezes internado por um longo período de tempo.

No Hospital Geral César Cals, a assistente social Tayná Araújo é responsável por organizar prontuários afetivos. O projeto funciona com o intuito de dar características às pessoas que não podem se comunicar com a equipe médica.

“O objetivo é mostrar para os profissionais que aquela pessoa é o amor de alguém, ela é a mãe, o pai, a tia, a prima. Ela tem hobbies, ela tem uma família, ela tem um time que torce, tem uma música preferida. E também levar um pouquinho da família para aquele paciente que está em isolamento”, comenta. 

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